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Conheça o mundo sem sair da capital paulista - Roteiros culturais em São Paulo
É possível conhecer o mundo sem sair do País, pelo menos para os que estão em São Paulo.
Eduardo Vessoni
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As ondas imigratórias, que ganharam força a partir de momentos históricos importantes como a abolição da escravatura no Brasil e duas Guerras Mundiais, trouxeram um pouco do mundo para cá.
E quem ganha com essa diversidade cultural são os turistas e paulistanos que escolhem dar uma volta por bairros, tradicionalmente, "estrangeiros". Conheça e visite os mais famosos.
Mooca
O bairro mais antigo de São Paulo, fundado em 1556, abrigou, principalmente, moradores italianos que trabalhavam nas indústrias têxteis instaladas na região. No final do século 19, o bairro era frequentado pela alta sociedade do café por conta da fundação do Clube Paulista de Corridas de Cavalo, onde se encontra a atual Administração Regional do bairro. Hoje, o sotaque italiano predomina nas cantinas de rua e nas barracas da tradicional festa de San Gennaro, em setembro.
Bela Vista e Brás
É impossível contar a história do desenvolvimento da cidade sem citar os deslocamentos em massa de italianos. Atraída pela grande oferta de trabalho no País, que deixava de utilizar a mão-de-obra escrava, a comunidade italiana começou a atracar no Brasil para 'fazer a América' e, anos mais tarde, deixar suas influências em diversos setores como a arquitetura, a culinária e as artes. Os napolitanos agruparam-se no Brás; calabreses, na Bela Vista; e no Bom Retiro, os venezianos. Hoje, todos se encontram nos restaurantes italianos concentrados, sobretudo, no 'Bixiga', como é conhecido o bairro dos italianos da Calábria.
Pari
O cêntrico Pari reúne a maior concentração de bolivianos de São Paulo. Conhecido como 'bairro doce' da cidade, devido à concentração de lojas que comercializam o produto, a região às vezes mostra seu lado amargo quando a exploração de funcionários escravos bolivianos do setor têxtil ganha os noticiários. No entanto, esses imigrantes não se rendem e, todos os domingos, montam suas barracas na Feira Kantuta para venda de objetos andinos e pratos típicos, além de apresentações musicais.
Liberdade
Os primeiros imigrantes japoneses chegaram em 1912, mas o bairro só assumiu seu estilo oriental apenas nos anos 70 com um projeto arquitetônico emprestado da Chinatown de São Francisco, nos EUA. Mas a visão que mais chama a atenção é o mar de brasileiros de todas as partes do Brasil que lotam as calçadas apertadas em busca de produtos importados por coreanos e chineses. A região, que concentra a maior colônia japonesa fora do Japão, também é palco de festas orientais tradicionais como o florido Hanamatsuri e Tanabata Matsuri, conhecida como Festa das Estrelas.
Santo Amaro
Concentra imigrantes europeus como austríacos, húngaros e finlandeses, mas é da Alemanha que vem a maior comunidade estrangeira do bairro. Conhecidos como 'caboclos loiros', os camponeses alemães começaram a chegar no País em 1827 e se fixaram na distante Santo Amaro. O marco da imigração alemã em São Paulo é o Cemitério da Colônia, em Parelheiros, utilizado para o sepultamento de alemães protestantes proibidos de serem enterrados junto aos brasileiros católicos.
Vila Zelina
Países do Leste Europeu enviaram para a Vila Prudente imigrantes eslovacos, poloneses e russos, mas a maior colônia de imigrantes do bairro é da Lituânia. A Vila Zelina começou a receber os primeiros lituanos entre a Primeira e a Segunda Guerra Mundial, hoje, a Igreja São José, cujas missas de domingo são rezadas em lituano, é um dos marcos dessa comunidade em São Paulo.
Vila Mariana
Os árabes estão por toda a cidade, mas é na Vila Mariana que sírios e libaneses estabeleceram suas raízes, após um processo imigratório que começou em 1880. A fama do bairro vem das diversas casas que comercializam produtos como esfihas e doces árabes, além da arquitetura detalhista de locais típicos como a Catedral Ortodoxa do Paraíso, bairro vizinho.
Higienópolis / Santa Cecília / Bom Retiro
Não é de hoje que os judeus dão as caras em terras brasileiras. Os primeiros imigrantes chegaram junto com as caravelas de Cabral, mas foi só no século 19 que o Brasil recebeu o primeiro grupo com um número significativo de estrangeiros judeus. As outras ondas migratórias aconteceram durante a Segunda Guerra Mundial e nas décadas de 50 e 60, após a criação do Estado de Israel. Hoje, esses imigrantes atuam em diversos setores, mas é na rica gastronomia dos restaurantes e empórios da cidade que eles se destacam.
ABC
Os municípios vizinhos do ABC (Santo André, São Bernardo e São Caetano) foram os lugares escolhidos para o exílio de um grande número de profissionais do Chile que começaram a chegar ao País, em 1973, após o golpe militar de Augusto Pinochet. Hoje, os tempos são outros e a comunidade chilena se reúne em festas na Igreja Nossa Senhora da Paz, no Glicério, para homenagear, no último domingo de julho, a padroeira daquele país. O dia da independência do Chile também é comemorado no último sábado de setembro com uma grande festa conhecida como 'Dieciocho chico', referência ao dia 18 de setembro de 1810 em que o país deixou de ser uma colônia espanhola.
Saiba mais sobre a história da imigração em São Paulo no site Mil Povos.
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