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No ano do centenário de nascimento do escritor Guimarães Rosa, a melhor homenagem que o turista pode prestar a esse brasileiro é fazer uma visita a casa daquele que foi seu principal personagem: o Rio São Francisco.
Eduardo Vessoni
O "Velho Chico", como é conhecido entre a população local, nasce em Minas Gerais e desemboca 2800 quilômetros depois no Oceano Atlântico. E é no trecho mineiro desse percurso que se encontram atrações de fôlego para todos os estilos: caminhadas, cavalgadas cerrado adentro, rafting, banho de rio, pesca e muitas histórias.
Pirapora, localizada a pouco mais de 300 quilômetros da capital Belo Horizonte, é o ponto de partida. A cidade foi redescoberta recentemente pelo turismo por conta da volta do vapor Benjamin Guimarães às águas do São Francisco. A embarcação, que começou seus primeiros trabalhos fluviais no Rio Mississipi, na primeira década do século passado, sai todos os domingos - lotada de passageiros - em um percurso de quatro horas passando por casas ribeirinhas.
Além dos passeios oferecidos na região, o próprio rio e seu movimento matutino valem mais do que qualquer city-tour. Não deixe de chegar bem cedo à margem direita para ver as aves famintas ao redor dos primeiros pescadores que começam a preparar seus barcos de madeira, rede e iscas. Como dizem por aí, “Deus ajuda a quem cedo madruga”. E o turista madrugador ainda leva de brinde um nascer do sol que colore as águas do rio.
O Balneário das Duchas, outro ponto turístico de Pirapora, poderá servir de refresco após algumas horas sob o sol forte que esquenta toda a cidade. A atração, que se encontra em uma área não navegável do rio por conta de sua baixa profundidade é, na verdade, uma pequena queda d´água que se forma naquelas bandas (e que os locais utilizam para o banho nos dias mais quentes). Dizem até que aquelas águas têm poderes de cura.
Mais alguns metros e você já está na ponte Marechal Hermes, uma construção do início do século passado de 694 metros de comprimento, que une Pirapora à vizinha Buritizeiro. A obra já não serve mais para a passagem de trens como na época em que a região fazia parte de um importante trajeto ferroviário, mas a população local e os turistas continuam usando para locomover-se entre as duas cidades e avistar as belas águas verdes do velho Rio São Francisco. É a engenharia interagindo harmoniosamente com a natureza.
Do outro lado da ponte, Buritizeiro também tem muita história para contar. Pré-histórica, literalmente. A poucos metros da entrada da cidade encontra-se o Cemitério da Caixa d´água, um sítio arqueológico de 6 mil anos descoberto recentemente e que ainda se encontra em fase de estudo por antropólogos do Estado de Minas Gerais e de outros países.
E por falar em história, o município de Várzea da Palma, distante 22 quilômetros de Pirapora, abriga as ruínas da Igreja de Pedra onde uma enorme gameleira cresceu em seu topo e expandiu suas raízes no que sobrou das paredes laterais da construção. A igreja foi tombada pelo IEPHA em 1985 e, segundo os locais, suas pedras guardam os restos mortais do bandeirante Fernão Dias.
De volta a Pirapora, o turista ainda encontra tempo para apreciar a beleza das carrancas talhadas pelos artistas da região - um dos símbolos artísticos mais famosos do rio. O que fora em outra época um objeto para afugentar os maus espíritos das navegações fluviais, hoje é fonte de renda de muitas famílias artesãs locais.
O Velho Chico tem mesmo história para “mais de metro” e o turista aventureiro vai querer revivê-las sempre. Seja por fotos ou nas letras cuidadosas do velho Guimarães Rosa.
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