iG - Internet Group

iBest

brTurbo

Siga o Caminho do Sol
Qualidade de vida, reflexão e renovação da alma. Há exatos seis anos, um grupo de viajantes busca tudo isso e mais um pouco: caminham 240 quilômetros durante 11 dias por cidades históricas do interior paulista.

Eduardo Vessoni

Acordo Ortográfico

É a proposta do roteiro do “Caminho do Sol”, criado pelo empresário José Palma cujo sonho acaba de cumprir mais um aniversário. O programa propicia aos amantes de caminhadas uma rota preestabelecida com ingredientes sociais, culturais e históricos, e passa por cidades como Santana do Parnaíba, Pirapora, Cabreúva, Itu, Salto, Elias Fausto, Capivari, Mombuca, Piracicaba e Águas de São Pedro. 

“Eu queria ter em São Paulo uma rota que fosse uma preparação para os peregrinos que pretendem seguir para o caminho de Santiago de Compostela, na Espanha”, explica Palma. E conseguiu.

Os caminhantes andam mais de 20 quilômetros por dia e se hospedam em pequenos hotéis, fazendas e residências simples, estabelecidos estrategicamente ao longo do percurso. O conforto nem sempre vem em primeiro lugar, mas o peregrino quer mesmo é uma boa cama para repor as energias para o trecho da manhã seguinte.

O trajeto é longo mesmo e exige uma boa preparação física dos caminhantes que passam por centros urbanos e grandes áreas rurais em altitudes que variam de 473 a 845 metros. O sobe e desce do caminho é emoldurado ora pelo verde claro dos canaviais ora pelo marrom do chão empoeirado de algumas etapas. O tom bucólico se completa com a presença constante de animais típicos da fazenda - além de casarões históricos de personalidades como Assis Chateaubriand e a pintora Tarsila do Amaral.

Nesse roteiro não se caminha apenas com os pés, mas com a mente também. Andar durante 11 dias por cenários rurais impressionantes do interior leva o participante à introspecção e mexe com o emocional, seja qual for o motivo da aventura.

O economista aposentado Emílio Imbrioli tem cinco pontes de safena e repete o roteiro pela segunda vez. “Depois de tantas cirurgias, resolvi encarar desafios maiores e agora é a vez da cirurgia da alma”, explica. Por isso, quando o coração bate mais forte, Imbrioli se afasta do grupo e segue sozinho a caminhada. “Especial mesmo é o caminho de cada um”, completa Solange Góes. A experiência de quem passa por ali pela terceira vez é conforto e apoio para os novatos.

Mas quando os pés começam a se arrastar sobre o chão de terra e o cansaço vai pesando sobre o cajado do peregrino, surgem os personagens mais emocionantes de todo o percurso: “as nuvens”. Esses “anjos do caminho” são voluntários que, ao longo do trajeto, recebem os caminhantes com música e um inesperado café da manhã.

A coordenadora pedagógica Gislene Paiva é um exemplo de anjo que larga tudo na capital paulista para oferecer abraços e sanduíches. “Já fiz esse caminho três vezes. É algo que me move até hoje e eu não posso guardar isso só para mim”, orgulha-se Gislene.

Em um dos trechos mais exigentes do roteiro, na cidade de Mombuca, o caminhante enfrenta infinitas plantações de cana, subidas em morros de terra e pedra, e quase nenhum ponto de apoio. Quase. As árvores e os troncos retorcidos pintados pela terra alaranjada do chão seco começam a ganhar outro tom quando, ao longe, ouve-se música clássica.

Na curva seguinte, a mata nos espera com uma farta mesa de frutas, sucos, sanduíches e chocolates. São os anjos mais uma vez. Mais do que repor a energia do nosso corpo cansado, esses voluntários nos aguardam pacientemente para alimentar o coração com um abraço reconfortante. “O abraço é mais gostoso porque são dois corações juntos”, explica Gislene quando recepciona os caminhantes que chegam.

Se já emociona trilhar 240 quilômetros a pé, os sentimentos vêm à tona mesmo quando se chega ao destino final, em Águas de São Pedro. Os peregrinos são recebidos pela população local na Casa de Santiago, onde se encontra uma imagem do apóstolo Tiago - trazida da Espanha. Ali, os vencedores do caminho abraçam Santiago, fazem três pedidos e recebem a “Ara Solis” (altar do sol): o documento que comprova a empreitada e representa o que se vivenciou durante aqueles dias.

As lágrimas são muitas, mas as despedidas são rápidas. Afinal de contas, peregrino não se despede, apenas diz “até o próximo caminho”.

- Ficou interessado? Veja mais informações sobre o Caminho do Sol

Leia mais sobre: Santiago de Compostela - turismo no interior paulista.

Você tem mais informações? Envie para Minha Notícia, o site de jornalismo colaborativo do iG




publicidade



Contador de notícias