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Sou fã do mar, mas nunca havia mergulhado antes. Mesmo em terra firme, só de pensar em não poder respirar pelo nariz, já ficava aflita. Quando soube que iria mergulhar durante uma viagem ao Caribe, senti um misto de alegria, expectativa e, confesso, medo.
Chris Bertelli
Curaçao, uma ilha localizada a 70 quilômetros da costa da Venezuela, está entre os melhores lugares do mundo para o mergulho. Em todo o litoral existem mais de 60 lugares ótimos para a prática, a maioria de fácil acesso. O local escolhido foi a praia que fica em frente ao Habitat Dive Resort, um hotel maravilhoso que reúne mergulhadores do mundo inteiro com um piscina de azul infinito que logo chamou minha atenção. Na pior das hipóteses, ficaria por ali mesmo.
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Juntamente com um grupo de mais dez jornalistas, me preparei para enfrentar o mar. Só um deles havia mergulhado antes. Os demais pareciam estar assim como eu: um pouco aflitos, mas muito entusiasmados. As águas calmas, límpidas e de um azul turquesa impressionante me animaram e me deram coragem. O dia estava propício para um belo mergulho, disse a instrutora.
Antes de encarar a imensidão azul, fomos primeiro para a aula teórica, que na hora não parece ser muito importante, mas quando você está na água faz toda a diferença. Além dos sinais tradicionais utilizados para se comunicar embaixo da água, você aprende também a controlar o seu corpo e fazer do mergulho uma experiência confortável.
Lastro apertado, pé de pato, cilindro nas costas. Lá fui eu. Antes de sair nadando por aí, tirei um tempo para me acostumar a respirar pela boca. A primeira vez que você tem de submergir o rosto na água é mais difícil do que parece. É intuitivo prender a respiração ou até fechar os olhos. A sensação é um pouco estranha. É lindo ver o fundo do mar (mesmo que eu ainda não estivesse muito fundo) sem ter que se preocupar com a respiração. Mas saber que você não pode respirar pelo nariz e saber que não é natural respirar embaixo da água, dá uma sensação de que você vai morrer asfixiado a qualquer momento. Nessa hora é preciso ter sangue frio para controlar o pânico. No primeiro exercício, ficar ajoelhada no fundo do mar, me desesperei e pedi para sair. Tinha certeza de que se não subisse, ia morrer ali. Já estava me contentando com o snorkel, que parecia menos difícil.
Mas na superfície contei com a paciência da instrutora, Andhiela Buso, da Easy Divers, uma mineira que mora em Curaçao há 15 anos. Com calma, ela me levou novamente para o fundo do mar e eu consegui passar pela prova de fogo: tirar o respirador da boca e colocá-lo de volta. Finalmente estava pronta. Segurando a mão dela, fui me afastando da margem. Logo nos primeiros minutos, um cardume de peixes azuis cruzou a nossa frente, passando rente ao meu nariz. Eu poderia tocá-los se estendesse a mão. Era como estar dentro de um aquário, e eu mal podia acreditar no que via.
A vida marinha é muito mais interessante do que qualquer livro de biologia ou documentário possa mostrar. Em Curaçao, os corais são abundantes e tem formas parecidas com cérebros. Estranho e fascinante. Dentro desses corais vivem seres muito pequenos, com cores em tons escuros, talvez para se camuflar. Por todo o chão, uma quantidade enorme de algas, de tamanhos variados, balançava como cabelos ao vento. As esponjas completavam o cenário, coloridas. Poder observá-los tão de perto foi realmente impressionante.
Um pouco mais adiante, novos cardumes se revelaram e eu não sabia para que lado olhar. Quando cerca de 20 peixes cor de laranja vieram nadando na minha direção, eu achei que seria atropelada. Mas eles pareceram não se importar com a minha presença e passaram por mim tranquilamente, como se eu realmente fizesse parte de tudo aquilo. Pude sentir alguns esbarrando no meu corpo. Um peixe parecido com uma flecha, bem fino e comprido, nadava de cabeça pra baixo, para o fundo do oceano. Outra espécie tinha cor da areia, exatamente a mesma cor. Só consegui distingui-lo porque ele revolvia a areia em torno dele.
Embora Andhiela tivesse recomendado que não ficasse sem respirar nem um pouquinho, criei coragem e prendi a respiração uns segundos tentando captar os barulhos do mar. Um silêncio profundo. Nem conseguia acreditar que havia tanta vida naquele silêncio. Voltei a respirar e percebi que o único barulho que eu ouviria seria o da minha respiração ritmada. O que de certa forma me tranquilizava.
Chegamos até um abismo profundo, onde o mar ganhava um tom forte de azul escuro e só de nadar um pouquinho por cima dele percebi que era hora de voltar. Fui retornando para o raso, tentando gravar as imagens maravilhosas na minha memória. Saí da água como quem realiza um sonho de criança, me sentindo leve, plena, com vontade de voltar para a água. E com a certeza de que aquela tinha sido a melhor e a mais marcante experiência da minha vida. Até agora...
Anote:
- Quase todos os hotéis oferecem saída para mergulho, o preço varia de acordo com o equipamento a ser alugado (a partir de US$ 100).
- A vacina de febre amarela é obrigatória para quem embarca para Curaçao.
- Não precisa ter visto para mergulhar na água mais azul do planeta.
Habitat Dive Resort:
Tel: (011-5999) 864-8800. Fax: (011-5999) 864-8464 -Curacao@HabitatDiveResorts.com
*** Chris Bertelli viajou a convite do Governo de Curaçao.
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