Nuka Hiva - Ilhas Marquesas

03/07 - 12:39

Dois dias depois daquela visita, graças à conveniência moderna dos pequenos aviões, me encontrei percorrendo as trilhas remotas de Nuka Hiva.

Jon Bowermaster - NYT

Todas as manhãs, partia da cidadezinha principal, Taiohae, após ter me informado sobre os caminhos com diversos moradores locais na noite anterior. Era difícil chegar a um consenso sobre questões aparentemente simples, como “Qual é a distância daqui até lá?”. Um dia, por exemplo, decidi seguir uma trilha até a comunidade de Taipivai, no outro lado da ilha. Apesar de ter sido informado que levaria o dia todo até chegar às praias de areias brancas de Controller Bay, demorei cerca de quatro horas.

Armadores e o governo de Nuka Hiva se comprometeram, recentemente, em implantar um sistema de estradas na ilha. Parte da decisão é resultado da mudança econômica que a série “Survivor” trouxe para o local. As trilhas já estão abertas a muitas décadas, devido ao tráfico de porcos selvagens, cavalos e caçadores. A ideia de uma empresa de turismo local, chamada Marquises Rando, é expandir essas trilhas já existentes para torná-las mais acessíveis, sem usar tecnologias modernas demais.

Por que introduzir cimento e aço, quando troncos de acácias e coqueiros amarrados fazem pontes tão boas quanto, e pedras vulcânicas são perfeitas para delimitar as trilhas? A idéia é abrir as montanhas à visitação, criando caminhadas por períodos de seis horas, dias completos ou mesmo de dois dias, com direito a acampamento noturno.

A diversidade das trilhas é incrível. Certa manhã aluguei um barquinho para chegar ao ponto de partida para a caminhada até a Cachoeira de Ahuii, uma queda de 1.100 pés encravada na vegetação densa da floresta. A caminhada de duas horas envolve travessias de riachos com água até as coxas e termina com um mergulho na piscina escorregadia que se forma embaixo da cachoeira. No lado oposto da ilha, bem de frente para a praia, se encontra o Hikokua Tohua, sítio cerimonial onde os nativos se reuniam para celebrações, rituais e sacrifícios humanos. Próximo à praia estão os maiores marcos de modernidade do local: uma igreja bege relativamente grande e um restaurante de tamanho suficiente para alimentar os cento e tantos passageiros de cruzeiros que desembarcam ali, a cada duas semanas, para um banquete de lagostas.

Minha última trilha em Nuka Hiva foi através de uma passagem de 600 pés de altura que liga a vila de Taipivai à Praia de Anaho, cruzando campos de cavalos selvagens e baunilha silvestre. As areias brancas são protegidas por blocos de rochas negras, formando um raro recife, que torna a arrebentação de ondas mais suave e o lugar perfeito para nadar. Um homem solitário que mora em uma choupana acena para mim, convidando para saborear peixes secos e água de côco. Uma meia dúzia de cachorros enormes aproveita a sombra das palmeiras, na paisagem composta ainda por barcos de pescadores e um caiaque de plástico virado de cabeça para baixo, sobre a areia.

Enquanto conversamos e tentamos nos proteger do sol do meio-dia peço a ele uma definição de paraíso. Ele faz uma pausa, dizendo simplesmente: “É qualquer lugar onde eu estiver. E na maior parte dos dias, estou bem aqui!”.

Como chegar

O caminho mais direto entre Nova Iorque e as Marquesas é através do voo sem escalas para Papeete, no Taiti, da companhia Air Tahiti Nui (somente de junho a outubro; em outros meses há uma escala em Los Angeles). Tarifa US$ 1.700. A empresa também opera voos mais frequentes a partir de Los Angeles. De Papeete para as Ilhas Marquesas, a Air Tahiti opera diversos voos por semana, tanto para Hiva quanto para Nuku Hiva. Tarifa ida e volta de aproximadamente 63 mil francos polinésios, ou US$ 795.

Cruzeiros marítimos são uma alternativa. O “Regent Seven Seas Cruises” oferece o cruzeiro Paul Gaugin a partir do Taiti, visitando também outras ilhas da Polinésia Francesa, várias vezes ao ano.

Onde se hospedar

Há algumas opções de acomodações tanto em Nuku Hiva como em Hiva Ao. É bem mais fácil conseguir hospedagem em casas de famílias ao chegar no aeroporto ou no cais do porto da ilha do que através de reserva antecipada. Há um hotel “Pearl Resort Lodge” em cada uma das ilhas. O “Nuku Hiva Keikahanui Pearl Lodge” está localizado no final da estrada principal de Taiohae  e conta com 20 chalés ( diárias a partir de 25 mil francos polinésios mais taxas.

O mesmo ocorre em Hiva Ao. Diversas famílias alugam quartos para visitantes na vila principal, Hanakee. A piscina infinita do “Hiva Ao Hanakee Lodge” oferece uma vista de 200 graus do Monte Temetiu, com altura de 3.900 pés. Os 14 chalés oferecem vista semelhante (diárias dos mesmos valores de Nuku Hiva).

O que fazer

Em Nuku Hiva, o hotel organiza passeios a cavalo e barco a motor até chegar a diferentes trilhas, que terminam em cachoeiras espetaculares. A praia de areias brancas de Anaho pode ser alcançada com uma caminhada de 40 minutos, mas vale a pena ir até lá. Nos arredores dali estão os sítios de cultos e sacrifícios de Hikokua e Kamuihai. Em Hiva Ao, a visita ao Museu Paul Gauguin e ao túmulo do pintor é obrigatória; o cantor francês Jacques Brel foi enterrado no mesmo cemitério. A viagem de uma hora de carro até Puamau tem vista magnífica de morros, florestas e beiramar. 

Leia mais sobre: Taiti - Polinésia - ilhas.

Você tem mais informações? Envie para Minha Notícia, o site de jornalismo colaborativo do iG




publicidade