Melhor época para conhecer o Parque Nacional de Lençóis é quando as lagoas cheias surgem como oásis por entre as dunas

As dunas a perder de vista, de areia muito fofa e branca, dão a impressão de que um deserto se incrustou ali, no interior do Maranhão. Lagoas de águas azuis surgem como delírios, até que se molhem os pés nelas e perceba que, de fato, estão ali. Não é miragem. Bem-vindo aos Lençóis Maranhenses.

De maio a setembro as lagoas ficam cheinhas, surgindo como miragens por entre as dunas
Divulgação/ Governo do Maranhão
De maio a setembro as lagoas ficam cheinhas, surgindo como miragens por entre as dunas

Desde quando existem não se sabe, mas as dunas tornaram-se nacionalmente conhecidas após 1981, com a criação do Parque Nacional dos Lençóis. Para os nativos, até então, elas eram somente as “morrarias”.

Com uma área de 155 mil hectares – sendo que cada hectare equivale a aproximadamente um campo de futebol - o parque abrange parte dos municípios de Santo Amaro, Primeira Cruz e Barreirinhas. O turismo ali, como explica o presidente da associação dos guias locais, Jony Gomes Silva, começou por volta do ano de 2000.

Apesar de receberem milhares de turistas anualmente, os Lençóis Maranhenses não se assemelham a outros destinos turísticos badalados do Nordeste. Não há quiosques, vendedores, barracas ou cadeiras de praia, sequer banheiros. A natureza é mãe e age como quer, sem empecilhos e sem críticas. O vento molda as dunas e a vegetação de restinga trata de contê-las para que não avancem demais sobre a área urbana.

Exatamente por não oferecerem estrutura ao turista, explorar os Lençóis não é tarefa para qualquer um. É preciso disposição, fôlego e, acima de tudo, vontade de se deixar surpreender.

O trajeto

Barreirinhas, que concentra a maior parte do Parque Nacional dos Lençóis, fica a 452 km da capital maranhense, São Luís. As mais de 4h de travessia entre os dois municípios são feitas principalmente pela rodovia estadual MA 402, que possui asfalto em ótimas condições. A estrada, porém, é cheia em curvas, o que pode fazer a viagem daqueles com estômagos mais sensíveis parecer mais longa.

Uma das opções de parada no caminho é a lanchonete Quebra Molas, onde o buffet de café da manhã (com pães, bolos simples e frutas) sai por R$ 8.

Já na cidade, é preciso percorrer outros 17 km para se chegar à entrada das dunas. O percurso, aparentemente curto, é feito em cerca de uma hora devido às condições da trilha de areia, onde só veículos 4x4 conseguem passar. Os carros chacoalham muito e exigem cuidado com as crianças, a cabeça e os pertences para que nada chegue quebrado ou machucado ao fim do passeio.

As dunas

Após a viagem, para se chegar às dunas propriamente é preciso ainda escalar um íngreme paredão de 35 metros. Os pés afundam na areia fofa, e o corpo parece ter o dobro do peso. No chão há uma corda para ajudar na tarefa. Ainda assim, é inevitável chegar ao topo esbaforido.

A Lagoa Azul permanece cheia o ano inteiro
Getty Images
A Lagoa Azul permanece cheia o ano inteiro

No entanto, o cansaço vai embora rapidamente para dar lugar ao êxtase. A paisagem é deslumbrante. Dunas são entrecortadas por lagoas límpidas, fazendo jus ao nome de Lençóis.

Não há tempo ruim para visitá-las, mas se a ideia é entrar de cabeça e mergulhar neste paraíso o melhor período é de maio a setembro, quando as lagoas estão cheias. De outubro a dezembro, com a escassez de chuvas, grande parte delas chega a secar completamente. Uma das únicas exceções é a Lagoa Azul, que na cheia chega a 2,30 m de profundidade e, na seca, costuma dar pé para um adulto de estatura mediana.

O turista que quiser conhecer Lençóis no inverno deve estar preparado para ser surpreendido por pancadas chuvas a qualquer hora do diamaio. Outra boa dica é a Lagoa do Peixe, que não poderia ter nome mais óbvio. Nela, o turista tem a oportunidade de nadar ao lado de milhares de peixinhos. Já se o objetivo é molhar os pés e se deliciar com o cenário, a Lagoa Bonita cumpre bem a função.

Ficar estressado durante o passeio é um desafio. O silêncio predomina na imensidão. Ele só é quebrado, vez por outra, pelo som dos helicópteros levando turistas para apreciar do alto a beleza. O voo panorâmico custa cerca de R$ 180 por pessoa.

Na volta das dunas, deixe a fome falar mais alto e pare no Restaurante da Luzia, no povoado com o sugestivo nome de Mata a Fome, formado por cerca de 12 casas. O local simples, de telhado de palha e com bancos de madeira sem encosto para o cliente se sentar, serve deliciosos pratos com camarão preparados por Luzia e sua pequena equipe. A dica é experimentar a tortilha de camarão (R$ 20, com arroz, feijão e salada) ou o camarão sem casca grelhado (R$ 25 com arroz, feijão, farofa e salada).

* A repórter viajou a convite da CTI Nordeste

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