Região isolada é um dos locais mais instigantes e pouco conhecidos no Brasil

Há pouco mais de uma década era possível contar nos dedos quem ousara se aventurar pelo quase isolado Jalapão, um pedaço de Brasil encravado no Estado de Tocantins, cercado de belezas naturais. Mas nos últimos anos, o local entrou para a lista de roteiros do ecoturismo e passou a disputar a atenção dos viajantes dispostos a trocar a infraestrutura e o conforto dos hotéis por um local selvagem e gloriosamente preservado.

Jalapão: dunas, praias de rio e cachoeiras a serem desvendados por quem tem espírito de aventura
Flickr/ Lucas FLavio
Jalapão: dunas, praias de rio e cachoeiras a serem desvendados por quem tem espírito de aventura

A viagem é indicada para quem gosta de natureza, de banho de rio, de caminhadas, de simplicidade, e que consegue deixar de lado, nem que seja por cinco dias, computador, celular e televisão. No Jalapão, o repelente é tão importante como o protetor solar e imprescindível como a água.

A qualquer momento você pode encontrar emas, lobos-guarás, veados, araras e, com sorte, mas muita sorte (ou azar, dependendo da situação), uma onça-pintada. Tudo isso reservado em uma área que os geólogos acreditam que tenha sido mar há mais de 150 milhões de anos.

O melhor jeito de desvendar a região é acampando em uma espécie de camping all-inclusive, afastado de tudo e escondido à beira do Rio Novo. Por lá, a falta de luz elétrica é apenas um detalhe, frente a tudo o que se encontra: belas cachoeiras, dunas, cânions, lagoas, trilhas e grandes chapadas que cortam o cerrado.

Parada em Ponte Alta

Uma das praias de rio que cortam a região
Getty Images
Uma das praias de rio que cortam a região
O Jalapão é formado por oito cidades, a maior delas, Ponte Alta, com pouco mais de 7 mil habitantes, é a porta de entrada para a região. Para chegar até o município, partindo de Palmas, o caminho é feito pela Rodovia TO-255. Asfaltada e cheia de curvas traiçoeiras, percorrer os 180 quilômetros levam quase três horas e, preferencialmente, em um veículo 4 x 4.

O ideal é viajar durante o dia e cair na estrada cedo para chegar à Ponte Alta na hora do almoço. A comida caseira da Pousada do Coelho, onde se come muito bem por R$ 12, dá o fôlego para enfrentar os 120 quilômetros que ainda faltam até o acampamento. Por lá, o celular já não funciona mais. O sinal do telefone móvel ficou para trás, e o asfalto também.

SAIBA ONDE FICAR

Uma das inúmeras cachoeiras da região, conhecida por sua aridez
Flickr/ Lucas FLavio
Uma das inúmeras cachoeiras da região, conhecida por sua aridez
Deixando Ponte Alta, logo nos primeiros 20 minutos de trajeto, surge a primeira boa surpresa: o Cânion de Suçuapara. Uma pequena trilha leva até o interior da formação, onde a água vinda das veredas (áreas alagadas) escorre constantemente pela fenda das rochas. Há uma pequena queda-d’água no fundo que ajuda a refrescar e a quebrar o calor de quase 40º C.

De volta ao carro, a viagem continua e, dessa vez, sem paradas. Pelo caminho, entende-se por que chamam o Jalapão de deserto. Percorrem-se quilômetros e quilômetros sem encontrar ninguém.

Barracas amplas e sem luz

A chegada ao Safári Camp Korubo é uma mistura de alívio e surpresa, tanto para quem nunca acampou como para os acostumados aos campings tradicionais. Barraca iglu e sacos de dormir? Longe disso. As barracas são amplas (dá para ficar em pé dentro), e não se dorme no chão, mas em camas confortáveis. Há travesseiros, lençóis, edredons e uma pequena estante plástica.

Fora as 12 barracas (cada uma acomoda duas pessoas), há uma cozinha – com cobertura de sapé, sustentada por troncos de árvores e paredes feitas de tela para não entrar insetos –, um redário, também cercado de tela e repleto de redes, e banheiros químicos separados em alas masculina e feminina. Apesar de não ter energia elétrica, no final do dia o gerador é ligado e o banho quente está garantido.

O acampamento fica às margens do Rio Novo, com boas corredeiras para a prática de canoagem, rafting e boia-cross. Há também um passeio de canoa de uma hora e meia, com duas paradas para mergulho em diferentes prainhas que se formam ao longo de suas margens.

Na beira dos rios, dunas de fazer inveja a muita praia
Flickr/ Lucas FLavio
Na beira dos rios, dunas de fazer inveja a muita praia
A visita às dunas é um bom passeio para o final do dia, quando o sol dá uma trégua e a areia esfria. Distante 29 quilômetros do camping, é preciso pagar R$ 5 para entrar na propriedade onde se encontram. Formadas por areias de quartzo de coloração dourada, as dunas se movimentam ao sabor do vento e chegam a ter 30 metros de altura.

ONDE FICAR

- Safári Camp Korubo
Na cidade de Mateiros, à beira do Rio Novo
Tel.: (11) 4063-1502 / (63) 8121-3538
Pacotes a partir de R$ 1.890,00 (incluso transporte a partir de Palmas, passeios, hospedagem em barracas e alimentação)

- Pousada do Coelho
Rua Dr. Albenir Ferraz de Machado, s/nº, Ponte Alta (TO)
Tel.: (63) 3378-1191
Diárias a partir de R$ 40, com café da manhã

- Pousada Águas do Jalapão
A 1 km da cidade de Ponte Alta
Tel.: (63) 3378-1677
Diárias a partir de R$ 35

- Pousada Panela de Ferro
Avenida Tocantins, Qd. 07, Lt. 15, Centro – Mateiros (TO)
Tel.: (63) 3534-1038
Diárias a partir de R$ 80, com café da manhã

* O iG Turismo não se responsabiliza pelos preços divulgados, sugerimos checar alterações previamente com agências e operadoras de turismo

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