Concurso de misses, apresentação de danças típicas e “turbinado” energizam o tradicional evento da região Norte do País

Na Festa do Guaraná, dançarinos recontam a lenda sobre a origem da frutinha vermelha amazônica
Fernando Cavalcanti
Na Festa do Guaraná, dançarinos recontam a lenda sobre a origem da frutinha vermelha amazônica
Um fim de semana de música e cores no interior do Amazonas. De sexta-feira ao fim deste domingo (04/12), o normalmente tranquilo município de Maués, a 267 km de Manaus (distância equivalente a 20 horas de barco), recebe embarcações de todos os portes da capital e de municípios vizinhos. Alguns dos visitantes levaram um dia ou mais para chegar à cidade e ver a tradicional Festa do Guaraná. Apesar não ter o tamanho e a infraestrutura do Festival de Parintins , o evento de três dias recebe cerca de 25 mil pessoas. Para chegar à localidade, situada entre os rios Madeira e Tapajós, somente por via fluvial ou avião fretado.

Em sua 32ª edição, a Festa do Guaraná, realizada entre os meses de novembro e dezembro, celebra o início da colheita desta fruta típica brasileira. A data é motivo de comemoração para boa parte dos 52 mil habitantes da cidade de Maués, autointitulada “terra do guaraná”. Afinal, somente a região produz cerca de 60% do guaraná cultivado no Brasil, além de contar com uma fábrica de extratos da fruta e uma fazenda para estudos e produção do guaraná, pertencentes à multinacional de bebidas Ambev.

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Guaraná por todos os lados
É nas areias da extensa praia do rio Maués-Açu, que banha a cidade, onde acontecem à noite os festejos com encenação de danças típicas, desfile de misses, shows de grupos regionais e apresentações de artistas, como a banda de rock Detonautas, que na noite deste sábado empolgou uma multidão de gosto eclético. O script da festa parece semelhante ao de tantas outras festas da fruta de cidade interioranas, mas não se engane. Há algo de único em Maués. Aqui, o guaraná é a grande protagonista da celebração e aparece em todas as partes da comemoração.

A começar pelo desfile das jovens e belas candidatas à rainha da festa. Diferentes de outros concursos de misses, as participantes representam distritos e bairros de Maués e desfilam com elaboradas fantasias cujo tema é, claro, o guaraná. A vestimenta é toda feita de produtos naturais, como palha, folhas de bananeira, cuias e sementes. Com mecanismos artesanais, os adornos dos trajes das meninas abrem, fecham e rodam para impressionar o público e os jurados.

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As candidatas à rainha da Festa do Guaraná são julgadas pela beleza, o traje e a apresentação
Fernando Cavalcanti
As candidatas à rainha da Festa do Guaraná são julgadas pela beleza, o traje e a apresentação
O ponto alto da festa, no entanto, são as encenações das lendas em torno do guaraná num espetáculo colorido de dança. A multidão assiste compenetrada à apresentação. Em um dos ritos retratados no palco, por exemplo, conta-se a história da índia Onhiamuaçabê, que não podia ter marido, por conta do ciúme dos dois irmãos. De acordo com a lenda, certa vez, uma cobra encostou em sua perna e a moça engravidou. A jovem deu à luz a um menino forte, o cacique Anumareit. Tragicamente, o curumim resolveu um dia se alimentar de uma castanheira na selva encantada, e foi morto por animais postos em guarda na árvore a mando dos tios. Desesperada, a mãe arrancou o olho esquerdo do filho, enterrou-o na terra, e, no local, teria nascido a planta do guaraná.

A lenda, conhecida de cor pelos moradores, em sua grande maioria formada por descendentes da tribo indígena saterê-mawé, ganha novas formas, coreografias e danças a cada ano.

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A bebida energética
Os shows musicais se estendem até depois das quatro da manhã, mas vale a pena acordar cedo para curtir a cidade. De dia, os foliões aproveitam o calor forte e úmido para banhar-se na praia fluvial de Maués. É esta combinação de diversão, cultura e arte que levou a bióloga Silvia Ferreira, de 38 anos, a vir de Parintins pela terceira vez à Festa do Guaraná na companhia dos amigos. “Aqui dá para curtir a praia e ainda se divertir com os shows. A região amazônica é muito rica em cultura”, diz.

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Bebida
Fernando Cavalcanti
Bebida "turbinado" é feita à base de guaraná, e dá energia aos foliões
Para aguentar o cansaço do dia, Silvia toma um copo de “turbinado”, bebida popular da festa. Com propriedades energéticas e afrodisíacas, esta vitamina doce leva amendoim, aveia, guaraná em pó, granola, a raiz mirantan, guaraná em pó e xarope de guaraná. “Dá energia suficiente para aguentar a festa toda”, garante Francisco, que vende a vitamina em copos de quatro tamanhos, de R$2 a R$5.

A julgar pela animação do público da Festa do Guaraná, as propriedades energéticas da frutinha vermelha parecem mesmo fazer efeito.

*A jornalista viajou a convite da Ambev Guaraná Antartica

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