Cânions, cavernas, sítios arqueológicos e formações rochosas são destaques da região conhecida pelas praias paradisíacas

Para grande parte dos turistas brasileiros, o Nordeste se resume a praias paradisíacas e águas claras. É uma pena. Distante do litoral, no sertão quente da região, os turistas encontram paisagens inigualáveis.

São cânions gigantescos, cavernas, sítios arqueológicos e formações rochosas imponentes, um cenário diferente dos habituais destinos praianos de mar azul e areia branca. Conheça algumas das belezas escondidas na Paraíba, Sergipe, Piauí, Bahia e Ceará.

PARAÍBA
Lajedo de Pai Mateus e a Roliúde Nordestina
Em Cabaceiras

Ao chegar a Cabaceiras, distante 180 quilômetros de João Pessoa, o letreiro na entrada da cidade avisa: você está entrando na “Roliúde Nordestina”. Não estranhe o título irreverente. Aqui foram gravados mais de 20 filmes, documentários e minisséries, como “O Auto da Compadecida” e “Cinema, Aspirinas e Urubus”.

Pedras de granito do Lajeto de Pai Mateus impressionam por sua forma arredondada
Vinicius de Oliveira
Pedras de granito do Lajeto de Pai Mateus impressionam por sua forma arredondada
Passeando pelo município de cinco mil habitantes, dá para reconhecer a igreja matriz Nossa Senhora da Conceição, casas e praças que serviram de cenário para as produções. Mas, se quiser saber mais sobre os filmes rodados ali, vale fazer uma visita ao acervo de fotos do Memorial Cinematográfico.

Um dos principais atrativos turísticos da região, no entanto, é o Lajedo de Pai Mateus, um platô de 1,5 quilômetros quadrados, sobre o qual estão dezenas de grandes pedras arredondadas de granito. Em algumas destas rochas, são encontradas pinturas rupestres atribuídas aos índios cariris, que viveram na região entre 10 e 12 mil anos atrás. Para visitar o Lajedo é preciso pagar uma taxa ao Hotel Pai Mateus.

A poucos quilômetros do Lajedo, vale também conferir outra formação rochosa curiosa, a Saca de Lã. Com cerca de 30 metros de altura, ela é formada por vários blocos de granito empilhados. Quem se arrisca a subir até o topo da última pedra, pode apreciar uma bela vista da paisagem.

Como chegar:
De carro: Para quem sai de João Pessoa, o acesso até Cabaceiras é pela BR-412, passando pelas cidades de Campina Grande, Queimadas e Boqueirão.
De ônibus: saindo da capital paraibana, o transporte até Campina Grande é feito pela Empresa Real. De lá, pode-se pegar um ônibus até Cabaceiras com a empresa Rio Doce.

SERGIPE
Cânion do Xingó
Em Canindé de São Francisco

Barcos navegam pelas águas calmas do Velho Chico, em meio a paredões rochosos
A quilômetros do litoral do Sergipe, os turistas encontram uma das mais belas paisagens do Estado: o Cânion do Xingó. Neste vale profundo, os paredões de granito avermelhado circundam as águas esverdeadas do Rio São Francisco, que foram represadas para a construção da barragem da Usina Hidroelétrica do Xingó.

Pescador passa ao lado dos paredões de granito em Sergipe
Getty Images
Pescador passa ao lado dos paredões de granito em Sergipe

É um dos cinco maiores cânions navegáveis do mundo, com 65 quilômetros de extensão e altura que chega a 50 metros. Completam a paisagem a vegetação da caatinga e as muitas espécies de animais que habitam a região, como calangos e corujas.

O ponto de partida para quem quiser conhecer esta maravilha da natureza é o município de Canindé de São Francisco, localizado a 213 quilômetros de Aracaju. De lá, partem passeios de catamarãs, lanchas ou escunas pelas águas calmas do Velho Chico. O tour feito até a Gruta do Talhado dura cerca de três horas, com uma hora de parada para mergulho.

Outra opção de passeio percorre a chamada Rota do Cangaço. O trajeto com cerca de quatro horas leva até a Grota de Angicos, nome dado ao local onde Lampião e Maria Bonita foram assassinados. No caminho, é feito uma parada no Museu do Cangaço, na cidade histórica de Piranhas, que tem em seu acervo objetos e fotografias dos cangaceiros.

Como chegar:

De carro: Saindo de Aracaju, segue-se pela BR-235. Atravessa os municípios de Areia Branca, Itabaiana até Rebeirópolis. De lá, continue pela SE-106 até Nossa Senhora da Glória. Siga pela rodovia SE-206, passando por Poço Redondo, até Canindé de São Francisco.

PIAUÍ
Parque Nacional da Serra da Capivara
Na Serra da Capivara

Ainda pouco visitado e conhecido dos brasileiros, o Parque Nacional Serra da Capivara é um dos maiores museus a céu aberto do mundo. Localizado em pleno sertão nordestino, o seu acervo é composto por mais de 30 mil pinturas rupestres, com idades entre 6 e 12 mil anos. São ilustrações que reproduzem cenas do dia-a-dia do homem primitivo, dos cerimoniais e dos animais, em meio a paredões de granito e formações rochosas diversas.

O passeio é feito por trilhas demarcadas e passarelas, conduzido por guias que explicam um pouco da arte do homem pré-histórico. As atrações estão reunidas em diferentes circuitos. É aconselhável um dia para visitar cada um deles. O mais famoso é o circuito do Baixão da Pedra Furada, composto por vários sítios arqueológicos, sendo o principal o Boqueirão da Pedra Furada. Lá, há uma enorme formação rochosa de 60 metros de altura, com uma abertura de 15 metros de diâmetro. É o cartão-postal do Parque.

A base para quem quer visitar a Serra da Capivara é a cidade de São Raimundo Nonato, distante 502 km de Teresina e 355 km de Petrolina. No município de 30 mil habitantes, pode-se visitar ainda o Museu do Homem Americano, que expõe alguns dos achados do Parque Nacional da Serra da Capivara.

Como chegar:
Saindo de Teresina, o acesso é pelas rodovias BR-316, BR-343 e BR-230 até Floriano. De lá, continue pela PI-140 até São Raimundo Nonato.

BAHIA
Esportes radicais e Raso da Catarina
Em Paulo Afonso

Aventureiros fazem saltos de bungee jumping de ponte metálica, em Paulo Afonso
Na Bahia, não faltam cobiçados destinos turísticos: Salvador, Porto Seguro, Arraial d’Ajuda, Ilhéus, Itacaré e mais, mais e mais. Ainda assim, há sempre espaço para mais um. Para conquistar os viajantes, o município de Paulo Afonso, a 460 quilômetros de Salvador, resolveu apostar no turismo de aventura.

A cidade, cuja paisagem foi transformada radicalmente com a construção das usinas hidrelétricas, tem um cenário propício para a prática de esportes radicais. Os paredões rochosos cercam as águas esverdeadas do Rio São Francisco, formando um vale. Neste cânion imponente, foi construída uma passarela metálica que cruza o vão de 85 metros. De lá, aventureiros se arriscam em incríveis saltos de bungee jumping.

O cenário também é perfeito para a prática do rapel - descida dos paredões com corda -, e da tirolesa, na qual o participante desliza por uma corda esticada de uma ponta à outra do cânion. Nas cachoeiras da cidade, é possível ainda praticar o canyoning. Nas águas do Velho Chico, muitos moradores e turistas também se divertem com jet-ski, kitesurfe, windsurfe e passeios de barco.

Além dos esportes radicais, outra atração imperdível é conhecer o Raso da Catarina, uma reserva biológica e indígena recoberta por vegetação da caatinga. O clima é semelhante ao dos desertos, com temperaturas que podem chegar a 40ºC durante o dia e 10ºC à noite. Por aqui, já se refugiaram o cangaceiro Lampião, sua mulher, Maria Bonita, e o restante do bando.

Passeios pela reserva devem ser agendados com um guia local. Entre as atrações, pode-se observar formações rochosas esculpidas pelo vento, a fauna e a flora típicas do sertão.

Como chegar:
De carro: Saindo de Salvador, siga pela BR-110. O município localizado no ponto de encontro dos estados da Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe tem acessos pelas rodovias BR-210 e BR-423.
De avião:  aeroporto da cidade está localizado a 6 quilômetros do centro. As companhias aéreas que fazem voo direto são: BRA (saindo de São Paulo), Correta (saindo de Salvador) e ATA (saindo de Recife).

De ônibus: Há saídas rodoviárias partindo de todas as principais cidades do Nordeste.

CEARÁ
Padre Cícero e Chapada do Araripe
Em Juazeiro do Norte

Juazeiro do Norte, a 563 km de Fortaleza, poderia ser mais um pequeno povoado do sertão nordestino, não fosse a vinda de Padre Cícero Romão Batista, o “Padim Cícero”, à cidade. Natural do município vizinho de Crato, o religioso fixou residência em Juazeiro em 1872, mudando o destino do local e de seus moradores.

De vilarejo, passou a maior cidade do sertão cearense e meca de romeiros vindos de todo o Brasil. Ela recebe anualmente milhares e milhares de romeiros que chegam a pé, de carro, caminhão, ônibus, cavalo, jegue, charrete e bicicleta. Nos dias de romaria, ou no dia do aniversário do padre (20 de julho), a cidade fica lotada e é difícil encontrar vagas em hotéis.

Quem chega a Juazeiro, visita logo a Colina do Horto, onde está localizada a estátua de 25 metros do Padre Cícero. Com altura equivalente a um prédio de oito andares, mesmo quem não é devoto deve conhecê-la. A vista do alto é linda e, no local, tem ainda um pequeno museu e uma capela.

Durante a estada em Juazeiro, vale fazer uma visita a Crato, localizada a apenas 10 km dali. A cidade natal de Padre Cícero está aos pés da Chapada do Araripe, um gigantesco altiplano que abriga fósseis de animais pré-históricos, uma exuberante floresta, grutas e cachoeiras. Aproveite para conhecer o Museu Paleontológico de Santana do Cariri, que guarda em seu acervo fósseis encontrados em escavações nas redondezas.

Como chegar:
De carro: Saindo de Fortaleza, chega-se a Juazeiro pela BR-116, passando pelas BR-230 e BR-122, além das estradas estaduais CE-138, CE-371, CE-269 e CE-385.
De avião: O aeroporto de Juazeiro do Norte está localizado a 5km do centro. Recebe voos de São Paulo, Fortaleza, Rio de Janeiro, Recife e Brasília.
De ônibus: Saindo de Fortaleza, as empresas Expresso Guanabara e Rápido Juazeiro levam até Juazeiro do Norte.

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