Boiar em nascentes de rio e descobrir belezas naturais são programas imperdíveis na região

Entre os passeios imperdíveis do Jalapão estão os fervedouros, poços de águas claras e fundo de areia branca, cercados por bananeiras. Trata-se da nascente de um rio subterrâneo. Quando a água brota por buracos no fundo acontece o fenômeno chamado de “ressurgência”. Com isso, os banhistas tentam afundar, mas devido à densidade da areia não conseguem.

Cachoeiras que formam piscinas naturais e encantam o olhar fazem parte da paisagem no Jalapão
Flickr/ Lucas FLavio
Cachoeiras que formam piscinas naturais e encantam o olhar fazem parte da paisagem no Jalapão
A primeira parada é no Fervedouro do Soninho (R$ 8), a 84 quilômetros do camping. Só é permitido ficar 20 minutos, tempo suficiente para se refrescar e ter a certeza de que o pé realmente não encosta no fundo.

Dois quilômetros dali, o Fervedouro da Glorinha (R$ 5) é o mais procurado. A sensação ao entrar nesse poço é como se estivesse pulando em uma cama elástica: a água que emerge e a areia empurram o corpo para cima.

Rodando mais 9 quilômetros, a Cachoeira do Rio Formiga (R$ 5) é o próximo destino. A queda-d’água forma uma piscina de água verde-esmeralda. Vale a pena levar máscara de mergulho para ver os peixes e a vegetação aquática. Atenção apenas com a quantidade de pedras e troncos. Um deque ao lado serve de apoio na hora de entrar na piscina, já que a força da água provoca correntezas. Com a ajuda dos guias é possível chegar às pedras que formam a cachoeira, sentar em um trecho e deixar a água “massagear” o corpo, como uma Jacuzzi natural.

Nascentes de rio formam poços onde é quase impossível afundar. Daí serem chamados de fervedouros
Flickr/ Lucas FLavio
Nascentes de rio formam poços onde é quase impossível afundar. Daí serem chamados de fervedouros
Da Formiga esticamos para o centro da cidade de Mateiros, onde boa parte dos seus 1.800 habitantes produz artesanato com o capim dourado, conhecido com “ouro” do Jalapão. A haste fina e dourada desse capim – que só cresce nas veredas da região, com colheita em setembro – passou a ser a matéria-prima para a elaboração de bolsas, brincos, colares, vasos, chapéus, artigos de decoração e utensílios de cozinha.

E ainda falta a Cachoeira da Velha, a maior da região, com queda de 25 metros. Para tirar as melhores fotos, o ideal é descer pela escada de madeira e ficar de frente à imponente queda. Com as correntezas e a força da água, os banhos nesse trecho não são aconselhados. O mergulho está garantido a 800 metros dali, onde as águas tranquilas e rasas da Prainha ajudam a aliviar o calor.

Na trilha da Serra do Espírito Santo

A força e beleza das águas desfazem a ideia de deserto que se formou nessa região isolada do Brasil
Flickr/ Mari Lucia
A força e beleza das águas desfazem a ideia de deserto que se formou nessa região isolada do Brasil
Um caminho íngreme e cheio de pedras marca a trilha da Serra do Espírito Santo. Para subir, tênis, calça comprida e boas condições físicas são essenciais. Há bancos espalhados pelo percurso e nas áreas de despenhadeiro foram colocadas cordas.

Durante a caminhada é possível ver a chamuscada planta canela-de-ema, que produz um óleo que pega fogo em contato com sol, e a jalapa-do-Brasil, que dá nome à região. A jalapa é um tubérculo que os antigos moradores costumam misturar com a pinga para deixar um sabor mais amadeirado. Quando queriam uma dose dupla, pediam um jalapão.

A chegada ao topo é um alívio. Como o cume é plano, andar fica bem mais fácil. As atrações são os dois mirantes que oferecem um panorama de todo o parque estadual. Em um deles a vista é para o cerrado e os demais platôs que rasgam a paisagem; no outro mirante, o cenário é formado pelas falésias que criam um jogo de cores no horizonte.

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