Profissionais de turismo e viajantes respondem às dúvidas mais comuns de quem quer se aventurar (sem perrengues) pela floresta

Em canoas, os turistas realizam passeios pelos igarapés e pesca de piranhas
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Em canoas, os turistas realizam passeios pelos igarapés e pesca de piranhas

Eleita uma das Sete Novas Maravilhas da Natureza , a Floresta Amazônica foi por muito tempo um destino para gringo. Com exceção de alguns poucos aventureiros, os turistas brasileiros nem cogitavam a ideia de passar alguns dias em meio à mata. A falta de estrutura dos hotéis e dos meios de transporte somada as passagens aéreas a preços exorbitantes espantavam os viajantes.

Conhecer a Amazônia ainda está bem longe de ser um destino barato. No entanto, o visitante encontra hoje opções de hospedagens de todos os tipos e de todos os preços nos arredores de Manaus , porta de entrada de quem quer se embrenhar na selva. Há, inclusive, alternativas rústico-chiques, com infraestrutura confortável, com TV, ar-condicionado e água quente.

Mas e os insetos? O que tem para fazer por lá? Qual a melhor época para ir? É seguro? Uma série de questões passa na cabeça de quem viaja pela primeira vez à Amazônia. Para ajudá-lo a organizar a sua viagem, perguntamos a viajantes e profissionais de turismo algumas das dúvidas mais comuns de quem planeja este tipo de viagem.

Os cruzeiros pelos afluentes do rio Amazonas permitem aos turistas conhecer diferentes paisagens da Amazônia
Anderson Dezan
Os cruzeiros pelos afluentes do rio Amazonas permitem aos turistas conhecer diferentes paisagens da Amazônia

- Fico em hotel de selva ou em um cruzeiro?

Tanto os hotéis de selva, quanto os cruzeiros de barco, são boas opções para quem quer conhecer a Amazônia com conforto e sem grandes emoções. Ambos oferecem quase que os mesmos passeios inclusos no pacote. Por isso, na hora de escolher entre um e outro, é preciso levar em consideração o tipo de experiência que quer ter.

“Em um hotel de selva, você está em contato com a natureza o tempo todo, também interage mais com a comunidade local e conhece melhor a região em que está hospedado ”, diz Glen Gamper, Gerente de Operações da Ambiental Turismo, agência especializada em destinos de natureza. “Por outro lado, no navio, você tem a vantagem de percorrer uma distância muito maior e dormir em lugares diferentes. A paisagem muda sempre e a experiência de navegar nos rios é única ”, explica.


- Tá, mas o que eu faço na Floresta Amazônica?

Os hotéis de selva e cruzeiros têm uma programação de atividades diária. Os principais meios de hospedagem no Amazonas costumam incluir focagem (passeio de observação) de jacaré, caminhada pela mata, visita a uma comunidade indígena, pesca de piranha, ida ao encontro das águas e passeio para ver o boto cor-de-rosa. “À noite, quando não tem passeio noturno, a gente fica um pouco sem ter o que fazer, mas estamos tão cansados das excursões e de acordar cedinho que dormimos cedo também”, diz a advogada Daniela Oliveira, de 28 anos, que passou o carnaval do ano passado no hotel de selva Amazon Ecopark.


Entrada do hotel de selva Amazon Ecopark
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Entrada do hotel de selva Amazon Ecopark

- Serei devorado pelos mosquitos?

Com mata por todos os lados, longe da civilização, ser atacado por pernilongos e borrachudos é um fato, certo? Não exatamente. O rio Negro, onde estão localizados a maior parte dos hotéis de selva, tem um elevado grau de acidez e, por conta disto, os insetos não se proliferam.

“Em Ilhabela (litoral norte de São Paulo), por exemplo, tem muito mais insetos do que nesta região da Amazônia. Os hotéis e navios também contam com mosquiteiro na janela. É só passar repelente”, diz Barbara Farga, Gerente de Produtos da agência de viagens Auroraeco. Nas incursões na selva, há uma quantidade maior de insetos. Para se livrar das picadas, Barbara recomenda, além do repelente, usar calça comprida e camiseta de manga longa.

- Qual a melhor época para ir?

A região Norte é dividida em duas estações. Na época (mais) chuvosa, que vai de dezembro até maio, os barcos podem percorrer percursos maiores, os deslocamentos são mais fáceis e dá para fazer passeios de canoa pelos igapós (floresta inundada). No entanto, o período da seca, de julho a novembro, é ideal para aproveitar as praias fluviais, que somem quando o rio está cheio. “Como faz calor e chove o ano todo, é difícil falar qual a melhor época para ir. Dá para aproveitar todos os meses”, diz Ricardo Pedroso, da agência de viagens Amazonas by Vivaverde.


O Amazonas não é uma vitrine de animais, mas hotéis e cruzeiros costumam realizar passeios para ver os botos
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O Amazonas não é uma vitrine de animais, mas hotéis e cruzeiros costumam realizar passeios para ver os botos

- Quanto tempo ficar?

Quatro ou cinco dias em um hotel de selva ou em um cruzeiro é tempo suficiente para aproveitar o local sem que os passeios se tornem repetitivos, de acordo com os viajantes e agentes de viagens. “Eu fiquei cinco dias e achei que foi suficiente. Menos, acho que perderia muita coisa legal. Nem tive tempo de fazer todos os passeios que queria, como o Encontro das Águas (a confluência entre o Rio Negro e o Rio Solimões)”, diz o médico Walter Aranda, que aproveitou as férias no Anavilhanas Jungle Lodge, em dezembro do ano passado.


- O que não posso deixar de levar?

Na mala, coloque roupas leves e confortáveis, chapéu, trajes de banho, repelente e a farmacinha com os medicamentos habituais. Para os passeios na mata, traga calças compridas leves, evitando o jeans. Como chove bastante, é bom levar uma capa de chuva e um tênis confortável. Levar dinheiro também é importante, como lembra o médico Walter Aranda. “No passeio à comunidade indígena, tem produtos artesanais para comprar e você vai precisa de dinheiro. Além disso, o hotel em que me hospedei não aceitava cartão. Precisei voltar para Manaus para sacar”, relembra.


- Verei bichos por todos os lados?

Apesar de ter a maior biodiversidade do planeta, observar animais na Amazônia não é tão fácil quanto em outras regiões, como no Pantanal. “Muitos turistas acreditam que irão ver todos aqueles bichos mostrados nos documentários e acabam se decepcionando”, diz Ricardo Pedroso, proprietário da Amazonas by Vivererde, agência de viagens locada em Manaus. Segundo o profissional, durante as incursões na floresta, dá para avistar pássaros, alguns macacos, jacarés, botos e uma ou outra preguiça. Mas mamíferos terrestres, como anta, paca e onça, dificilmente são observados.

- Preciso tomar vacina? Quais os cuidados com a saúde?

A vacina contra a febre amarela é recomendada para toda a região Norte do País, mas não é obrigatória. Vale também atualizar a vacina contra o tétano. Além disso, não deixe de preparar a farmacinha de viagem, com os medicamentos que costuma tomar. No meio da selva, é bom não contar com os remédios disponíveis.

Leia também: Guia de vacina para quem viaja


- Em qual hotel de selva ficar?

Para quem não abre mão de conforto, há hotéis de selva com boa infraestrutura, com ar-condicionado e água quente. Todos eles incluem no pacote as atividades diárias, traslado e todas as refeições. O Anavilhanas Jungle Lodge , a três horas de carro de Manaus, fica próximo ao arquipélago fluvial de Anavilhanas e faz parte da associação Roteiros de Charme. O pacote de duas noites sai por R$ 1.420 por pessoa. Já o Amazon Ecopark Lodge fica a 30 minutos de barco de Manaus. Com bangalôs confortáveis, tem uma praia privativa nos meses de seca e piscina natural. Duas noites sai por R$ 1.030 por pessoa. O mais pitoresco dos hotéis de selva da Amazônia, o Ariaú Amazon Towers , a 1h30 de barco de Manaus, fica sobre palafitas, na altura da copa das árvores e tem quartos mais rústicos. À beira do Rio Negro, o Tiwa Amazonas Eco Resort fica pertinho de Manaus, a apenas 15 minutos de lancha. Conta com 25 bangalôs, internet Wi-Fi e piscina com bar. O pacote de duas noites sai por R$ 800 por pessoa.


A Amazônia tem um belo pôr-do-sol
Divulgação
A Amazônia tem um belo pôr-do-sol

- Quais barcos fazem cruzeiros pela Amazônia?

Há diferentes embarcações que realizam roteiros de 3 a 7 noites, pelo Rio Negro e pelo Solimões. A mais famosa é o Iberostar Grand Amazon . O navio com capacidade para 150 passageiros tem as facilidades de um cruzeiro tradicional e opera no sistema all-inclusive. Tem duas saídas semanais, às segundas e às sexta. O preço do roteiro de três noites sai a partir de R$ 1.959 por pessoa e o de quatro noites, R$ 2.572 por pessoa. Para quem busca uma experiência mais tradicional e com menos pessoas, a Amazon Clipper Cruises tem barco regional com capacidade para 16 pessoas, de madeira, com cabines com beliches. O preço do roteiro sai por R$ 1.200 por pessoa o passeio de três noites e R$ 2.400 aos sábados.


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