Tradição europeia se firmou na região e fundiu-se com costumes locais, formando eventos de grande celebração que atraem milhares de pessoas anualmente

O ano de 2012 não tem sido dos melhores para o sertão nordestino. A seca que assola a região, principalmente o Estado da Bahia, já é a maior dos últimos 47 anos. Mais de 500 municípios declararam estado de emergência e, segundo a meteorologia, não há previsão de melhoras. Ainda que algumas cidades tenham cancelado suas tradicionais festas de São João, que ocorrem em junho, as principais festas continuam de pé – e talvez até mais animadas, por representarem um oásis em meio à situação difícil.

Já bastante arraigadas à cultura brasileira, as festas de São João – também conhecidas como festas juninas, por acontecerem durante o mês de junho – são oriundas da Europa. A celebração é popular em países nórdicos como Noruega, Suécia e Dinamarca, mas a grande influência brasileira, no entanto, veio mesmo dos portugueses, que levaram o costume também a outras colônias como Angola, Macau e Cabo Verde.

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O grande padroeiro da festa é São João, mas Santo Antônio, São Pedro e São Paulo também são celebrados. No nordeste brasileiro, a festa ganhou caráter de agradecimento pela chuva que cai dos céus para irrigar as plantações e abastecer as casas das vilas sertanejas.

Confira quais as cidades que oferecem as principais festas e veja o que elas organizam para este ano:

Caruaru (PE)
É na “Princesinha do Agreste” que acontece uma das maiores festas juninas do Brasil. Em 2011, cerca de 1,2 milhão de visitantes passaram pela cidade. Neste ano, mais de 300 artistas participarão, incluindo nomes conhecidos como Dominguinhos, banda Calypso e Michel Teló. A escalação é eclética, mas quem dita o ritmo é mesmo o forró.


A festa sempre tem um tema específico e neste ano os homenageados são dois figurões da música regional: Luiz Gonzaga, “rei do baião”, cujo nascimento completa 100 anos, e Azulão, artista local que celebra 70 anos de vida.

Sete polos em regiões diferentes da cidade dividem as atrações. O palco central fica no Pátio de Eventos Luiz “Lua” Gonzaga. É lá que os principais artistas se apresentarão. O Palco Alternativo é uma das novidades deste ano. No local, artistas da nova geração pernambucana se apresentam. Destaque também para o Polo do Milho onde, como o nome já diz, todas as variedades possíveis de iguarias feitas com o grão são servidas. Caruaru se gaba por possuir o maior curau e o maior cuscuz do mundo.

O evento começou em 2 de junho e vai até o dia 30.

Mais informações no site da prefeitura .


Campina Grande (PB)
Cidade que rivaliza fortemente com Caruaru pelo título de “maior festa de São João do mundo”, Campina Grande, no interior da Paraíba, busca se diferenciar da concorrente apostando em ritmos locais. Se na cidade pernambucana a música é eclética e os artistas multiculturais, Campina Grande investe mesmo no forró pé-de-serra e no baião de raiz.

Dominguinhos foi uma das atrações em Campina Grande este ano
Divulgação
Dominguinhos foi uma das atrações em Campina Grande este ano

As atrações se concentram no Parque do Povo. Os nomes mais conhecidos que passarão pela cidade são Elba Ramalho, Dominguinhos e banda Calypso. Diversos grupos locais se revezam pelas três "ilhas do forró" espalhadas pelo local. Mais de 150 grupos devem se apresentar até o fim do mês.

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Para abastecer o público, cerca de 250 barracas e quiosques disponibilizam comes e bebes típicos da região: pamonha, cuscuz, milho cozido, pé-de-moleque, vinho quente e cachaça.

As comemorações começaram em 1º de junho e seguem até o dia 1º de julho. A organização espera que cerca de dois milhões de pessoas passem pelo evento durante o período.

Mais informações no site do evento


Mossoró (RN)
Na cidade que fica a pouco menos de 300 quilômetros de Natal, acontece a maior festa de São João de Rio Grande do Norte. O Mossoró Cidade Junina tem porte menor que as festas de Campina Grande ou Caruaru, mas, segundo a organização, a estimativa é que ao menos um milhão de pessoas participe.

O evento tem forte caráter regional, o que fica claro em uma das principais atrações, a peça "Chuva de Bala no País de Mossoró". O espetáculo, encenado ao ar livre, narra a batalha ocorrida em 1927, entre o povo da cidade e o bando de cangaceiros liderado por Lampião. Apresentado pela primeira vez em 2001, o “Chuva de Bala” se repete, desde então, todos os anos durante o mês de junho. Em cartaz de 14 de junho a 1º de julho na Capela São Vicente.

Em Mossoró, festa de São João tem forte caráter regional
Divulgação
Em Mossoró, festa de São João tem forte caráter regional

Grupos de forró da região ditarão o ritmo da festa. Aviões do Forró, Garota Safada e Bakulejo são alguns dos que se apresentam. O sertanejo também encontrou seu espaço, representado por César Menotti e Fabiano, que tocam no dia 29 de junho.

A festa começa no sábado (9) e vai até 30 de junho. É esperado público de um milhão de pessoas. Mais informações e programação completa no site

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Barra (BA)
Estado conhecido pelas celebrações de carnaval, a Bahia vem tentado chamar a atenção do público também para as festividades de São João. Dos 417 municípios da Bahia que celebram a data, um dos mais tradicionais é o de Barra, tido como detentor da “maior festa junina do oeste baiano”.

A comemoração é pequena se comparada com alguns municípios de outros Estados nordestinos, mas este, talvez, seja um de seus principais atrativos: a simplicidade. Espere muita gente local aproveitando o dia como se não houvesse amanhã.Edu e Amaral, Gatinha Manhosa, Bete Nascimento e Limão com Mel fazem parte das atrações.

Cerca de 20 mil pessoas frequentam a festa anualmente. Neste ano, ainda que o investimento tenha sido reduzido por conta das secas, a expectativa é de grande público.

A festa se concentra na Rua Dom João Muniz e na Praça Barão de Cotegipe e a comemoração vai de 16 a 24 de junho. Mais informações no site

São Luís, no Maranhão, tem carnaval mais singular do País
Divulgação
São Luís, no Maranhão, tem carnaval mais singular do País

São Luis (MA)
Em São Luís, capital do Maranhão, acontece a festa de São João que mais se difere de todas as outras. Para começar, nada de triângulo ou sanfona. Quem dita o ritmo são as matracas, zabumbas e até mesmo uma orquestra que acompanha, não danças de quadrilha, mas desfiles de bumba-meu-boi, figura folclórica típica da região.

Os shows são comandados por artistas locais, em detrimento de nomes mais conhecidos pelo Brasil e, nas barracas de comida, nada de milho. Curais e pamonhas dão lugar a comidas locais maranhenses como arroz-de-cuxá, vinagreira e peixe frito.

A festa começou no dia 1º de junho e vai até 1º de julho. As festividades se espalham pela cidade.

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