Praia de beleza rara no sul da Bahia é convite à uma trilha bem recompensada

Ainda nasciam os primeiros raios de sol por trás dos morros, quando levantamos em Itacaré, no sul da Bahia, para tomar o café reforçado que nos foi preparado para enfrentarmos um bom dia de trilha. O destino? A praia de Jeribucaçu, uma das mais recomendadas por quem já visitou cachoeiras, mangues e praias desertas da região.

Leia também: 10 motivos para visitar a Praia do Forte

Para chegar a Jeribucaçu é necessário passar por extensa trilha
Flickr/whl_travel_By Marcio_link
Para chegar a Jeribucaçu é necessário passar por extensa trilha

Fizemos um grupo de onze pessoas, incluindo nosso guia Dum – um baiano local, contador de histórias e de simpatia ímpar –, ao entrar na van que nos levaria por dez quilômetros até alcançar a única entrada para a trilha que leva à praia, em uma das muitas fazendas de cacau que ainda resistem, entre Itacaré e Ilhéus. No caminho, ansiosos pela empreitada, conversávamos sobre passeios já realizados em outros locais do País. Notei que a maioria do grupo era experiente na ação. Dum, o guia, contava casos engraçados que ocorreram na mesma trilha que tomaríamos, alguns mais divertidos, outros um tanto preocupantes, mas nada que tirasse a enorme curiosidade que tínhamos de conhecer, enfim, o tão comentado pedaço de terra da praia de Jeribucaçu.

Ao descer do veículo cada integrante da expedição teve que pagar R$ 5 para uma moça que nos aguardava na entrada da fazenda. Sim, a área já havia sido feita propriedade privada há tempos e, talvez por este motivo, ainda restava mata virgem e cuidados com o caminho. Achamos mais do que justo contribuir para a preservação do local.

Mais: O melhor bolinho de peixe da Bahia

O minuto mais precioso foi aquele que passamos embaixo da sombra do coqueiro
Flickr_whl_travel_By Marcio_link
O minuto mais precioso foi aquele que passamos embaixo da sombra do coqueiro
Às nove e meia da manhã começamos a caminhar pela trilha, após a estratégica parada para passar protetor solar, caminhamos morro abaixo. A cada passo mais silencioso ficava o percurso, concentrados que estávamos apenas nos sons emitidos por animais silvestres e em nossas próprias respirações.

Quem imagina ser fácil andar em meio à mata, ainda que por trilha aberta a facão, com alta umidade, engana-se profundamente. O suor escorre pelo rosto sem parar aos mais de trinta graus centígrados, ao passar por ladeiras íngremes e cheias de terra molhada. Uma hora depois chegamos ao primeiro ponto para descanso, uma belíssima cachoeira de água tão gelada quanto eu poderia desejar. Antes de fotografar, o mergulho do alto de uma pedra foi inevitável para retomar os sentidos e o ritmo natural dos batimentos cardíacos, quase perdido minutos atrás em um escorregão no meio do caminho. Toda atenção é pouca quando se está atravessando a mata fechada, especialmente quando não se conhece o caminho.

Permanecemos na cachoeira por meia hora, entre sessões de massagem natural embaixo das quedas d'água e a admiração dos pequenos macacos que se penduravam pelos cipós das árvores, até continuarmos a caminhada que, a partir de então, seguia o leito do rio.

Leia também: O essencial de Caraíva

A próxima parte da jornada foi percorrida em torno de duas horas, ao atravessarmos o mesmo rio mais duas vezes e tomarmos trilhas cada vez mais enlameadas. Uma de nossas companheiras de aventura teve até que por as mãos na lama para resgatar o tênis que, por estar frouxo nos pés, ficou preso no caminho. A essa altura, a lama passava a barreira da canela e o forte calor já nem incomodava tanto aos passarmos por diversas espécies de pássaros que ficam bem protegidos nessa região da trilha, por ter o acesso limitado aos viajantes do ecoturismo.

A praia é um paraíso pouco conhecido entre os turistas
Flickr/whl_travel_1By Marcio_link
A praia é um paraíso pouco conhecido entre os turistas

Para atingirmos a praia, ainda atravessamos quarenta minutos pelo habitat natural de caranguejos dos mais variados tamanhos, o mangue. Alguns vinham em nossas mãos, pequeninos, e faziam cócegas ao caminhar por elas. Dizem que a terra dos mangues faz bem para a pele e algumas pessoas chegam a ficar por hora inteira com lama ao redor do corpo inteiro. Não fizemos parte desse grupo, pois queríamos chegar logo à Jeribucaçu para mergulhar no mar e apreciar um dos famosos peixes assados que o “Seu” Alcides prepara ali mesmo, fresco, recém-pescado, embaixo do quiosque improvisado com poucas tábuas e sapé.

Quando chegamos no destino final o sol estava alto, o calor era forte, assim como a sede, mas o minuto mais precioso foi aquele que passamos embaixo da sombra do primeiro coqueiro que avistamos quando saímos da trilha. O coqueiro parece ter sido plantado ali de propósito, para que as pessoas parassem e contemplassem a paisagem que se abre aos olhos: a pequena baía de duzentos metros de extensão, com mar azul cheio de ondas _ ideal para a prática do surfe –, areia branca sem nenhuma construção e o encontro do rio com o oceano.

A beleza do lugar é muito simples – e por isso mesmo exuberante – e colocou sorrisos nos rostos de todos. Dum, também sorridente, apenas olhou para nós e deixou escapar: “Essa é minha praia preferida”. 

Fique por dentro das novidades do iG Turismo pelo Twitter

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.