Festejo dura 40 dias com desfiles e apresentações musicais em diversos pontos de Montevidéu

Montevidéu tem 40 dias de desfiles de Uruguai
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Montevidéu tem 40 dias de desfiles de Uruguai
Eles podem até não ter samba no pé, nem ginga para requebrar como as nossas mulatas, mas o Carnaval no Uruguai é levado tão a sério quanto o do Brasil. No lugar de penas de faisão e modelitos minúsculos, máscaras e bandeiras preenchem Montevidéu , capital do país, durante 40 dias de desfiles e apresentações nas ruas, entre o início de fevereiro e meados de março.

Museo del Carnaval, aberto em 2006, reserva fantasias e objetos típicos
Luisa Girão
Museo del Carnaval, aberto em 2006, reserva fantasias e objetos típicos
A cultura é diferente. O jeito de fazer a festa também. Em comum com o Brasil, a popularidade que o Carnaval consegue proporcionar. Considerada o Carnaval mais longo do mundo, atrai cerca de 850 mil pessoas à cidade, o que é motivo de orgulho para os montevideanos.

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Os foliões se reúnem em frente a palcos improvisados – chamados de tablados - para apresentações que misturam teatro, música e dança. “Geralmente, o Carnaval em Montevidéu começa na primeira quinta-feira de fevereiro, mas em 2012 será na segunda semana. Isso porque a primeira quinta coincide com o dia de Iemanjá”, explica Eduardo Rabellino, diretor do Museo Del Carnaval .

Cerca de 50 grupos se apresentam em 20 bairros distintos todas as noites. O ciclo de apresentações começa por volta das 21h e só termina por volta das 3h. “Em Montevidéu, que tem uma população de cerca de 1,3 milhão de habitantes, o Carnaval é o segundo maior evento em termos de mobilização popular no país. Só não é maior que o futebol, nossa paixão nacional”, afirma Rabellino.

Comparsas substituem as escolas de samba

Diversas tradições do carnaval local podem ser conhecidas no museu
Luisa Girão
Diversas tradições do carnaval local podem ser conhecidas no museu
Assim como no Brasil, o evento da capital uruguaia tem diversas vertentes. Apresentações de Murgas, Camdombes, Humoristas e Lubolos substituem o axé, o frevo e as escolas de samba. Toda a celebração começa com um grande desfile na Avenida 18 de Julio, a principal via da cidade. Vindos de diversas cidades do país, mais de 30 grupos – as chamadas comparsas – desfilam pelas ruas do Bairro Sur, a região negra da cidade.

O cortejo é conduzido por personagens característicos do candombe – música de origem africana, que faz parte do folclore uruguaio e que foi nomeado patrimônio cultural da humanidade pela Unesco. “As três principais figuras são o Escobero, jovem que tem a função de arauto; o Gramillero, o mestre dos tambores que está sempre acompanhado da simpática Mama Vieja, uma mulher vestida de trajes coloridos e com um leque à mão”, diz Rabellino.

As comparsas têm sua origem nas festas que os escravos faziam na época da colonização. Esses desfiles que aconteciam em dias festivos ao longo de todo o ano, foram, a partir do final do século 19, incorporados em caráter definitivo aos festejos carnavalescos dos colonizadores europeus. Na mesma época também surgiram os primeiros "lubolos", brancos que pintam o rosto de negro e até hoje integram os cortejos.

Eleição da melhor murga

Outro ritmo tradicional ao Carnaval uruguaio é a murga. Compostas por um grupo de músicos e pelos foliões que os acompanham, eles cantam paródias de canções populares substituindo as letras por temas humorísticos e críticas sociais. Todos os anos, um tema é eleito para nortear as letras das músicas e as fantasias dos foliões.

Durante todo o período da festa as murgas apresentadas durante a folia participam de uma competição para escolher, entre centenas de grupos, qual a melhor do Carnaval. A disputa é acirrada e conta com forte participação do público nas torcidas.

A celebração do carnaval começa com um grande desfile na Avenida 18 de Julio, a principal via da cidade
Luisa Girão
A celebração do carnaval começa com um grande desfile na Avenida 18 de Julio, a principal via da cidade
As competições acontecem no Teatro de Verano, com capacidade para cinco mil pessoas. “A torcida é tão participativa que parece que estamos em um jogo de futebol entre o Penãrol e o nacional. E não em um teatro”, diverte-se Rabellino.

Museu do Carnaval

A festa é levada tão a sério pelos uruguaios que até um museu sobre o assunto foi criado. O Museo del Carnaval foi aberto em 2006, ao lado do Mercado del Porto, e se destaca no meio dos prédios cinzas da região portuária.

Apetrechos de vários Carnavais estão expostos no espaço, além de textos explicativos sobre cada um dos elementos que compõem a tradicional festa montevideana. A entrada do museu custa 65 pesos e o espeço fica aberto de terça a domingo, das 11h às 17h

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