Mandingas para atrair sorte nos 12 meses seguintes existem no mundo todo. Conheça algumas e celebre a virada como os anfitriões

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No Brasil, a tradição de pular sete ondas para Iemanjá vem do Candomblé. Em outros países, outras mandingas fazem parte da cultura local
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No Brasil, a tradição de pular sete ondas para Iemanjá vem do Candomblé. Em outros países, outras mandingas fazem parte da cultura local
Há quem sinta até calafrio ao pensar que na virada do ano não vão para pular as sete ondas. Pode culpar a Iemanjá, a rainha do mar para o candomblé e a quem fazemos oferendas mesmo sem saber (ou acreditar), pelos congestionamentos recordistas que entopem estradas nos dias antes e depois da noite de réveillon no Brasil.

Herdamos da cultura africana a crença de que começar o ano à beira-mar traz saúde, amor e dinheiro nos 12 meses seguintes. Mas, pelo País, as tradições e simpatias de ano-novo têm berço multinacional. O brinde com champanhe é de origem francesa. O hábito de comer uvas nos últimos minutos do ano que se despede, herança portuguesa - produtores de vinho, os patrícios guardavam as sementes de uva como símbolo de fartura. As lentilhas foram trazidas pelos italianos, consideradas minimoedas da fortuna. Romã é símbolo judaico de prosperidade. E a roupa branca , mais um hábito dos seguidores do candomblé que virou sinônimo de réveillon.

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E já que o negócio é dar um jeito de garantir o seu quinhão de sorte, saiba o que fazer caso esteja no exterior no ano-novo. Com ou sem praia, mandingas para a data existem no mundo todo. E nada mais interessante que celebrar como os anfitriões.

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AMÉRICAS

Malas nas ruas

Na Venezuela e no Peru, dar voltas nos quarteirões arrastando malas vazias atrairia oportunidades de viagens
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Na Venezuela e no Peru, dar voltas nos quarteirões arrastando malas vazias atrairia oportunidades de viagens
Por conta da origem hispânica, muitas tradições se repetem pelas Américas do Sul e Central, mas vários países reúnem suas peculiaridades para celebrar a chegada do novo ano. Um ponto em comum entre as festas é a presença do fogo. Seja nos rojões que iluminam Valparaíso e atraem mais de 1 milhão de pessoas, seja para queimar bonecos vestidos com roupas velhas, para simbolizar o ano que passou, hábito dos colombianos à meia-noite em ponto. Ainda na Colômbia , é comum escrever uma lista de tudo o que se quer deixar para trás e queimar o papel na hora da virada. Na Guatemala , as roupas podem ser de qualquer cor, mas precisam ser novas. Já no México , veste-se amarelo para trabalho, vermelho para o amor e verde para finanças. Na noite da virada as famílias mexicanas preparam um pão doce comprido que é assado com uma moeda dentro. A crença diz que, ao ser fatiado, o prato em que a moeda cair será abençoado. Entre os sul-americanos existe até uma simpatia específica para viajantes. Na Venezuela e no Peru , logo depois da virada, pessoas vão às ruas dar voltas nos quarteirões arrastando malas vazias - o que, acredita-se, atrairia oportunidades de viagem no novo ano.

ÁFRICA

De Iemanjá à colheita

Da África vem a tradição do culto à Iemanjá
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Da África vem a tradição do culto à Iemanjá
Berço das religiões que cultuam orixás e da tradição de fazer oferendas à rainha do mar Iemanjá, a África subsaariana recorre às divindades para pedir proteção e fazer previsões para o novo ano. Muitos povos jogam búzios para se preparar para efemérides futuras. Na Suazilândia , o festival da colheita - chamado Newala - é celebrado com a passagem de ano e presta homenagem ao rei do país, conhecido como Ngwenyama ou Leão, que, segundo a crença local, tem poderes místicos.

O povo acredita que, fortalecendo o seu rei, o país cresce fértil e próspero. Muçulmanos, concentrados no norte têm seu próprio calendário, que começou no ano 632, o ano da Hégira, quando Maomé e seus seguidores fugiram de Meca. Nestes lugares, a virada do ano, em 6 de junho, tem festas discretas.

ESTADOS UNIDOS

Feijão fradinho

Nos Estados Unidos, a tradição é comer pratos que tenham feijão fradinho
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Nos Estados Unidos, a tradição é comer pratos que tenham feijão fradinho
A tradição de comer pratos preparados com feijão fradinho (por lá conhecido como black-eyed peas) começou no sul dos Estados Unidos, onde o grão é cultivado em grande escala. E se espalhou pelo país, graças à crença de que traz sorte, fortuna e prosperidade. Em muitas casas, a refeição inclui carne de porco, animal que simboliza a vontade de seguir adiante. Também para garantir fartura em casa e no bolso, é costume dos norte-americanos manter a carteira bem abastecida de notas de dólar na hora da virada. Despensa e geladeira de casa devem estar igualmente cheias. Da famosa queda da bola em Nova York às praças de cidadezinhas interioranas, é costume fazer festas ao ar livre - que acabam cedo por causa do frio.

Os supersticiosos de verdade investem em coloridos , brilhantes e, principalmente, barulhentos fogos de artifício . Isso porque, segundo a crença, maus espíritos detestam ruídos altos. Ficariam, assim, longe dos lares durante os 12 meses seguintes.

EUROPA

Uvas e previsões

Portugueses e espanhóis acreditam que as uvas garantam prosperidade
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Portugueses e espanhóis acreditam que as uvas garantam prosperidade
Na Europa, a comida da sorte varia de um país para outro. Portugueses e espanhóis creem que as uvas garantem prosperidade e fartura - é preciso comer 12 unidades, uma a cada badalada do sino no exato momento em que se inicia o dia 1.º de janeiro. Na Itália , lentilhas são preparadas como um creme, e há quem cumpra o ritual de comer uma colherada a cada badalada do relógio. Os italianos cultivam ainda os hábitos de reservar uma peça nova de roupa íntima para a virada do ano, de preferência na cor vermelha, e de jogar fora objetos antigos sem uso. Há quem atire os itens pela janela. Alemães compartilham com norte-americanos a ideia de afastar maus espíritos com o auxílio de fogos barulhentos. Nas grandes cidades, os rojões começam a pipocar já na tarde do dia 31 de dezembro. Austríacos (e alguns alemães) têm um método para prever o ano que se inicia: derretem chumbo em uma colher e, em seguida, escorrem o líquido em uma bacia com água. O desenho formado conta um pouco do futuro: coração significa novo amor; barco que há viagem à vista, e assim por diante.

ÁSIA

Fogos para os maus espíritos

Na China, acredita-se que fogos de artifício ruidosos espantem os maus espíritos
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Na China, acredita-se que fogos de artifício ruidosos espantem os maus espíritos
Lamparinas, tochas, balões e dragões colorem a festa de ano novo no leste asiático - entre janeiro e fevereiro, na primeira lua nova depois do início do inverno no Hemisfério Norte, de acordo com o calendário lunar. Fogos de artifício são muitos e ruidosos na China , para afastar maus espíritos. Antes da festa, os chineses limpam a casa com afinco. Japoneses também se dedicam à limpeza do lar e a quitar dívidas financeiras e afetivas. Antes da meia-noite, 108 badaladas simbolizam a eliminação de igual número de problemas. Em Bali , na véspera da virada, estátuas hinduístas são levadas aos rios e mares para purificação, com procissões e oferendas. O dia seguinte é de silêncio e reflexão. 

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