Você pode cruzar a Espanha pelo meio, pelo litoral e pode incluir Portugal no roteiro. Conheça as principais rotas que levam até Santiago de Compostela

No caminho francês, as planícies douradas da região de Leon
SXC
No caminho francês, as planícies douradas da região de Leon
O Caminho de Santiago é um e ao mesmo tempo são vários. Cada rota guarda surpresas aos peregrinos, que costumam dizer que o percurso começa na porta de casa, onde quer que seja.

E o ritual é o mesmo, desde a Idade Média: chegar à Praça do Obradoiro onde fica a bela catedral, abraçar a estátua do santo e fazer uma oração em seu túmulo. Escolha o seu caminho e pé na estrada.

Caminho Francês

A rota francesa é o trajeto preferido pelos peregrinos. Para ela, confluem diversas rotas provenientes do restante da Europa. São cerca de 800 quilômetros, atravessando o nordeste da Espanha. Ele oferece a melhor infraestrutura, com bom número de opção de hospedagens.

Não há um ponto de partida definido, mas a maioria dos andarilhos sai do povoado francês de Saint-Jean-Pied-de-Port, bem na fronteira entre França e Espanha. Em seguida, o percurso entra no território espanhol pelo vilarejo de Roncesvalles, com apenas 30 habitantes, e continua em direção oeste até Santiago de Compostela.

Logo no primeiro dia do trajeto, o trecho de 23 quilômetros entre Saint-Jean-Pied-de-Port e Roncesvalles exige bastante do peregrino. Será preciso cruzar os Pirineus, com subidas íngremes e descidas abruptas. Por esse motivo, muitos preferem iniciar o percurso em Roncesvalles, já do lado espanhol.

Seja qual for a opção, siga a antiga tradição medieval e participe da missa que acontece diariamente às 20 horas na igreja da Real Collegiata de Roncesvalles. Erguido no século 12 como um dos primeiros hospitais aos viajantes, o conjunto inclui igreja, onde vivem menos de dez religiosos - refúgio exclusivo aos peregrinos.

A rota francesa leva pouco mais de um mês para ser concluída, com cerca de 30 paradas em cidades e povoados. O número varia de acordo com cada guia ou mapa, mas depende, sobretudo, da condição física e do interesse do peregrino em prolongar sua estadia.


Castelo de Javier, em Navarra, preserva suas muralhas do século 10
Divulgação
Castelo de Javier, em Navarra, preserva suas muralhas do século 10
Caminho aragonês

O Caminho Aragonês, com cerca de mil quilômetros, é o segundo mais procurado pelos peregrinos. Ele começa em Somport, nos Pirineus, a 1.600 metros de altitude, e segue margeando o Rio Aragón. Aliás, o rio raso e com largas margens será o fiel companheiro do peregrino.

O itinerário percorre montanhas, bosques, pradarias, campos áridos e antigas fortificações. As ruínas de povoados antigos e até abandonados dão um toque de isolamento. As distâncias entre as seis paradas é maior do que no Caminho Francês, obrigando o peregrino a estabelecer um bom planejamento.

Vale a pena fazer um pequeno desvio da rota e seguir até o Castelo de Javier, próximo à Sangüesa. Depois de mais de dez séculos de sua construção, suas muralhas continuam praticamente intactas. Ali nasceu São Francisco Xavier que, juntamente com Santo Ignacio de Loyola, fundou a Companhia de Jesus, a ordem dos jesuítas. Em março, uma multidão participa da javierada, romaria em direção ao castelo, que atualmente abriga um museu.

Cerca de 200 quilômetros após o início, o Caminho Aragonês se une ao Francês na cidade de Puente La Reina, e ambos se tornam um só até Compostela.

A alta torre construída pelos mouros permanece de pé na Catedral de Sevilha
Getty Images
A alta torre construída pelos mouros permanece de pé na Catedral de Sevilha
Via de la Plata

Com mais de mil quilômetros, a Via de la Plata é a mais longa, cruzando a Espanha de norte a sul. Chamada de “a coluna vertebral da Ibéria”, metade do caminho segue o mesmo itinerário da estrada romana, construída no século 2 antes de Cristo. Chama a atenção como alguns trechos ainda conservam o pavimento original e os milários, colunas de concreto de dois metros de altura que faziam referência ao poder do Império.

A Via de la Plata pode se unir ao Caminho Francês em Astorga, ou ao Caminho Português em Ourense. De qualquer forma, essa é a rota com maior número de tesouros culturais e históricos.

O ponto de partida é a Catedral de Sevilha, considerada patrimônio da humanidade pela Unesco. Construída sobre uma antiga mesquita, o templo preservou a Giralda, uma alta torre de arquitetura mourisca. Aliás, a influência moura ainda está presente em outras cidades do trajeto como Salamanca e Granada.

O caminho do norte segue paralelo ao Mar Cantrábico
José Antônio Gil Menezes/Flickr
O caminho do norte segue paralelo ao Mar Cantrábico
Caminho do Norte ou Litorâneo

Acompanhando o traçado do Mar Cantábrico, no norte da Espanha, o caminho percorre trechos verdes de montanhas, belas praias e aldeias de pescadores. O trajeto começa na Ponte do Rio Santiago, em Irún, no litoral do País Basco, atravessa as regiões praianas da Cantábria e Astúrias, e se envereda pelo interior da Galícia, em um percurso de cerca de 800 quilômetros.

Essa é a rota mais antiga. Na Idade Média, os peregrinos do norte da Europa desembarcavam em vários pontos do litoral norte espanhol para dar início ao percurso a pé até Santiago. São Francisco de Assis trilhou esse caminho em 1214.

Reserve um dia para conhecer o rico acervo de monumentos medievais de San Vicente de Barquera, como a Igreja de Santa Maria dos Anjos e o Convento de São Luis. Construído no século 8, o Castelo do Rei permanece imponente com suas altas muralhas, que serviam de proteção contra o ataque de normandos e vikings.

Detalhe da estátua da Virgem Peregrina, padroeira da rota portuguesa
socpunk/Flickr
Detalhe da estátua da Virgem Peregrina, padroeira da rota portuguesa
Caminho Português

O Caminho Português reúne dois itinerários diferentes, a rota central e a do interior, mas ambos cruzam Portugal de um extremo ao outro. Margeando o litoral, a rota central pode começar em Lisboa (cerca de 600 quilômetros) ou no Porto (230 quilômetros) – esta última é a preferida pelos peregrinos. Ela chega ao território espanhol pela Galícia.

A fortaleza de Valença marca o fim do território português e início do Caminho por terras espanholas. Seja qual for o trajeto escolhido, você vai passar pela cidade de Pontevedra, que merece uma demorada visita. Ela reúne um dos mais belos conjuntos históricos e artísticos da Galícia, como a Igreja da Virgem Peregrina, padroeira do Caminho Português.

Segundo a tradição, ela teria guiado alguns peregrinos perdidos até Santiago. Em seu interior, tudo faz referência ao Caminho. O formato do templo é inspirado em uma concha, símbolo dos andarilhos. E a fonte de água benta é uma enorme concha encontrada no Oceano Atlântico.

Fachada assimétrica da Igreja Santa Maria dos Azougues, em Betanzos
José Antônio Gil Menezes/Flickr
Fachada assimétrica da Igreja Santa Maria dos Azougues, em Betanzos
Caminho inglês

Durante quatro séculos, o Caminho Inglês era o preferido dos peregrinos que vinham do norte da Europa. A rota foi usada, sobretudo, pelos britânicos durante a Guerra dos Cem Anos entre França e Inglaterra, nos séculos 15 e 16. Eles chegavam por mar até a região da Galícia, de onde seguiam a pé até Santiago.

O auge da peregrinação inglesa foi o Ano Santo de 1433, quando cerca de três mil peregrinos desembarcaram em La Coruña. Um século mais tarde, porém, o rei Henrique VIII se divorciou de Catarina de Aragão e rompeu com a Igreja Católica, o que colocou fim à peregrinação inglesa.

Há dois pontos de partida em solo espanhol: Ferrol, distante 110 quilômetros de Compostela, e La Coruña, a apenas 75 quilômetros. As duas rotas se encontram próximo a um vilarejo de Bruma. Faça um pit stop na simpática cidadezinha de Betanzos. Merecem destaque as igrejas medievais Santa Maria do Azougue, com sua fachada assimétrica, e a de São Francisco, considerada monumento nacional da Espanha.


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