Um dos cenários mais importantes na história do cristianismo, do judaísmo e do islamismo pode ser visitada à pé e em segurança

Cidade velha vista do Monte das Oliveiras
Augusto Gomes/iG
Cidade velha vista do Monte das Oliveiras
Uma cidade, três religiões. Um dos melhores livros sobre a história de Jerusalém , escrito pela teóloga americana Karen Armstrong, em 1983, leva este nome. O título é mesmo uma boa maneira de resumir o local. Fundada há mais de seis mil anos, a cidade é um dos lugares mais sagrados do mundo para as três principais religiões do Ocidente: cristianismo , judaísmo e islamismo.

Com tantos atrativos, não é de espantar que Jerusalém seja um destino turístico bastante procurado, mesmo estando no centro das convulsões políticas do Oriente Médio . Segundo dados do Ministério do Turismo de Israel, a cidade recebeu 3,3 milhões de turistas em 2010, sendo 51 mil brasileiros. Em relação a 2009, o crescimento de visitantes do país foi de 79%.

A maioria dos brasileiros vai à cidade em busca dos locais por onde Jesus Cristo passou. O lugar mais visitado é a Basílica do Santo Sepulcro , construída aonde se acredita que Jesus foi crucificado e enterrado. A primeira igreja foi construída no local por volta do ano 300 depois de Cristo, mas destruída em 614 e 1009. A atual construção tem pouco mais de 900 anos.

Como a Basílica é um dos principais destinos turísticos de Jerusalém, o melhor horário de visitação é antes das 7h, quando ainda está vazio e é possível conhecer a edícula (onde estaria o túmulo de Jesus) e o altar da crucificação (local onde Cristo teria sido crucificado) sem filas e tumulto. Quem chegar por volta das 5h pode até conseguir assistir a uma missa dentro da própria edícula.

Mas, como tudo em Jerusalém, há uma boa dose de controvérsia envolvendo o Santo Sepulcro. Alguns estudiosos, por exemplo, acreditam que Jesus foi crucificado naquele local, mas enterrado em outro. O lugar, hoje conhecido como Tumba do Jardim , foi descoberto no século 19 e fica a oeste da cidade velha, fora das muralhas que delimitam a antiga Jerusalém, próxima do Portão de Damasco .

Fieis e turistas visitam a basílica do Santo Sepulcro
Getty Images
Fieis e turistas visitam a basílica do Santo Sepulcro
As muralhas que cercam a cidade velha foram construídas há 500 anos, durante o período de domínio otomano de Jerusalém. O acesso ao centro é feito através de sete portões (o oitavo está fechado). Os mais movimentados são os de Damasco, Jafa e Sião. O último dá acesso ao Monte Sião , outro local de interesse para os turistas cristãos.

Lá está localizado, por exemplo, o Cenáculo , local onde acredita-se que tenha acontecido a Santa Ceia . Trata-se de um prédio bastante simples, construído durante o período de domínio cruzado, e que também abriga outro lugar sagrado, só que para os judeus: a suposta tumba de Davi, segundo rei de Israel. A sugestão também é chegar cedo. Depois das 9h, o local fica apinhado de turistas.

Trecho da Via Dolorosa no bairro cristão
Augusto Gomes/iG
Trecho da Via Dolorosa no bairro cristão
Outro ponto importante para os peregrinos cristãos é a Via Dolorosa , o caminho que Jesus teria feito do local de seu julgamento até o da crucificação. Atualmente, a maior parte da via fica dentro do movimentado bairro árabe de Jerusalém (a cidade é dividida em quatro bairros: além do árabe, há o cristão, o judeu e o armênio).

A atual rota da Via Dolorosa foi estabelecida no século 18. É impossível ter certeza se esse realmente foi o caminho feito por Jesus com a cruz, já que praticamente não há vestígios da época em que ele viveu na Jerusalém atual. Uma das poucas edificações remanescentes é um arco, localizado na segunda estação da via e parte de uma antiga construção romana.

Judaísmo e islamismo

Muro das Lamentações, lugar sagrado do judaísmo
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Muro das Lamentações, lugar sagrado do judaísmo
Jerusalém também é uma cidade importante para judeus e muçulmanos. O lugar mais sagrado do judaísmo, por exemplo, fica lá. É o Muro das Lamentações ou Muro Ocidental. Trata-se de uma gigantesca parede de pedra, remanescente da muralha que cercava o Segundo Templo de Jerusalém .

Logo acima do muro, fica o Monte da Rocha , local onde foram construídos o Primeiro e o Segundo templos. Atualmente, a área é administrada por muçulmanos, que lá construíram no século 7 duas mesquitas, Al-Aqsa e Domo da Rocha , dois dos lugares mais sagrados do islamismo.

Mulher muçulmana no Monte do Templo
Augusto Gomes/iG
Mulher muçulmana no Monte do Templo
A entrada nas duas mesquitas é proibida para não muçulmanos. Mas a visita é permitida na área em torno dos templos, em dias e horários pré-determinados. Para entrar e sair do Monte do Templo é preciso passar pela polícia da fronteira. É um processo um tanto trabalhoso, mas compensa.

Monte do Templo com Domo da Rocha ao fundo
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Monte do Templo com Domo da Rocha ao fundo
A cúpula dourada do Domo da Rocha é provavelmente a estrutura mais impressionante de Jerusalém. E, como a entrada no Monte do Templo é controlada, não há a multidão de turistas munidos de máquinas fotográficas que muitas vezes atrapalha a contemplação de outros locais de Jerusalém.

Essa área também é a mais cheia de história de Jerusalém. Muçulmanos veneram o Monte por ser o local onde Maomé teria subido ao céu. Judeus, por ser o local do Primeiro e Segundo templos de Jerusalém. E ambos, assim como os cristãos, acreditam que foi lá que Deus revelou-se a Abraão.

Os bairros

Há séculos, Jerusalém é dividida em quatro bairros: árabe, cristão, judeu e armênio. Desses, o maior e mais populoso é o árabe. Ele inclui toda a área do Monte do Templo e boa parte da Via Dolorosa.

É também onde ficam os maiores mercados de rua da cidade. Algumas ruas dão a impressão de serem perigosas, principalmente à noite, mas a cidade velha é uma área bastante segura.

O bairro cristão é o segundo maior e se espalha em torno da Basílica do Santo Sepulcro. Suas fronteiras com o bairro árabe se misturam, já que a área cristã também está repleta de mercados de rua.

O bairro judaico, em compensação, é bem diferente. É que, como boa parte das casas foi destruída durante as guerras de 1948 e 1967, as construções são mais novas. Mesmo assim, respeitam a arquitetura e o traçado das ruas da cidade velha.

A destruição causada pelas guerras teve pelo menos um lado positivo. Nessa área, foi possível escavar o solo e encontrar vestígios da Jerusalém construída pelos romanos, há mais de dois mil anos. As ruínas espalham-se pelo bairro judaico.

O quarto e menor dos bairros da cidade velha é o armênio. É uma área pequena, localizada entre os portões de Jafa e Sião. Costuma ser ignorado pelos turistas, mas tem um dos melhores restaurantes de Jerusalém, o Armenian Tavern.

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