Bicigrinos percorrem o trajeto de magrela: é mais rápido e tem um quê de aventura

Número de bicigrinos cresce a cada ano
SXC
Número de bicigrinos cresce a cada ano
Há duas décadas, eles eram dezenas. Na década passada, já somavam centenas. Hoje, são milhares. A presença dos bicigrinos, peregrinos que percorrem o Caminho de Santiago de bicicleta, é cada vez mais constante no trajeto.

O brasileiro Acácio da Paz, que há onze anos vive na Espanha, é um dos incentivadores do movimento bikeline. A ideia começou por acaso em 2006, quando seu amigo Tomás Sánchez criou o site Bicigrino , onde compartilhava sua aventura de cruzar o Caminho em cima de uma magrela pela primeira vez.

Surpreendentemente, o interesse das pessoas foi tanto que Acácio decidiu dar uma mãozinha ao amigo e juntos desenvolverem o site. Nele, há dicas de como transportar a bicicleta, quais equipamentos levar, diversos mapas de orientação de GPS e informações sobre a declividade dos terrenos. Hoje, o site recebe uma média diária de 1.200 acessos. Os internautas também participam, compartilhando suas experiências e fotos no site, que está traduzido para 12 idiomas.

“As pessoas têm cada vez menos tempo e são poucos aqueles que podem dispor de um mês inteiro para realizar o Caminho. Nesse caso, a bicicleta é o meio ideal e mais rápido. É possível fazer os mais de 800 quilômetros de Saint-Jean-Pied-de-Port até Santiago em aproximadamente 12 dias”, avalia Acácio.

Os peregrinos que fazem o trajeto a pé ainda são maioria, cerca de 80% do total. Mas o número de ciclistas aumenta a cada ano. E a pedido deles, Acácio já tem projetos para o futuro. O Caminho Francês, mais popular e melhor sinalizado, conta com um bom banco de dados. O próximo desafio é estender o projeto para outras rotas como a Via de La Plata e o Caminho do Norte.

O casal Acácio e Orietta se conheceu no caminho e hoje mantém uma hospedaria
Divulgação
O casal Acácio e Orietta se conheceu no caminho e hoje mantém uma hospedaria
Hospedaria feita por peregrinos


Abrigar peregrinos que trilham o Caminho de Santiago é uma tradição secular. Na Idade Média, moradores de povoados à beira do trajeto abrigavam os caminhantes em suas casas. Até os castelos mais bem protegidos por gigantescas muralhas abriam seus portões para que os peregrinos pudesse pernoitar. Sem pagar nada por isso e sempre com boa vontade.

Pois a tradição continua até hoje, quando não faltam opções de hospedagem: albergues e monastérios gratuitos, pousadas aconchegantes a preços camaradas e até hotéis superestrelados de redes internacionais.

No pequeno povoado de Viloria de Rioja, em Burgos, com apenas 28 habitantes, o Refúgio Acacio & Orietta foi construído por peregrinos e para peregrinos. O casal que dá nome à hospedaria acolhe carinhosamente quem chega ali. Ele, brasileiro, e ela, italiana, se conheceram enquanto percorriam o Caminho de Santiago há 11 anos. Durante vários anos, trabalharam como voluntários em outros albergues, em troca de comida e moradia.

O casarão de mais de três séculos foi totalmente reformado. A hospedaria vive principalmente à base de donativos. Para pernoite, banho, café da manhã e jantar, o peregrino paga uma taxa de manutenção de 5 euros. No cardápio, um toque brasileiro com pratos como arroz e feijão.

Acácio, com a experiência de quem já percorreu o caminho 16 vezes, faz questão de trocar figurinhas com os peregrinos, que chegam das mais diversas partes do mundo. “Os quilômetros não são o mais importante. Continuo caminhando e ainda não cheguei a Santiago”, diz o hospitaleiro.


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