Na Cripta dos Capuchinhos, ossos de quatro mil monges decoram as paredes do local

A Cabeça de Medusa de Bernini é um dos tesouros dos Museus Capitolinos
NYT
A Cabeça de Medusa de Bernini é um dos tesouros dos Museus Capitolinos
Roma é outra cidade abundante de ambientes góticos, e para a minha viagem levei "O Fauno de Mármore", de Hawthorne. O autor chegou ao fim de sua carreira como mestre do horror psicológico e sobrenatural da Nova Inglaterra puritana, e esse relato novelístico de viagem não é dos seus melhores.

Em dois volumes, o conto é a história de três artistas americanos que trabalham em Roma e que encontram e ficam amigos de um sátiro (uma figura mitológica metade homem, metade bode), que parece ter sido o modelo de carne e osso de uma estátua de mármore do Capitólio , uma das famosas sete colinas de Roma .

Os visitantes dos Museus Capitolinos , um conjunto de palácios romanos no topo do Capitólio, gloriosamente recheados de tesouros, encontram hoje muitas estátuas do fauno, associado a Dionísio, que representava o animal no homem, simultaneamente inocente, sexual e anárquico. O parente mais ameaçador do fauno, o sátiro, é abertamente luciferiano, com chifres e cascos. Um grande sátiro desse tipo observa atentamente de uma estante no pátio egípcio do museu.

Cripta dos Capuchinhos

Interior da Cripta dos Capuchinhos é decorado com ossos de quatro mil monges
NYT
Interior da Cripta dos Capuchinhos é decorado com ossos de quatro mil monges
Um passeio de ônibus ou uma caminhada descompromissada através do centro histórico de Roma leva o viajante a outra locação principal de "O Fauno de Mármore" - a assustadoramente bela Cripta dos Capuchinhos , no subsolo da Igreja Santa Maria della Concezione dei Cappuccini, onde os personagens de Hawthorne confrontam um monge.

Decorada em estilo barroco com os ossos brancos de quatro mil monges, a Cripta dos Capuchinho , próxima à luxuosa Via Veneto, é o hoje uma parada popular em qualquer tour em Roma. Mesmo macabra, ela é um local sagrado. Não são permitidos nem câmeras, nem chapéus, nem roupas abertas.

A cripta é pequena e claustrofóbica, e o cheiro nauseantemente doce dos ossos preenche uma passagem debilmente iluminada que serpenteia através de oito portais exibidores, com arabescos de milhares de ossos arrumados por tipo - dedos, patelas, fêmures, falanges, crânios – em flores rendadas, guirlandas, relógios ou urnas, atados às paredes e ao teto.

Na última sala, a mensagem sobre o chão próxima às rosas depositadas por fiéis, em cinco línguas, lembra os alegres turistas de sorver profundamente da taça das alegrias da Itália, pois a sombra eterna avança: "O que você é hoje é o que éramos nós. O que somos agora, é o que você será".

Subindo as escadas de volta às ruas de Roma , os prazeres da Itália são imediatos e acessíveis, mas também complexos. Sem a escuridão, o país poderia ser suave como a Suécia. Ver a Itália através da lente gótica aprofunda nossa apreciação da dor, do sofrimento e da morte que são, com o amor, o desembaraço e a luz, também o destino humano.


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