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A família descobriu o amor por montanhas há alguns anos e, desde então, estão em um projeto de conhecer os cumes das sete montanhas mais altas de cada continente, algo que está ajudando a estreitar a relação familiar deles

Juntando turismo e aventura, pai e filha estreitaram a relação através de uma paixão em comum por montanhas . Os paulistanos Renato Zangaro, de 60 anos, e Ayesha Zangaro, de 23 anos, chegaram ao cume do Monte Everest, montanha mais alta do planeta, e se tornaram os brasileiros mais velho e mais jovem a conseguir tal feito. A conquista aconteceu em maio deste ano e, agora, eles se prepararam para outro grande desafio.

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Renato Zangaro e Ayesha Zangaro são pai e filha e venceram juntos o desafio de escalar o imponente Monte Everest
Arquivo pessoal
Renato Zangaro e Ayesha Zangaro são pai e filha e venceram juntos o desafio de escalar o imponente Monte Everest


Tudo começou há oito anos, quando a dupla passou a pesquisar sobre o assunto. “Já faz tempo que o universo das montanhas nos fascina”, conta Ayesha, que, junto do pai, decidiu se engajar no projeto batizado por eles de “sete cumes”, que consiste em explorar a montanha mais alta de cada continente. O Monte Everest , uma das montanhas mais conhecidas do mundo, estava nessa lista, e foi a sexta escalada por eles.

“Além de fazer parte do projeto, o Monte Everest é uma montanha cheia de energias e muito desafiadora física e mentalmente. Para mim, a decisão de ir tem muito a ver com autoconhecimento e com a chance de chegar aos seus limites e expandi-los”, relata a paulistana.

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Fora a superação pessoal, essa experiência de escalar montanhas está fortalecendo ainda mais os laços familiares. “Sempre fomos próximos, mas essa intensa aventura na montanha contribuiu para isso, principalmente o Everest, que exigiu intensidade física e emocional e acabou expondo nossas fragilidades”, conta Zangaro.

O pai explica que essa experiência também aflora o senso de companheirismo dos envolvidos. “Minha filha e eu tivemos a oportunidade de nos conhecer muito mais profundamente, desenvolvendo uma relação muito mais de amigos do que exatamente de pai e filha. A participação da minha esposa Lyss, que permaneceu nestes dois meses no campo base, nos deu um grande suporte emocional ao longo de toda a expedição”, conta.

Preparação para a subida 

Antes de embarcar na aventura de escalar o Monte Everest, foi preciso muita dedicação e preparo. O pai fez um treinamento físico intenso de duas horas por dia quatro vezes por semana e, aos finais de semana, ainda realizava um treino ainda mais intenso de quatro horas. Enquanto isso, a filha corria duas vezes por semana, fazia caminhada carregando uma mochila pesada quase todos os dias e também praticou natação.

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Além a parte física, também é preciso pensar na parte financeira, pois os gastos variam de expedição para expedição. Para cumprir o objetivo, a família precisou disciplinar os gastos e contou com o apoio financeiro de diversas instituições. Segundo eles, o planejamento teve de começar, em média, com 60 dias de antecedência para evitar surpresas desagradáveis durante a expedição.

Desafios encontrados na montanha  

Zangaro diz que a escalada do Monte Everest pode ser dividia em etapas. A primeira é da cidade de Lukla, no Nepal , até o campo base, de lá até o campo dois, seguida do campo dois  ao campo três e, por fim, de lá até o cume, sendo cada uma das etapas repleta de desafios diferentes. O paulistano conta que, até o "campo base", as dificuldades estavam ligadas apenas à aclimatação (processo em que o corpo se adapta a um novo ambiente).

Entre o campo base e o "campo dois", além da aclimatação, pai e filha  tiveram de enfrentar uma cascata de gelo, um perigoso obstáculo a ser vencido devido às frequentes avalanches que costumam ocorrer nessa parte do trajeto. Já entre o campo três e o cume, as paredes são mais verticais, o frio mais intenso e a atmosfera exigem que se use um oxigênio suplementar.

“Cumprir o desafio é sempre muito prazeroso sem esquecer, no entanto, que retornar é o mais importante, portanto reservar energias para a descida foi essencial, mesmo porque a maioria dos acidentes fatais acontece no retorno, quando o montanhista está mais relaxado e cansado”, alerta Zangaro.

Todo o esforço valeu a pena 

Ayesha lembra que a subida foi extremamente dura, mas que as paisagens valem o esforço, pois “enchem os olhos com muita beleza e imponência”. A dica que ela dá para quem sonha em fazer o mesmo é ter calma, planejar e dar um passo por vez.

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“Os maiores desafios, em minha opinião, foram o tempo muito longo na montanha, de dois meses, e o frio intenso quase todo o tempo, mjas foi uma realização muito grande. Um sonho realizado e a sensação de dever cumprido, não por ter chego ao cume, mas por ter vivido a expedição de forma intensa e verdadeira”, comenta a moça.

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O desafio que eles se propuseram a fazer é algo com que alpinistas do mundo todo sonham. Além do Monte Everest , que fica na fronteira do Nepal com o Tibete, no Himalaia, eles já estiveram em outras imponentes montanhas, como Aconcágua (Argentina), Denali (Alasca, Estados Unidos), Carstensz (Indonésia), Kilimanjaro (Tanzânia) e Elbrus (Rússia). A próxima expedição de pai e filha será para o Maciço Vinson, montanha mais alta da Antártica, e, depois dela, eles terão completado o projeto “sete cumes”.