"Sorrir é melhor maneira de ser bem recebido", diz Gunnar Garfors, o homem mais jovem a viajar o mundo todo

Gunnar Garfors em Cabo Verde, na África
Gunnar Garfors
Gunnar Garfors em Cabo Verde, na África

Qual é a sua viagem dos sonhos? Muito provavelmente você deve ter respondido algo como Las Vegas, nos EUA, ou Paris, na França. No entanto, com 198 países no mundo, não é estranho que as pessoas acabem viajando sempre para os mesmos lugares? Seja pela fama de violentos, por não terem uma língua conhecida pelos turistas, ou mesmo pela falta de verba para fazer propaganda, verdadeiros paraísos do chamado terceiro mundo são completamente esquecidos quando chega a hora de o turista planejar sua próxima viagem. E para o autor e blogueiro norueguês Gunnar Garfors, o homem mais jovem a visitar todos os países do mundo como turista, este é um erro comum que muitas pessoas cometem por medo de sair da zona de conforto.

"Uma das coisas que eu mais gosto em viajar, especialmente quando viajo para países diferentes do meu, é que você sai dessa 'bolha ocidental' em que todo mundo tem uma boa infraestrutura, vive em uma democracia e pode fazer o que quiser", diz o viajante de 40 anos em entrevista exclusiva ao iG . "Só assim você enxerga o quanto é sortudo e percebe quantas pessoas não têm a mesma oportunidade que você, de viajar, de expressar suas opiniões livremente. Elas muitas vezes não têm infraestrutura, não têm comida."

Veja quais são os seis destinos desconhecidos mais indicados por Gunnar:

Apesar de já ter explorado países com altos índices de violência, como a Nigéria, e até em zonas de guerra, como o Afeganistão, Gunnar reconhece que é preciso um pouco de experiência para começar a viajar para destinos que não sejam conhecidos pelas atrações turísticas - e ele começou a ganhar experiência logo cedo.

A primeira viagem que fez sozinho fora da Noruega foi aos 17 anos, quando conheceu de trem alguns países da Europa. No entanto, em 2004, Gunnar e um de seus irmãos decidiram ir para o Quirguistão e para o Cazaquistão, na Ásia Central, e foi então que ele percebeu que esses países eram muito diferentes comparados aos que já conhecia na Europa - e esse foi o estopim para querer conhecer todos os países desconhecidos pelos turistas.

"Em 2008, eu já havia visitado 85 países. Então eu pensei 'bom, por que não visitar todos os países?' E todas as viagens engatilhavam outras. Quanto mais eu viajo, mais vontade eu tenho de viajar, acabou se tornando um ciclo vicioso", conta ele, que completou a meta em 2013.

O medo é seu pior inimigo e o sorriso o melhor amigo

As pessoas deveriam primeiro visitar o próprio país primeiro, depois os países vizinhos e ir pegando confiança e experiência"

A maior dificuldade ao visitar um país mais pobre ou com fama de violento é justamente lutar contra o próprio preconceito e o medo de que algo ruim poderá acontecer durante a viagem. Esse receio faz com que muita gente mude de ideia e troque o destino sem ao menos dar uma chance para sua primeira opção, o que não deveria acontecer. Para Gunnar, fazer uma boa viagem para um país com pouca estrutura ou má fama é uma simples questão de confiança e experiência.

"As pessoas deveriam primeiro visitar o próprio país primeiro, depois os países vizinhos e ir pegando confiança e experiência. Com o tempo, você vai querer visitar os países menos desenvolvidos, pois saberá como se virar e como se comportar sozinho. Quando eu comecei a viajar para o Usbequistão, China ou Índia, por exemplo, pensava 'Nossa, estou saindo da minha zona de conforto', o que é ótimo. E, de repente, eu não estava mais com medo de viajar para esses países", observa.

Hoje, com toda a experiência de viagem que alguém pode ter, Gunnar conta que até mesmo os familiares e amigos não se importam mais quando ele vai para algum país supostamente perigoso. Quando decidiu visitar o Afeganistão, por exemplo, Gunnar achou que deveria ligar para a mãe e deixá-la avisada. Ele perguntou se ela estava preocupada, e ela respondeu rindo: "Gunnar, por favor, eu tenho outros seis filhos".

Gunnar já esteve no Afeganistão, um dos países mais difíceis de se visitar como turista
Gunnar Garfors
Gunnar já esteve no Afeganistão, um dos países mais difíceis de se visitar como turista

Ainda que um passaporte bastante carimbado seja um ponto positivo para quem quer visitar países com menos estrutura para receber turistas, o blogueiro diz que a melhor dica que pode dar para outros viajantes é bem simples: "sorria".

"Quando está nervoso ou muito tímido, você não ri. E sorrir é melhor maneira de ser bem recebido, além de ser de graça. Então, sempre que estiver em um lugar diferente, um país diferente, sorria para as pessoas e receberá um sorriso de volta", conta ele. "Com isso, você vai mostrar que está aberto para conhecer novas pessoas e novas culturas. E, no fim, a língua não vai ser um grande problema".

Depois de conhecer todos os cantos do mundo, Gunnar chegou à conclusão de que as pessoas são muito mais sorridentes em países pobres do que nos países ricos.

Sorrir é a melhor maneira de ser bem recebido - além de ser de graça"

"Eu não sei o motivo. Não sei se é porque eles têm menos bem materiais com que se importar, e por isso acabam se importando mais com eles mesmos, mas acho isso mágico", diz o viajante, que agora tem como meta revisitar todos os países, mas passando por cidades diferentes.

Para contar mais sobre sua aventura, Gunnar Garfors escreveu o livro "198 - How I Ran Out of Countries", da editora Smashword, que está à venda no Brasil apenas na versão em inglês, mas a previsão é que a versão traduzida para o português seja lançada ainda no primeiro semestre de 2016.


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