Evento natural que acontece próximo ao círculo polar ártico atrai turistas que sonham em ver as luzes dançantes no céu

Daniel Japor é um dos únicos brasileiros conhecidos como 'caçador de aurora boreal'
Divulgação/Daniel Japor
Daniel Japor é um dos únicos brasileiros conhecidos como 'caçador de aurora boreal'

“A aurora boreal é o fenômeno natural mais bonito da Terra. É a única forma de entrar em contato direto com o espaço sideral sem sair do chão.” É com todo esse entusiasmo que o carioca Daniel Japor, de 40 anos, define a experiência de ver as luzes que dançam nos céus de países próximos ao polo Norte. Quase dez anos depois de vê-la pela primeira vez, ele é um dos únicos brasileiros que ganha a vida “caçando” o fenômeno.

Apaixonado desde criança pela aurora boreal e por expedições polares, o advogado realizou o sonho de ver as luzes em janeiro de 2006, quando decidiu ir sozinho para Tromsø, cidade da Noruega considerada como a capital da aurora boreal.

As reações das pessoas ao ver a aurora pela primeira vez são as mais diversas. Parece até o Maracanã, é uma gritaria. Tem gente que chora, tem gente que fala palavrão”, diz Daniel Japor

Mesmo com frio e sem a assistência de um guia, Japor saiu em busca da aurora logo na primeira das três noites em que ficou na cidade. Como as luzes das ruas e casas atrapalham a visão do fenômeno, procurou um lugar mais afastado do centro para conseguir ver melhor, e foi então que a avistou pela primeira vez.

“Eu achei aquilo uma coisa de louco, maravilhoso, mas sem a menor ideia de que poderia ser muito melhor”, diz Japor, que no dia seguinte procurou um lugar ainda mais afastado. “A minha primeira vez foi bem improvisada, mas eu tive sucesso. Como era meu grande sonho, foi algo que mexeu muito comigo - e então comecei a repetir aquilo muitas vezes.”

Desde então, o carioca é procurado por outras pessoas que também sonham em testemunhar o fenômeno e querem dicas de alguém experiente. Foi assim que decidiu largar o Direito e se dedicar exclusivamente a ser guia turístico nas regiões do norte do planeta em que a aurora boreal ocorre.

Daniel Japor junto da esposa e o filho, Theo Garcia, de apenas 5 anos
Divulgação/Daniel Japor
Daniel Japor junto da esposa e o filho, Theo Garcia, de apenas 5 anos

Levando grupos de no máximo 16 pessoas – contando com ele e seu assistente -, o caçador de aurora boreal faz expedições de 13 dias e 11 noites que inclui três destinos: a lapônia finlandêsa, Tromsø e  Ilha Lofoten no outono, ou Ilha de Svalbard no inverno. As viagens só acontecem entre os meses de setembro e março, quando é outono e inverno no hemisfério Norte, pois nos outros meses do ano o sol não se põe nessa região, impedindo a visão da aurora boreal.

A aurora boreal é um fenomeno natural maravilhoso, mas é visto por poucas pessoas. O turista deveria focar mais em conhecer as maravilhas naturais, antes de pensar em Disney, Torre Eiffel"

Segundo o guia, qualquer pessoa pode adquirir o pacote, que sai por uma média de R$ 15 mil. Ele conta que já acompanhou viajantes de dois a 82 anos. Isso porque o roteiro não inclui trilhas a pé – a pessoa só precisa ter paciência para percorrer cerca de 40 km dentro de um carro até os locais mais afastados e com maior visibilidade.

Além disso, o frio não é tão intenso quanto muitos podem imaginar. Entre todos os países em que a aurora acontece, a Noruega é a única que recebe uma corrente de água quente do Golfo do México, que deixa as temperaturas da água até 10ºC acima das outras regiões. Então, o frio não é tão extremo. Enquanto no Alasca, por exemplo, a temperatura média é de -7ºC, mas pode atingir -40ºC.

E mesmo com o frio, Japor garante que a visão da aurora boreal é sempre recompensadora. O guia conta que vários turistas já fizeram o roteiro mais de uma vez, para poder presenciar o fenômeno novamente.

“As reações das pessoas ao ver a aurora pela primeira vez são as mais diversas. Parece até o Maracanã, é uma gritaria. Tem gente que chora, tem gente que fala palavrão”, relata Japor.

Quem vai sozinho precisa ir bem preparado

Apesar de a aurora boreal não ser um evento raro de acontecer nas regiões próximas ao círculo polar, caçá-la sem a ajuda de um guia exige bastante planejamento, preparação e até mesmo um pouco de sorte. Isso porque vários fatores dificultam a visão do fenômeno, como as luzes da cidade, as nuvens e a poluição dos grandes centros.

Se o seu sonho também é ver a aurora boreal, mas não tem grana para contratar ajuda especializada, preste atenção nas dicas do guia para aumentar as chances de presenciar o fenômeno:




Como surge a aurora boreal

Um dos fenômenos naturais mais belos do mundo, a aurora boreal - ou aurora polar - acontece no hemisfério Norte, próximo ao polo Norte do planeta. Ela acontece quando partículas de radiação emitidas por explosões solares atingem a Terra. Essas partículas contêm elétrons que são atraídos pelos campos magnéticos concentrados nos polos Sul e Norte. Quando eles se chocam com partículas de hidrogênio e oxigênio da atmosfera, a cerca de 80 km e 150 km de distância do solo, elas emitem uma luz, que chamamos de aurora boreal - ou aurora austral, que acontece no polo Sul do planeta.

"A aurora boreal é um fenomeno natural maravilhoso, mas é visto por poucas pessoas. O turista deveria focar mais em conhecer as maravilhas naturais, antes de pensar em Disney, Torre Eiffel, etc. Afinal, são horas que você fica ali vendo um evento que está acontecendo na borda do espaço - e eu acho isso incrível", comenta o especialista Daniel Japor.

Serviço:
GeoTrip
Tel : (21) 4126-1016 / (21) 96929-7779
E-mail : contatogeotrip@gmail.com

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