Massada e Mar Morto estão entre os passeios possíveis para quem visita a Terra Santa ir além das igrejas e pontos bíblicos espalhados pela cidade

Engana-se quem pensa que as únicas atrações de Jerusalém  são os roteiros bíblicos, igrejas e locais considerados sagrados por pelo menos três religiões (católica, judaica e muçulmana). Se o turista que visitar a Terra Santa  pela primeira vez não tiver apenas como objetivo conhecer a Via Dolorosa , o Monte das Oliveiras ou o Muro das Lamentações , por exemplo, saiba que existem várias opções para aproveitar muito a sua viagem.

O iG selecionou cinco roteiros rápidos para conhecer em Jerusalém e até mesmo em locais a cerca de uma hora de distância de carro. Confira.

- Cidade de David
Também conhecida como Cidadela, é um verdadeiro museu a céu aberto. Localizada ao lado da Cidade Antiga, é um imponente conjunto de muralhas que remontam em grande parte à Idade Média, mas escavações recentes revelam vestígios do século II a.C e indicavam que ali havia fortificações do tempo de Herodes.

Ao passar pelo Portão de Jafa, o visitante terá acesso a uma área enorme, totalmente murada, como a maioria das outras fortalezas da Idade Média. É possível caminhar por boa parte dos adarves (topo dos muros) tendo uma visão espetacular da cidade. O pináculo sobre a torre de David tornou-se um símbolo mundial de Jerusalém, depois que o general britânico Allenby proclamou a tomada da cidade, em 1917, marchando sob a sombra da torre.

O passeio ideal na Cidade de David é a Night Spetacular, um show noturno de som e luzes que faz o público ter a impressão de entrar em uma máquina do tempo e ver passar diante de seus olhos quase 4.000 anos de história de Jerusalém. O show demora cerca de 20 minutos e é impressionante.

Para conhecer o local durante o dia, recomenda-se que o visitante esteja com o preparo físico em dia, pois são inúmeras escadas, além da rota das escavações, que ainda continuam sendo feitas normalmente. Ao todo, gasta-se cerca de uma hora e meia para fazer todo o percurso. Pode-se participar de uma visita guiada gratuita, em inglês, de domingo a sexta-feira, a partir das 11h.

- Mamilla
Localizado ao lado da Cidade Velha, o bairro Mamilla foi criado ao final do século 19, a oeste do portão de Jafa. Até 1948, reunia uma série de escritórios judeus e árabes. Durante o período da guerra entre israelenses e jordanianos, a partir de 48, o local tornou-se uma zona de combate. Até mesmo um cônsul americano, Thomas C. Wasson, foi assassinado no local.

Antes abandonada após a Guerra entre Israel e Jordânia, a região de Mamilla abriga hoje restaurantes e hotéis
Marcelo Laguna
Antes abandonada após a Guerra entre Israel e Jordânia, a região de Mamilla abriga hoje restaurantes e hotéis

Após anos abandonada, uma das partes do bairro passou a ser revitalizada aos poucos, passando por profundas reformas e se transformando em um grande centro comercial, repleto de restaurantes, lojas de alto padrão e hotéis cinco estrelas. A reinauguração oficial ocorreu em maio de 2007, com o calçadão de 600 metros de extensão e a abertura da primeira parte de um grande shopping center. A reforma foi concluída em meados de 2008.

Um dos detalhes mais interessantes do local é que praticamente todas as pedras que formam as edificações da rua são numeradas. Como se tratava de casas com mais de 100 anos, os arquitetos quiseram preservar a colocação original de cada rocha que já existia no local.

- Museu de Jerusalém
O maior e mais importante museu do país, foi construído em 1965 e fica localizado em Kiryat ha-Muzeonim (campus dos museus). Reúne boa parte do que há de melhor na arte e arqueologia do país. Com numerosas salas, seu acervo exibe achados arqueológicos, artefatos históricos, arte do século 20, arte impressionista, arte sul-americana e uma ala da juventude. Os jardins esculpidos e as galerias mostram exposições tanto de Israel como do exterior.

Duas atrações em especial merecem destaque. Uma maquete gigante, que reproduz com detalhes impressionantes a cidade de Jerusalém, especialmente a Cidade Velha, e o Santuário dos Livros (Heikhal ha-Sefer). O local abriga os pergaminhos do Mar Morto, redigidos no período final do Segundo Templo, entre o século 3 a.C e o ano 68 d.C. Alguns deles contêm as mais antigas versões das Escrituras.

O prédio branco onde está localizado o Santuário tem telhado em forma de cúpula igual ao formato das tampas dos recipientes de barro onde os pergaminhos foram descobertos.

O museu é tão grande que é impossível passar por todas as alas e ver todas as exposições em uma única visita. Além dos guias eletrônicos (em hebraico, russo e inglês), é oferecido um programa diário de excursões com guias gratuitos, em hebraico e inglês; duas vezes por semana em francês; e uma vez por semana em espanhol.

A Fortaleza de Massada, localizada no meio do deserto, a pouco mais de uma hora de carro de Jerusalém, é um passeio imperdível
Divulgação
A Fortaleza de Massada, localizada no meio do deserto, a pouco mais de uma hora de carro de Jerusalém, é um passeio imperdível

- Fortaleza de Massada
A pouco mais de uma hora de carro de Jerusalém está um dos pontos turísticos mais visitados em Israel, a Fortaleza de Massada. Localizada no topo de uma montanha, 440 m acima das margens do Mar Morto, ela foi escolhida pela Unesco como sítio do Patrimônio Mundial em 2001.

A fortaleza de Massada foi construída cerca do ano 30 a.C, pelo rei Herodes, cujas façanhas na arquitetura deixaram a sua marca no país. No início da grande revolta judaica contra Roma, no ano de 68 a.C, o lugar foi conquistado por um grupo de zelotes judeus, e Massada se tornou a última fortaleza da revolta.  

No ano de 72 d.C. os romanos cercaram Massada e conseguiram alcançar a fortaleza depois de construir uma imensa rampa de terra no lado ocidental da montanha. Para não serem capturados vivos pelos romanos, os habitantes preferiram se suicidar jogando-se das muralhas.

As ruínas estão muito bem preservadas, como por exemplo o palácio do rei Herodes, localizado na parte Norte do complexo, construído em três terraços de rocha apresenta vista para o desfiladeiro que se encontra abaixo. Um detalhe que pode ser visto em todo o local são linhas pretas que fazem uma espécie de divisão das pedras nas edificações. Tudo o que está abaixo destas linhas representam as edificações originais da fortaleza.

O Mar Morto é localizado entre Israel e Jordânia e tem menos de 16 km de extensão
Divulgação
O Mar Morto é localizado entre Israel e Jordânia e tem menos de 16 km de extensão

- Mar Morto
Ponto mais baixo da Terra, o Mar Morto na verdade é um lago, com 76 km de norte a sul e menos de 16 km de extensão, localizado metade em Israel e metade na Jordânia. Está a 417 m abaixo do nível do mar.

É chamado de Mar Morto porque a sua salinidade evita a existência de qualquer forma de vida no lago. Por conter muitos sais minerais, a água é 26% sólida e suas propriedades terapêuticas são conhecidas desde a antiguidade. A concentração de sal é tamanha que as pessoas conseguem boiar sem a menor dificuldade.

Seu leito também tem depósitos de lama negra, que é fácil de espalhar no corpo e fornece minerais nutritivos para a pele. Tudo isso faz com que a região tenha diversos spas espalhados pelas margens.

Desde o início do século 20 o nível da água do Mar Morto baixou 12 metros, em razão da diminuição da vazão natural do Rio Jordão, seu principal afluente e que tem parte de suas águas desviadas pela Jordânia para finalidades agrícolas. Especialistas calculam que se o nível de encolhimento das águas continuar no ritmo atual, o Mar Morto estará seco até 2050. 

* O jornalista viajou a convite do Ministério do Turismo de Israel

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