Difícil não se emocionar ao passar por locais considerados sagrados pelos cristãos. Nas comemorações da Semana Santa, Jerusalém fica ainda mais especial

Às vésperas de uma das festas mais importantes no calendário cristão, a cidade de Jerusalém, em Israel, é um destino praticamente obrigatório para quem quer passar o feriado da Semana Santa envolto em um clima de intensa espiritualidade e ao mesmo tempo ter uma aula de história ao vivo. Independentemente da fé religiosa, é impossível passar pelas ruas da cidade fundada há quase cinco mil anos sem ficar emocionado.

As comemorações da semana da Páscoa  na Terra Santa são um dos pontos altos no turismo de Jerusalém, atraindo peregrinos e visitantes de todas as partes do mundo. A programação oficial reserva inúmeras celebrações  voltadas a católicos e ortodoxos em locais importantes da cidade, tendo como destino final a Igreja do Santo Sepulcro, onde segundo os católicos, Jesus Cristo foi crucificado e sepultado.

Por onde se anda na cidade, é possível tropeçar em pontos históricos e igualmente importantes na fé de quatro religiões – além de católicos e ortodoxos, Jerusalém também é considerada santa para judeus e muçulmanos. Para facilitar a vida do visitante, o iG montou um roteiro básico que poderá ajudar o turista a aproveitar da melhor forma possível sua viagem à Terra Santa.

Explorando a Via Dolorosa   

Como forma de aproveitar bem sua viagem, uma dica importante: caso você esteja pela primeira vez na cidade, mesmo falando bem inglês ou hebraico, é ideal contratar um bom guia local. Contar com uma pessoa que conheça a fundo todos os detalhes de cada monumento, cada igreja, cada viela, é fundamental.

Munido de água, protetor solar e chapéu – afinal, mesmo no inverno, entre dezembro e março, o sol brilha forte na região durante o dia – inicie sua visita pela Via Dolorosa (também chamada de via crucis ou via sacra) pelo portão dos Leões, no Monte das Oliveiras, que integra o Bairro Muçulmano de Jerusalém.

Mesmo sem bases históricas que comprovem sua existência, pois a cidade foi destruída e reconstruída inúmeras vezes ao longo de milhares de anos, a Via Dolorosa é considerada extremamente importante para os católicos, por representar o caminho percorrido por Jesus antes de ser crucificado pelos romanos. Diariamente, atrai uma enorme quantidade de peregrinos e turistas, que percorrem as 14 estações da cruz, ligadas aos acontecimentos da última caminhada de Cristo.

A primeira parada é no Mosteiro da Flagelação, de propriedade da Ordem dos Franciscanos, local em que, segundo a tradição, Jesus foi julgado pelos romanos, condenado à morte e espancado pelos guardas. Todas às sextas-feiras, os franciscanos iniciam a partir deste ponto uma peregrinação, sempre a partir das 15h, no inverno, e 16h, no verão.

Mas não pense que é fácil encontrar todas as 14 estações. Não se esqueça que elas atravessam um importante ponto de comércio turístico da Cidade Velha de Jerusalém, com diversas lojas de pequenas lembranças aos visitantes espalhados pelo percurso, e várias das estações estão quase escondidas. Ainda assim, é impossível ignorar a quarta estação, que é aquela onde Jesus encontra-se com a mãe, Maria. Este ponto está em frente à Igreja Armênia de Nossa Senhora do Espasmo, construída sobre um antigo tempo dos cruzados.

Outro ponto emocionante no percurso é a quinta estação. Foi nela em que soldados romanos mandaram Simão Cireneu ajudar um extenuado Jesus a carregar a cruz. O local tem um oratório franciscano, que marca a subida ao calvário. Na parede do oratório, uma marca escura mostra uma imagem que representa uma mão humana – segundo os católicos, ali Cristo apoiou-se para prosseguir em sua caminhada.

Emoção no Santo Sepulcro

A peregrinação da Via Dolorosa termina na Igreja do Santo Sepulcro, que foi construída no local onde se acredita que Cristo morreu crucificado, foi sepultado e depois ressuscitou. A basílica, considerada a mais importante pelos católicos, foi construída entre os anos 326 e 335 pelo imperador romano Constantino. Chegou a ser destruída pelo sultão Halkin em 1009 e reconstruída em 1040 pelo imperador bizantino Constantino Monômaco. Após um incêndio em 1808 e um terremoto em 1927 passou por uma profunda reforma.

O Santo Sepulcro transpira fé e religiosidade. Logo após a entrada principal, está a Pedra da Unção, onde os cristãos acreditam que o corpo de Jesus foi limpo das feridas e enrolado em panos após sua morte. As manifestações de fé dos católicos no local são impressionantes.

Fieis e turistas visitam a basílica do Santo Sepulcro
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Fieis e turistas visitam a basílica do Santo Sepulcro

De todos os locais, contudo, o mais sagrado é o Túmulo de Cristo, localizado dentro de um monumento construído em 1810 onde há uma lápide de mármore que cobre a rocha onde o corpo de cristo teria sido colocado. Filas imensas são formadas ao redor do imenso local, porém há quem sustente que o verdadeiro túmulo está em uma pequena capela com diversos túmulos judeus, entre eles o de José de Arimateia. Ali alguns acreditam que teria sido o verdadeiro local onde foi sepultado o corpo de Jesus após a crucificação.

O Calvário também é outro local extremamente importante na Igreja do Santo Sepulcro. Logo após a entrada principal, duas escadas de mármore que levam ao Gólgota (Lugar do Crânio, em hebraico e traduzido para o latim como Calvário). No espaço existem duas capelas: a greco-ortodoxa tem um altar posto diretamente sobre a rocha onde teria sido fincada a cruz de Cristo. A capela católica romana contém a 10ª e 11ª estações da cruz, além de ter o altar de Stabar Mater, que recorda a dor de Maria, ao pé da cruz do filho, que seria a 13ª estação.

Por fim, e não menos emocionante, há a Capela de Adão, que segundo a tradição medieval, conta que lá Jesus foi crucificado sobre o lugar onde o crânio de Adão estava enterrado. A rocha do Calvário pode ser vista através de uma janela quebrada na parede do altar, onde há uma rachadura que os devotos creem ter sido provocada pelo terremoto que se seguiu à morte de Cristo.

Assim, em um passeio que ocupará cerca de duas horas do dia do visitante, dependendo do ritmo de cada um, é possível conhecer os pontos principais de um dos mais importantes capítulos da história do cristianismo.

* O repórter viajou a convite do Ministério do Turismo de Israel

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