Capital da província da Terra do Fogo, Ushuaia tem museus que são paradas obrigatórias, além de muitos outros passeios imperdíveis

A chegada a Ushuaia, capital da província da Terra do Fogo, é acompanhada de uma atmosfera mágica que invade os visitantes, afinal, não é qualquer um que consegue conhecer o fim do mundo. E a cidade explora bem essa característica, seja com os souvenirs, passeios, restaurantes, lojas e até um museu, chamado Museo del Fin del Mundo.

Com pouco mais de 50 mil habitantes, possui um dos portos mais estratégicos do mundo, por ser o porto de águas profundas mais próximo da Antártida. Para conhecer um pouco mais da história local outros museus são passagens obrigatórias: o del Presidio e o Maritimo.

Por aqui as opções de passeio também não faltam e algumas delas são imperdíveis para os amantes da natureza. Veja a seguir:

- Parque Nacional Tierra del Fuego
Fica a 11 quilômetros de Ushuaia e foi criado em 1960. Compreende uma área de 63 mil hectares da natureza mais austral em proteção. A fauna e a flora não são muito variadas, mas as paisagens e as caminhadas que se pode fazer no local valem a visita.

Lá também é possível avistar lagos, montanhas e os diques formados por castores. Os animais não são nativos, mas alguns casais foram trazidos do Canadá há algumas décadas e, por não terem predadores, foram se reproduzindo e hoje somam milhares de exemplares. Devido à vida tranquila que levam, estão aumentando cada vez mais de tamanho e peso. Há registro de castores com 1,20 m e 38 quilos.

Eles devastam boa parte das árvores do local para construir seus diques, já que esses animais são muito mais ágeis na água.


- Trem do Fim do Mundo
O trem do fim do mundo é uma opção para aqueles que desejam sentir na pele a história local. Na época em que o famoso presídio de Ushuaia estava em funcionamento, os criminosos eram levados de trem até um local para cortar lenha e fornecê-la à população. Hoje, o trem é um ponto turístico importante da cidade, saindo da estação do Fim do Mundo, a oito quilômetros de Ushuaia e realizando um trajeto de aproximadamente 20 minutos.

Pinguinera, com centenas de pinguins esperando a troca de pelo para voltar às aguas
Carla Martins
Pinguinera, com centenas de pinguins esperando a troca de pelo para voltar às aguas

- Ilha de los Pajaros, Ilha de los Lobos e Pinguinera
O passeio de barco segue pelo Canal de Beagle, divisa natural entre Argentina e Chile, passando por diversas ilhas, entre elas a Ilha dos Pássaros e a Ilha dos Lobos, onde é possível ver de perto leões marinhos tomando sol, brincando, dormindo e voltando para as pedras depois de um mergulho.

Durante o trajeto também é possível avistar o Farol do Fim do Mundo, chamado Lhes Eclaireurs, um dos símbolos da cidade.

Depois de algum tempo a mais navegando chega-se à Pinguinera, uma ilha repleta de pinguins de Magalhães, que chegam bem perto do barco para matar a curiosidade e olhar os visitantes de perto. Os pinguins só podem ser vistos nessa ilha durante o verão. Depois de março, ele caem nas águas geladas com seus filhotes e partem para novas aventuras.


- Lagos Escondido e Fagnano
O lago Escondido fica a 60 quilômetros de Ushuaia e está encravado na cordilheira. Recebeu esse nome porque, quando o tempo está fechado, as nuvens ficam paradas e escondem o lago, que fica invisível para quem tenta avistá-lo do Paso Garibaldi, um mirante de onde é possível ver os lagos Escondido (em dias de céu aberto) e Fagnano.

O lago Fagnano é muito maior que o Escondido e é conhecido mundialmente pela pesca de trutas e salmão. Está a 100 quilômetros ao norte de Ushuaia e é dividido entre a Argentina e o Chile. Há passeios que chegam aos dois lados para uma visita contemplativa. Eles podem ser feitos de ônibus ou de 4x4, para quem optar por uma experiência mais emocionante. No inverno é mais difícil e perigoso chegar aos dois lagos, devido à grande quantidade de neve presente nas estreitas estradas.


- Teleférico
Para quem está acostumado com os teleféricos do Brasil, as cadeirinhas de Ushuaia proporcionarão, certamente, um experiência única e surpreendente. Depois do trajeto no teleférico, chega-se a uma trilha bastante íngreme que leva os visitantes até o Glaciar Matial, a maior fonte de água potável da cidade.

A caminhada é difícil e demorada, mas vale a pena. Ao chegar no topo, pode-se encostar no gelo do Martial e visualizar, ao olhar para trás, toda a cidade de Ushuaia, o Canal de Beagle e a Ilha Navarino, no Chile.

No inverno, a trilha transforma-se em uma famosa estação de esqui e todas as árvores que eram verdes tornam-se brancas, cobertas pelo gelo.

Mais do que uma viagem de turismo, ir ao Fim do Mundo é ter uma noção clara da insignificância do homem frente à perfeição e grandiosidade da natureza, conhecer paisagens inesquecíveis e voltar com um monte de histórias na babagem para contar.

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