Com uma dose de instrução, uma colherada de guacamole e boa companhia, é possível identificar cada nuance de aroma e sabor das fortes bebidas

A dica é valiosa: se o seu próximo destino de viagem, seja de férias ou não, é o México , prepare o paladar. Tanto quanto os brasileiros, os mexicanos amam receber seus visitantes com bons drinks. Só que eles são experts na prática de, digamos, aguentar o tranco. Portanto, é preciso se preparar – e o mais importante: saber como apreciar cada novidade oferecida.

A primeira coisa que vem à mente quando falamos de México + drink, claro, é a tequila. Estando por lá, era quase obrigatória uma degustação profissional do destilado de agave. De antemão, aviso que fazemos quase tudo errado na hora de tomar. Palavra de quem acaba de voltar de um curso rápido do museu Discover Mexico Park ,  na Ilha de Cozumel, no Caribe mexicano .

Antes da tequila (que, aliás, é adquirida por uma taxa extra de US$ 44 no ingresso de US$ 26), Memo, nosso guia, explicou passo a passo história da bebida por meio de obras que destacam símbolos do país. Ele, contudo, não escondeu a ansiedade para a melhor parte do passeio – nem a gente. Em um ambiente climatizado, quatro taças estavam dispostas na mesa: uma de água e as outras três com tipos diferentes de tequila Jose Cuervo, famosa também no Brasil. Em um prato, um biscoito de leite, raspas de limão, paus de canela e grãos de café.

“Jose Cuervo tem má reputação não pela bebida, mas por quem a bebe”, brinca Memo, que passou por quatro meses de curso para aplicar as técnicas da degustação aos turistas. A cada fase, um novo aroma surge antes de experimentar efetivamente a bebida. Cheiramos as raspas de limão. Um gole. Quebramos o grão de café com a unha para extrair sua essência. Outro gole. Raspamos a canela nas palmas das mãos e mais um gole. O biscoito e a água entram nos intervalos, para limpar o paladar.

“Não se bebe tequila como shot. É preciso apreciar. E não é preciso sal e limão. A maneira correta é inspirar, beber um gole, deixar o líquido tomar toda a boca, até debaixo da língua, engolir e expirar. Pronto, assim se sente realmente a tequila”, conta ele, que completa com o recado: “As 100% agave não são para drinks. É para se beber pura”. Nosso feedback: a dose é forte, desce rasgando, mas, de fato, faz diferença seguir os passos de Memo. Os aromas diferentes e a oscilação de tipo para tipo de tequila (envelhecidas ou não) são facilmente identificadas. Experiência válida para qualquer um.

Larva na bebida?
Já na Cidade do México, no Presidente InterContinental da Cidade do México , experimentamos o famoso Mezcal com gusano. Traduzindo, um destilado que contém uma larva de borboleta (sim, uma larva!) no fundo da garrafa, como em conserva. O gusano se mantém inteiro quando submetido ao alto nível de teor alcoólico. Reza a tradição que no último gole da garrafa, ou no copo de quem a larva eventualmente cair, deve-se comer o bichano em troca de sorte. Enfim, por sorte ou não, não foi no meu copo que o gusano parou (amém!).

Nos bastidores do hotel Presidente Intercontinental Cidade do México, uma Cave de Vinhos guardar mais de 50 mil garrafas da bebida de vários lugares do mundo
Nina Ramos
Nos bastidores do hotel Presidente Intercontinental Cidade do México, uma Cave de Vinhos guardar mais de 50 mil garrafas da bebida de vários lugares do mundo

No Chapulín , o mais novo restaurante típico de comida mexicano com toques contemporâneos, uma margarita de Mezcal fez as honras da casa. “Com certeza, é mais forte que a tequila”, avisou Andrés García Ricard, subgerente executivo do hotel. O motivo básico é porque o mezcal geralmente é destilado apenas uma vez, contra duas ou três da tequila. É mais encorpado, rústico, e “sobe” mais rápido. Para efeito de registro: o Chapulín tem mais de 70 títulos de Mezcal e sua própria marca de cerveja, a Chapulín.

Para os fracos de plantão, a dica é sempre equilibrar a dose com água natural. Uma boa colherada de guacamole também não faz mal a ninguém. E para os que preferem se manter nos fermentados, a cave de vinhos do hotel tem uma média de 50 mil garrafas (de todos os valores possíveis) para garantir uma refeição harmonizada. O local, no backstage do hotel, é exclusivo e necessita reserva. Um jantar exclusivo ali custa a bagatela de US$ 600 por pessoa (sem bebida e serviço), mas você poderá se sentir como o magnata mexicano Carlos Slim e o ator Ashton Kutcher, alguns dos poderosos que passaram por lá recentemente.

* A repórter viajou a convite do IHG (InterContinental Hotels Group), Grupo Presidente, AeroMéxico e da Secretaria de Turismo do Governo da Cidade do México

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