Acostumados à pimenta e ao “jeitinho”, os mexicanos podem dar dicas falsas aos visitantes no intuito de ser mais amigável. Conheça algumas delas para não se meter em enrascadas

“Sabe, dizem que as duas maiores mentiras mexicanas são: ‘no pica’ (não é picante) e ‘no está lejos’ (não está longe). Eu acrescentei mais uma: ‘no pasa nada’ (não tem problema)”. A afirmação cheia de humor é de Zoytsa Kakakis, uma pernambucana de bem com a vida que de grego só tem o nome. Hoje, o sotaque mistura o estalado do Recife com o ritmado espanhol da Cidade do México , onde mora há um ano.

- Leia mais sobre  México e seus diferentes destinos

O iG resolveu tirar a prova durante a visita à Cidade do México, localmente chamada apenas de DF (Distrito Federal). Destino pouco valorizado pelos brasileiros que desembarcam no país rumo ao mar cristalino de Cancun, a capital guarda mais delícias do que se imagina.

Primeira mentira: “no pica”
Para quem tem mais sensibilidade para pimenta é palavra de ordem perguntar se “pica”, antes de experimentar qualquer alimento (sólido ou líquido). O paladar bruto do mexicano é incrível. Nas ruas, perto de parques, barraquinhas de frutas vendem pedaços, por exemplo, de melancia ou melão no palito, feito picolé, salpicados de piquín, uma pimenta seca em pó. Testei na língua pouca quantidade e quase soltei fogo pelas ventas. Voltei sem entender como crianças pequenas são viciadas na iguaria.

Enfim, primeira mentira comprovada: mesmo quando se fala que ‘no pica’, pica sim. E bastantinho, viu? Dica de amiga: vale levar na bolsinha de remédio algum S.O.S. para emergência digestiva.

Nem tudo é tão perto quanto pode parecer na Cidade do México. Poupe seus pés
Nina Ramos/iG
Nem tudo é tão perto quanto pode parecer na Cidade do México. Poupe seus pés

Segunda mentira: “não é longe
A Cidade do México faz por merecer o título de mais populosa da América do Norte. Para abrigar tanta gente, só uma gigante. E tudo é grande, largo… E longe. Faz bem andar, e sou do time que acredita que só se conhece uma cidade batendo perna, mas as principais atrações são distantes umas das outras. Portanto, não caia do conto do ‘no está lejos’, e opte por uma das opções de transporte.

Metrô (5 pesos) e Metrobus (6,5 pesos) são os mais aconselháveis. As linhas cortam a cidade toda e, com um pouco de atenção, se chega logo no destino escolhido sem grandes complicações. A opção do ônibus é mais arriscada para quem não conhece a cidade. Em DF, fica até difícil explicar, mas existe uma parcela grande dos veículos públicos em circulação que não faz parte do projeto da prefeitura. São ônibus particulares, administrados por famílias, sem valor tabelado ou ponto de parada fixo. Já os táxis estão em abundância naquele trânsito louco, mas é preciso cuidado. A dica de Zoytsa é embarcar em um carro de frota, direto do ponto. “Infelizmente, como em toda cidade grande, a violência está presente”, disse.

Terceira mentira: “no pasa nada”
A brasileira Zoytsa explica o contexto: “por exemplo, eu pergunto se tem problema beber algo alcoólico e pegar o carro depois. O mexicano sempre fala ‘no, no pasa nada’, quando, na verdade, a fiscalização existe sim”. Basicamente, está tudo sempre numa boa, mas o problema bate na porta. É quase um comportamento descompromissado. Aliás, sorriso é o que mais vimos por lá – e descomplicação também!

A hospitalidade do mexicano é digna de aplauso. Eles fazem de tudo para receber os turistas da melhor forma possível – até arriscam português –, o que torna qualquer viagem mais bacana. E isso, pode acreditar, não é conto da carochinha. É a mais pura verdade.

Leia mais:
- Roteiro de compras na Cidade do México
- Pelos arredores da Cidade do México
- Escolha sua ilha no Caribe

* A repórter viajou a convite do IHG (InterContinental Hotels Group), Grupo Presidente, AeroMéxico e da Secretaria de Turismo do Governo da Cidade do México

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.