Fiorde da região de Aysén reserva lodge isolado do mundo, sem conexão de internet e com águas termais para relaxar junto à natureza selvagem

Para quem vive cercado de trânsito, telefone tocando e gente falando, chegar ao Puyuhuapi Lodge & Spa, no meio dos fiordes de uma Patagônia chilena ainda pouco desbravada pode ser um choque. Positivo, mas um choque. Longe de qualquer referência que se possa ter no Chile – para se ter uma ideia, Torres del Paine está a 1.600 km –, ali não há televisão, rádio, sinal de celular e, muito menos internet.

Nem mesmo no único computador disponível com, diz a lenda, conexão via satélite. (Nos quatro dias que passei lá, não houve sequer um momento em que funcionou.) Resultado? Dias de desintoxicação forçada de modernidade, com direito a todo tipo mimo e conforto que se possa imaginar.

Criada à beira-mar, a estrutura em madeira com cara de cabana suíça, nasceu no fim dos anos 80 para ser o refúgio de verão da família Kossmann, dona do estaleiro chileno Asenav, na região de Aysén. Mas basta acordar no silêncio completo, tendo a baía Dorita e os cumes gelados da Cordilheira dos Andes como vista, para entender o potencial turístico dessa joia bem guardada, principalmente, pela dificuldade de acesso. Afinal, luxo e exclusividade são conceitos que andam juntos.

Para chegar, é preciso voar ao largo da Cordilheira por duas horas e meia entre Santiago e o aeroporto de Balmaceda (a LAN tem voos diários), a uma hora de Coyhaique. Da maior cidade da região (com cerca de 60 mil habitantes), segue-se mais quatro horas de carro pela Carretera Austral, onde a beleza da paisagem recortada por corredeiras e cascatas ajuda a amenizar o tempo, as curvas e o trecho ainda sem asfalto. Por fim, basta atravessar o fiorde de barco (mais 15 minutos) para avistar, após uma curva fechada, o paraíso perdido.

Com apenas 30 suítes – todas devidamente voltadas para a água, com janelas que mais parecem televisões gigantes com tecnologia 4K –, o lodge encanta pelos detalhes. Das paredes revestidas com madeira de demolição, às esculturas de pinguim da decoração e os grãos de pólen servidos no café da manhã. Para quem optar pelo sistema de pensão completa (cerca de US$ 500 por pessoa/ dia), pratos com cordeiro, jaiba (caranguejo local, primo da famosa centolla), salmão (criados nas fazendas vizinhas e completamente diferentes das peças molengas que nos apresentam no Brasil) e vinho local da melhor qualidade, até enjoar.

No spa do lodge, piscinas com águas termais
Divulgação/ Puyuhuapi Lodge & Spa
No spa do lodge, piscinas com águas termais

Pesca e esportes de aventura – como trekking por bosques com vegetação cerrada e corredeiras, até chegar a geleiras penduradas no topo das montanhas do Parque Nacional de Queulat; caiaque em lagos e baías escondidas; e pedaladas pela Carretera Austral –, são opções para quem não consegue ficar parado. Entretanto, nada se compara a passar horas e horas revezando-se entre as diferentes piscinas e hidromassagens (cobertas e a céu aberto) com a água naturalmente aquecida a 50º C. Lembre-se, esta é uma região de vulcões.

Chega a ser absurdo pensar que em uma região onde a temperatura média é de 6º C, com ventos cortantes e mais de 2 metros de chuva ao ano, é preciso esfriar a água para garantir mergulhos sem queimaduras. Até nos quartos, onde o sistema de aquecimento vale-se do mesmo recurso natural, não é raro o hóspede ter de dormir com a porta da varanda aberta para equilibrar o calor que sai da tubulação. (Pausa para ouvir o silêncio da noite batendo estranhamente nos ouvidos acostumados ao ruído incessante.)

O hotel ainda conta com cardápio de massagens (relaxantes e estéticas, a preço médio de US$ 120), veleiro e guia próprios para ajudar a explorar as belezas da região. Com tamanha desconexão, certeza de que em dois dias o relaxamento atinge o grau máximo. Mas para justificar a distância, um ou dois dias extras no são recomendados, bem como estender a viagem para explorar a Reserva Nacional de Cerro Castillo e o Lago General Carrera, onde está a Catedral de Mármore, mais ao Sul da região.

(*) A jornalista viajou a convite da Secretaria de Turismo do Chile e do grupo LATAM Airlines

(*) O Grupo LATAM tem voos diários do Brasil a Balmaceda, com saídas de São Paulo e Rio de Janeiro, e escala em Santiago do Chile, a partir de US$ 369 (valor apurado em 23/10/2014)

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