A língua, a culinária e os preços baixos são três argumentos fortíssimos para convencer os brasileiros de que vale a pena debutar na Europa em território português

O brasileiro viaja cada vez mais. Entre janeiro e maio de 2014, os turistas do País gastaram US$ 10,5 bilhões no exterior, contra US$ 10,3 bilhões do mesmo período em 2013. É desnecessário, portanto, apresentar argumentos para convencer um brasileiro a viajar. Escolher o destino, porém, é outra questão, bem mais complicada. E Portugal, de laços tão estreitos com o país que colonizou, tem alguns dos mais fortes argumentos a seu favor.

1- A língua portuguesa
Nada melhor do que viajar sem ter que enrolar a língua com o portunhol ou sem sofrer com países em que até o inglês é inútil. As diferenças entre o português falado em Portugal e no Brasil existem, mas os portugueses estão bastante adaptados às expressões que há tempos lhes foram apresentadas pelos habituais visitantes.

2- A culinária portuguesa
Portugal usa e abusa do bacalhau, ainda um artigo de luxo no Brasil. Mas não se limita a ele. Os peixes e frutos do mar são abundantes no país, e qualquer restaurante popular tem uma diversidade enorme de ambos, sempre por um preço bastante convidativo. Aos brasileiros com saudade de casa, é presença certa em todo cardápio um bom bife com batatas fritas. Mas não exagere e guarde espaço para os doces, tão gostosos quanto bonitos nas vitrines das pastelarias portuguesas.

Os autênticos Pastéis de Belém, únicos que levam o nome do bairro onde está a confeitaria
Paulo Tescarolo
Os autênticos Pastéis de Belém, únicos que levam o nome do bairro onde está a confeitaria

3- Os preços baixos
Os únicos países europeus que conseguem concorrer com Portugal no quesito preços baixos são os do Leste europeu. E muitas vezes em desvantagem. Em Portugal, um euro não é pouco dinheiro, e basta para comer um dos famosos Pasteis de Belém, por exemplo. Com sete euros é possível se fartar com uma refeição nos restaurantes locais, e um prato em um estabelecimento mais elaborado raramente passa dos 12 euros.

4- A distância para o Brasil
Basta olhar rapidamente para o mapa a fim de constatar que Portugal estabelece a distância mais curta entre o Brasil e a Europa. Do Rio de Janeiro e São Paulo, que têm os aeroportos mais movimentados do País, a viagem a Lisboa não chega a 10 horas. O fato de o aeroporto da capital portuguesa estar localizado no centro da cidade ajuda aqueles que na sequência querem rodar pelo Velho Continente.

5- As distâncias internas
De Lisboa, no Sul de Portugal, ao Porto, no norte do país, a viagem de carro leva menos de três horas. Alguns portugueses apressadinhos juram que é possível cobrir a distância em duas horas. Em duas horas e meia é possível ir de Lisboa a Albufeira, no Algarve, que tem algumas das mais belas praias do país. E em pouco mais de três horas pode-se sair da capital do país e chegar à Serra da Estrela, ótimo destino para os amantes do frio e região produtora de um dos melhores queijos do mundo.

O bonde, por lá conhecido como “elétrico”: a linha 12 de Lisboa faz o percurso até a colina onde fica o Castelo de São Jorge
Paulo Tescarolo
O bonde, por lá conhecido como “elétrico”: a linha 12 de Lisboa faz o percurso até a colina onde fica o Castelo de São Jorge

6- O transporte
Como na enorme maioria dos países da Europa, o transporte público funciona muito bem em Portugal. Ônibus, metrôs e bondes podem levar para cima e para baixo sem exigir grande esforço do turista. Os taxis têm preços bastante atraentes e ajudam a formar um leque de opções melhor que os carros alugados, muitas vezes problemáticos nas belas e estreitas ruelas das cidades portuguesas. Sem falar nos trens, uma alternativa rápida, fácil e charmosa para se deslocar dentro do país.

7- A mescla entre antigo e moderno
Portugal conserva da melhor maneira seus monumentos e construções antigas. Passear pelas vielas de Lisboa e do Porto, perder-se nas ruas de Sintra ou Coimbra é uma viagem no tempo. Mas sem abrir mão de luxos do mundo moderno sem os quais muitos turistas não conseguem viver, como a conexão de internet e os enormes shoppings centers. Sem falar nas regiões das grandes cidades que têm sido revitalizadas para receber quem prefere o luxo à história.

8- A sinceridade dos portugueses
Ao sentar em um restaurante, em caso de dúvida, pergunte sem medo a sugestão do garçom. Se o bacalhau não estiver bom, ele dirá sem hesitar. E, na hora de passear, se a distância for curta, os taxistas farão a sugestão sem pestanejar: vá a pé. Diferente dos brasileiros, muitas vezes incapazes de dizer “não”, os portugueses são literais e sinceros, doa a quem doer. Mesmo que seja a eles próprios.

9- Alguns dos melhores albergues do mundo
Lisboa colocou 11 albergues (ou hostels) entre os melhores do mundo, conforme o prêmio Hoscars de 2013. O Home Lisbon, em Lisboa, foi o mais premiado de todos, com cinco honrarias. Alternativa boa e barata aos hotéis, os albergues recebem sobretudo os jovens, atraídos pelo ambiente moderno e pela facilidade de interação com outros viajantes. Mas é cada vez mais frequente a presença de famílias, um hábito já antigo do europeu e que tem conquistado também os brasileiros.

10- A vista do alto
Lisboa, capital e cidade mais visitada de Portugal, é repleta de mirantes, todos com uma vista de tirar o fôlego. Destaque para quatro paradas obrigatórias: o Castelo de São Jorge, um dos monumentos-símbolo da cidade; o Miradouro de Santa Luzia, com vista privilegiada do Rio Tejo; o Miradouro de São Pedro de Alcântara, no lado oposto da cidade e de onde é possível admirar a arquitetura do Castelo; e o Miradouro de Nossa Senhora do Monte, que, segundo os lisboetas, e com toda razão, oferece a melhor vista da cidade.

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(*) O jornalista viajou a convite da Associação Turismo de Lisboa

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