Viena: moderna e multicultural sem perder o charme clássico

Por Rafael Bergamaschi , de Viena*

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Cidade que já foi capital de um poderoso império reserva bares moderninhos e gastronomia contemporânea aos interessados em conhecê-la por outros ângulos

Viena é uma cidade que impressiona. Basta uma pequena volta pelas largas ruas de pedestres no centro antigo para perceber que se trata de um lugar especial: poucas metrópoles europeias rivalizam com a capital austríaca, que encara Paris ou Londres sem perder a pose, em matéria de beleza arquitetônica.

A preciosidade com que foram erguidos a Opera Estadual de Viena ou o Museu de História da Arte, no entanto, representa apenas um aspecto notável de uma cidade rica em história, que se reinventa como polo moderno de cultura e entretenimento, abraçando a pluralidade de seus habitantes.

A capital austríaca vive um momento de revisão de conceitos, a começar pelo transporte urbano: há bicicletas por todos os lados. Quem visita a cidade hoje não imagina que a “revolução do ciclismo” se deu nos últimos dois ou três anos. Faixas exclusivas para ciclistas estão presentes em todas as principais ruas e o trânsito de bicicletas é quase tão intenso quanto o de carros. (Nota para os pedestres: poucas coisas irritam mais um vienense do que pessoas caminhando na área deles. Preste atenção à sinalização).

A praça Stephansplatz fica bem no miolo do centro histórico da cidade. É ponto de passagem certo nas andanças pela região. Foto: Getty ImagesDurante o verão, um cinema a céu aberto é montado na praça Karlsplatz. Os ingressos são gratuitos e os filmes são exibidos no idioma original. Foto: Flickr/Kino unter SternenA Passage é uma das baladas mais tops da cidade. Música eletrônica embala a pista de dança que fica repleta de arrumadinhos. Lugar para ver e ser visto. Foto: Divulgação/WienTourismusO Naschmarkt é boa opção para tomar um café da manhã e aproveitar um pouco dos sabores de diversos países presentes em Viena. Foto: Flickr/gunargrummtAfastado do centro, o Augarten é um parque que reúne flora exuberante em contraste com uma torre de defesa gigantesca, construída durante a 2ª Guerra Mundial. Foto: Divulgação/WienTourismusO Burggarten é o antigo jardim privativo do Palácio Imperial de Hofburg, lar principal da dinastia Habsburgo na capital austríaca. Foto: Divulgação/WienTourismusO Museu de História Natural tem réplicas de dinossauros e a Vênus de Willendorf. Datada de 2.500 A.C, a estátua representa uma visão idealizada da mulher à época. Foto: Getty ImagesOs cafés de Viena são quase uma instituição. Impossível conhecer a cidade sem gastar boa dose de tempo nas cafeterias locais. Foto: Getty ImagesO Danúbio é o rio que corta a cidade. Sobre suas águas, há restaurantes e barzinhos repletos de turistas e com preços acima da média. Foto: Getty ImagesO Schönbrunn é o palácio de verão dos Habsburgo. Foi construído para competir com Versalhes, na França.. Foto: Getty ImagesO parque de diversões Wurstelprater foi estabelecido em 1766 e se mantém em pleno funcionamento até os dias de hoje. Foto: Getty ImagesCom ares nostálgicos, o Wurstelprater parece um cenário saído direto do filme “Zumbilândia”. . Foto: Divulgação/WienTourismusNo Wurstelprater há duas opções de “Chapéu Mexicano”. Uma menor, para crianças, e o maior brinquedo do tipo no mundo, com 117 metros de altura. Foto: Divulgação/WienTourismusViena tem opções de baladas de segunda-feira a domingo. Foto: Divulgação/WienTourismusAlém de uma fachada pitoresca, o Palácio de Belvedere tem um museu interno. Foto: Getty ImagesCafé Demel, um exemplo de boa cafeteria vienense. Foto: Divulgação/WienTourismusO Wiener Schnitzel é o prato vienense mais famoso: um escalope finíssimo de vitela empanada. Foto: Divulgação/WienTourismusEm Viena, não é preciso sair da cidade para conhecer uma vinícola. Foto: Divulgação/WienTourismusA Opera Estadual de Viena tem periodicamente espetáculos de gabarito internacional. Foto: Divulgação/WienTourismusO MuseumQuartier é uma área no centro histórico que reúne uma série de museus. Foto: Divulgação/WienTourismusNo jardim do Schönbrunn, uma estufa erguida no século 19 chama atenção pela imponência da construção . Foto: Getty ImagesEm dezembro, é possível curtir o clima dos ‘mercados de natal’. Barracas de madeira são montadas em praças, servindo comidas típicas e vinho quente. Foto: Getty ImagesVista do rio Danúbio, à noite. Foto: Divulgação/WienTourismusO Burgtheater é o Teatro Naciona Austríaco, e foi erguido em 1741. Foto: Getty ImagesUma das principais características de Viena é o clima descontraído dos bares da cidade. Foto: Divulgação/WienTourismus

Outro aspecto que parece cada vez mais natural a Viena é a forte presença de imigrantes. Representando quase um quarto da população total, que fica em torno de 1, 7 milhões, os moradores vindos de outros países são alguns dos responsáveis por dar à cidade sua face atual: um lugar acolhedor, vibrante e multifacetado, que presa muito pela qualidade de vida.

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Mais moderna do que careta

Viena é uma cidade presente no imaginário brasileiro e talvez a principal responsável por isso seja a Imperatriz Isabel da Áustria, mais conhecida como Sissi. Enquanto os mais velhos se recordam de uma trilogia de filmes lançada na década de 50, os mais novos viram a história da princesa rebelde, que desafiava as tradições familiares, na série de desenhos animados “Sissi”, exibida na segunda metade dos anos 90. As duas produções culturais, no entanto, se passam em uma Viena do século 19 que não é exatamente moderna para os padrões de hoje.

O charme dos tempos áureos do Império Austro-Húngaro ainda está lá – assim como os palácios frequentados por Sissi – proporcionado pela arquitetura neoclássica, pelos cafés centenários e pelas frequentes atividades culturais como óperas, concertos e balés. Junto disso, no entanto, há os grafites às margens do rio Danúbio, a gastronomia contemporânea que aparece em restaurantes moderninhos, os festivais de cinema e de música eletrônica e as baladas de segunda a domingo, que terminam com o nascer do sol.

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Comece o dia com um café da manhã no Naschmarkt

Para sentir um pouco dos diferentes sabores e contextos presentes hoje na capital austríaca, o dia pode começar com um café da manhã no Naschmarkt, o mercado a céu aberto onde se pode escolher entre dezenas de barraquinhas de comida e restaurantes com mesas ao ar livre. O Tewa oferece comida orgânica. O Neni é um restaurante que mescla a gastronomia de Israel com sabores orientais. O Orient & Occident tem o melhor da comida turca.

Se visitar o mercado, aproveite a proximidade física e caminhe até o MuseumsQuartier. No coração do centro histórico, a região abriga alguns dos principais museus da cidade. Para fugir do óbvio, uma boa opção é o Museu de História Natural, que abriga réplicas de dinossauros em tamanho real e a estátua original da Vênus de Willendorf. Datada de 2.500 A.C, ela representa uma visão idealizada da mulher à época, bem diferente dos padrões de hoje. Outra opção perto dali é o Mumok, museu de arte moderna que mescla pinturas, esculturas, fotografias e vídeos com foco nas correntes artísticas surgidas entre os séculos 20 e 21, representadas por artistas de peso como Pablo Picasso, Claes Oldenburg e Andy Warhol.

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Entre um Schnitzel e outro

Depois de gastar as solas dos sapatos pela manhã, chega o momento que talvez seja o mais difícil em Viena: o almoço. As opções são muitas e, como toda a cidade, vão do clássico ao moderno sem perder a desenvoltura. O Wiener Schnitzel é o prato vienense mais famoso: um escalope finíssimo de vitela empanada. Há também opções com carne de porco ou frango. Prove a receita no Zum Leupold (Schottengasse, 7). Ainda que um pouco turístico demais, o restaurante de ares cinquentistas, decorado com motivos dourados, oferece ótimas opções de pratos austríacos típicos a bons preços.

Divulgação/WienTourismus
O Wiener Schnitzel, um escalope finíssimo de vitela empanada, é o prato típico da cidade


Mais moderno, o restaurante de decoração minimalista Schöne Perle (Grosse Pfarrgasse, 2) usa apenas ingredientes orgânicos e de produtores locais na elaboração dos pratos. Sopa de melancia, salada de abacate com coentro, Tafelspitz (carne cozida à moda de Viena) e Knödel recheado com salsicha são algumas das opções. Além das opções fixas, há um menu executivo que muda diariamente.

Quem viaja com um orçamento maior, pode provar a cozinha contemporânea do Silvio Nickol Gourmet Restaurant (Coburgbastei, 4 ), que fica dentro do hotel cinco estrelas Palais Coburg. Aberto em 2011, o empreendimento mais recente do chef que já foi agraciado com duas estrelas do guia Michelin funde as gastronomias austríaca e francesa. Além de pratos bem elaborados, o restaurante conta com a adega do hotel, uma das mais bem constituídas da Europa, com mais de 60 mil garrafas, de 5.500 rótulos diferentes, avaliada em 25 milhões de euros.

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A cidade dos dois mil parques

Segundo o órgão oficial de turismo de Viena, o território da capital austríaca tem um total de dois mil parques. Grandes, pequenos, médios, centralizados ou afastados de tudo, parece haver, realmente, parques para todos os gostos. Este é, inclusive, um dos aspectos primordiais que fez Viena ser eleita em 2011 como a melhor cidade do mundo para se viver, em ranking estabelecido pela firma de consultoria Mercer.

Divulgação/WienTourismus
Antigo jardim privativo do Hofburs, o Burggarten é o lugar ideal para curtir a preguiça do pós-almoço

O Palácio Imperial de Hofburg é um passeio em si. Lar principal da dinastia dos Habsburgo até o começo do século 20, o local abriga tesouros e obras de arte, a biblioteca nacional e a Escola Espanhola de Equitação. Quem quer apenas descansar pode aproveitar a localização privilegiada do Burggarten, parque que integra o complexo. Além da vista do palácio, o antigo jardim privado abriga uma estátua em homenagem ao músico Wolfgang Amadeus Mozart e, o mais legal de tudo, uma casa de borboletas. Ali, é possível observar diversas espécies do inseto e dividir a estufa climatizada com elas.

O parque Augarten é um pouco mais afastado do centro, o que funciona como uma desculpa para explorar outra parte da cidade. Projetado no estilo barroco francês, ele tem 52 hectares e abriga castanheiras, limoeiros e bordos. Chamam mais atenção do que a vasta flora, no entanto, duas imensas torres de defesa, construídas ao fim da Segunda Guerra Mundial. São verdadeiros monstros acinzentados em meio ao verde.

Para um passeio mais animado, o Prater é, mais do que uma das maiores áreas verdes da cidade, lar de um parque de diversões com ares nostálgicos e várias atrações que valem a visita. Além dos clássicos carrinhos bate-bate, roda gigante, pista de kart e barco viking, há o Prater Turm, brinquedo que se assemelha ao Chapéu Mexicano e é o maior desse tipo no mundo. São pequenas cadeiras de ferro elevadas a uma altura de 117 metros, que giram em torno do mastro central.

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Bares, baladas e uma sauna

Depois de tomar um café e se empanturrar dos celebrados doces em alguma das centenárias cafeterias da cidade (leia aqui sobre os melhores cafés vienenses), é hora de fazer algo mais animado.

Os cinéfilos têm à disposição duas opções bem nostálgicas. No verão, é armado um cinema a céu aberto na Karlsplatz. Nesta praça, é possível apreciar clássicos do cinema, como “Casablanca”, gratuitamente. Uma fonte imensa e uma igreja barroca servem de cenário e, em vez de pipocas e refrigerantes, um bar de coquetéis garante o combustível para a empreitada. A alternativa durante o inverno é o Gartenbaukino (Parkring, 12). O cinema, que já foi o maior de Viena, foi erguido nos anos 60 e mantém a decoração original. Nos dois casos, os filmes são exibidos no idioma original – com legendas em alemão, claro.

Flickr/Kino unter Sternen
No verão, é armada uma tela de cinema na Karlsplatz. Ingressos são gratuitos

A maioria dos guias de viagem recomenda a região do Bermuda Dreieck (Triângulo das Bermudas), nas cercanias da praça Schwedenplatz, como “o” lugar para curtir a noite. Talvez isso tenha sido verdade no passado, mas hoje o bairro abriga dezenas de bares caros e sem personalidade, repletos de turistas conversando em inglês e fumando narguilé. Prefira a região conhecida como Gürtel. O viaduto, que fica embaixo da linha 6 do metrô, é o reduto underground da capital.

O pub Chelsea (Lerchenfelder Gürtel, Stadtbahnbögen 29-30) foi o primeiro a se estabelecer por ali. Com ares ingleses, ele tem apresentações semanais de bandas de rock vindas da terra da rainha e é boa opção para começar a noite. Uma alternativa na região é o Café Concerto (Lerchenfelder Gürtel, 53). O bar com luzes de neon e palmeiras de plástico tem um quê psicodélico e conta com dois palcos para shows. Grupos de Jazz e cantores folk costumam tocar no local.

Outra queridinha dos guias de viagem, a Flex (Waldsteingartenstraße, 135), é uma balada de música eletrônica à beira do Danúbio que deve ser evitada. O local já abrigou uma danceteria de vanguarda na cidade, mas hoje tem clima decadente e pouco amistoso. A região que cerca o local fica repleta de vendedores de drogas durante a madrugada.

Se a ideia é curtir a noite como se não houvesse amanhã, a Pratersauna é um dos lugares mais badalados. Montada dentro de uma sauna dos anos 60, a balada abriga duas pistas de dança que tocam o melhor da música eletrônica – além de duas piscinas que podem ser usadas durante o verão. Hipsters e moderninhos compõem a clientela cativa. A Pratersauna foi eleita por dois anos consecutivos como a segunda melhor casa noturna da Europa pelos leitores da revista alemã especializada “de:bug“.

* O repórter viajou a convite da Contiki e da companhia de intercâmbios STB

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