Área de 500 hectares é mantida pela família Purcell, de origem norte-americana, que adquiriu o hotel no início dos anos 1960

Agência Estado

Em certas noites de lua cheia, é possível ouvir lamentos vindos da lagoa. É a alma do inca Illi Yunqui, vagando ao redor do "túmulo" de sua amada, a princesa Kora-llá, que despencou tragicamente de um precipício. Seu corpo, envolto em lençóis brancos, foi deixado naquelas águas profundas e as tingiu com cor de esmeralda. Desde então, naquele lugar, uma aura de amor e mistério vive coberta pelo manto silencioso da neve. A lenda sobre a Laguna del Inca é contada em uma das pinturas que decora a área de convivência de Ski Portillo, no Chile. É com vista para a belíssima lagoa, que reflete parte dos Andes, que os cerca de 450 hóspedes do hotel fazem suas refeições.

Fundado em 1949 pelo governo chileno, trata-se do mais antigo centro de esqui do país. Depois, vieram outros, como Valle Nevado, queridinho dos brasileiros, e Termas de Chillán, ao sul. O nome Portillo foi herdado da estação da antiga estrada de ferro Transandina, desativada na década de 1970, que ligava a pequena Los Andes à vizinha argentina Mendoza. Hoje, o local, a duas horas da capital Santiago, pode ser acessado por uma sinuosa porém bem conservada estrada, de onde se vê o Aconcágua, o pico mais alto do continente americano.

Mais: Esqui para crianças no Valle Nevado

Em Portillo há pistas para iniciantes e pontos que só podem ser acessados via helicóptero
Divulgação
Em Portillo há pistas para iniciantes e pontos que só podem ser acessados via helicóptero

Ali, a área de 500 hectares é mantida pela família Purcell, de origem norte-americana, que adquiriu o hotel no início dos anos 1960. Nesta área, entre junho e outubro, estão disponíveis de pistas para iniciantes a pontos que só podem ser acessados via helicóptero. Portillo é assim: democrática. Não tão longe de onde crianças se divertem estão pistas nas quais treinam esquiadores profissionais, como os da seleção dos Estados Unidos. São 34 pistas - 19 delas sinalizadas.

Se a vista privilegiada faz de Portillo um lugar de natureza exuberante, dentro do hotel não há ostentação. Boa parte de sua estrutura foi mantida sem grandes mudanças desde a inauguração - das cadeiras de madeira maciça e encostos altos que decoram o bar às paredes forradas com couro marrom do restaurante principal. Sim, às vezes parece que Portillo parou no tempo. De propósito.

Ainda que o hotel tenha mimos tecnológicos, com Wi-Fi grátis, a falta de TV nos quartos convida os hóspedes a socializar. Depois do jantar, é no hall em frente ao restaurante que famílias lotam os sofás para conversar e jogar cartas, enquanto crianças se ajeitam num canto para cochilar. O clima familiar domina até locais com vocação baladeira. No bar do hotel - aberto do meio-dia à meia-noite -, é comum ver casais acompanhados de crianças, que passam correndo pelo salão para abastecer potinhos com o que, para elas, são os maiores atrativos: batatas chips e amendoins oferecidos livremente.

Leia também: Descance nas águas termais chilenas

Aprecie a cordilheira de dentro de uma piscina aquecida
Divulgação
Aprecie a cordilheira de dentro de uma piscina aquecida

Para os adultos, é lugar de provar o Portillo sour, versão especial (e secreta) do típico pisco sour, que em sua versão original leva pisco, suco de limão, açúcar e clara de ovo. Só não exagere no álcool, já que o ar seco, causado pela altitude de 2.800 metros acima do nível do mar, facilita a desidratação. Aliás, aproveite a proximidade com a lagoa, que fornece água potável e pura para todas as torneiras do hotel, e beba bastante líquido. Também abuse de protetores solar e labial e de creme hidratante - assim você evita se olhar no espelho e vislumbrar como será sua pele em dez anos.

Passo a passo

Para quem tem pouca ou nenhuma familiaridade com esportes de neve, instrutores bem preparados e atenciosos oferecem aulas coletivas ou particulares tanto de esqui como de snowboard. São cerca de 20 profissionais - número que sobe para 35 em julho, quando os brasileiros correspondem a 90% dos hóspedes. Os equipamentos de esqui podem ser alugados lá, mas roupas (calça, jaqueta e luvas impermeáveis) devem vir na bagagem. Caso falte algo, há uma loja no primeiro andar. Na hora de fazer as malas, não se esqueça de levar roupa de banho.

Depois que as pistas fecham, às 17 horas, um mergulho na piscina ou em uma das jacuzzis do hotel - a céu aberto, com água a 38 graus e uma vista deslumbrante da lagoa - é uma boa forma de relaxar os músculos. Outro bom programa é pegar o teleférico que leva ao restaurante Tio Bob’s, a 3.200 metros de altitude. As comidas servidas no bufê self-service, com opções de saladas e grelhados, são mais simples do que no restaurante principal. Mas comer pisando na neve, com mesas de madeira ao ar livre, e cercado pelas montanhas, vale a experiência.

De segunda a sexta-feira, das 13 às 15 horas, o hotel permite que iniciantes subam o teleférico sem esqui para almoçar no local. E por falar em comida, é do restaurante principal os melhores pratos, servidos a la carte - três opções no almoço e mais três no jantar, entre elas, uma vegetariana. A lista, elaborada pelo competente chef Rafael Figueiroa, é extensa. São 13 dias sem repetir um prato, o que resulta em quase 80 criações, sem contar entradas (camarões equatorianos com pudim de espinafre e molho de tamarindo entre elas) e sobremesas (como o brownie de chocolate com sorvete de cappuccino e calda de frutas vermelhas). Sim, você vai precisar esquiar muito para queimar as calorias.

Leia também:
- Segurança e diversão para crianças no Valle Nevado
- Relax em águas termais compensa tombos na neve

Acompanhe as novidades do iG Turismo pelo Twitter 

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.