Vida em hotel: mordomias e dificuldades de quem mora onde deveria passar férias

Por Priscilla Borges , da Cidade do Panamá*

Texto

Redes hoteleiras investem em estabelecimentos com ambientes parecidos com os de casa para hóspedes têm de transformar o hotel em lar

Café da manhã pronto logo cedo, cama arrumada todos os dias, toalhas e roupas de cama sempre limpas e segurança 24 horas. Rotinas dignas de uma casa bem administrada? Pode ser, mas para muitos estas são mordomias essenciais para quem trabalha longe de casa e precisa morar em um hotel, com rotina bem diferente da de uma viagem de turismo. “Há diferentes tipos de viajantes e precisamos desenhar os hotéis para atender essas necessidades”, afirma a vice-presidente e gerente global da marca Residence Inn Marriott, Diane Mayer, para quem haverá grande crescimento desse tipo de hotel nos próximos anos.

Que o diga os mexicanos Diana Palatox, 35 anos, e Roberto Torres, 36 anos, que estão conhecendo de perto essa realidade. Funcionários de uma multinacional, foram transferidos para a Cidade do Panamá, capital panamenha, há três meses. Desde então estão hospedados no Marriot Executive Apartments (MEA), onde contam com um apartamento com dois quartos, sala grande e cozinha equipada com quase tudo, por diárias que partem de US$ 139. “Só tive de comprar alguns utensílios”, diz Diana.

Leia também: Os hotéis mais estranhos do mundo

Priscila Borges
Eduardo tinha seis meses quando Graziela e o marido foram morar em Montevidéu

Para deixar os ambientes com “cara de casa”, as redes hoteleiras que investem nesse segmento apostam em apartamentos de 30 m² a 50 m², divididos em compartimentos (isto é, com quarto, sala e cozinha bem separados), decorados com móveis de melhor qualidade e diversos enfeites que, no caso de Diana se misturaram com fotos e objetos pessoais. “Espalhei por todos os lados para dar um toque mais pessoal”, diz.

Para Diana, além da falta que sente de ter uma lavandeira coletiva para cuidar da roupa da família, a maior dificuldade de adaptação se deve a pouca área disponível para as crianças. “É difícil conseguir espaço dentro de casa para elas e todas as coisas que possuem”, diz Diana, referindo-se aos filhos de três e um ano. Mas apesar de tudo, ela garante que está gostando. “Não importa se aqui é um hotel, nesse momento, é a nossa casa.” Em julho, a família espera se acomodar na casa que escolheram na capital do Panamá.

Mais: Faça um mochilão em grupo

Para Pedro Cobra, de 28 anos, que passou um mês e meio em um hotel-residência em San José, capital da Costa Rica, a experiência foi tranquila. Além de se adaptar ao clima local rápido, encontrou no hotel (onde o preço das diárias começa em US$ 179) o apoio que um jovem solteiro precisava para se sentir em casa. Um espaço para trabalhar, dormir, cozinhar de vez em quando e serviços de lavanderia e até de compras, se preciso, à disposição. “O hotel facilita a vida até nos adaptarmos”, afirma ele, que, agora, está instalado em uma casa de três quartos, pronta para receber visitas do Brasil.

Sozinho é mais fácil

O relato de Pedro, solteiro, é bem mais animador que o de famílias com filhos que precisam passar períodos longos em hotéis. Graziela Alvarez Corrêa da Costa, 36 anos, viveu as duas experiências e conhece bem as vantagens e desvantagens de cada uma. Nascida em Santos, Graziela saiu cedo de casa para estudar. Aos 25 anos de idade ela foi morar em Buenos Aires, Argentina, e por quase cinco meses passou por dois apart-hotéis diferentes, que ofereciam pouco mais do que quarto, banheiro e cozinha. As limitações, no entanto, não eram problema, porque estava sozinha.

Priscilla Borges
O casal Diana e Roberto deixou o México há mais de três meses para morar na Cidade do Panamá

“A comodidade de não ter que se preocupar com os afazeres domésticos e estar em um lugar em que funcionários (normalmente) te tratam bem e estão prontos para ajudá-lo é uma vantagem. Além disso, o hotel já conta com internet, TV a cabo, o que nem sempre está disponível imediatamente após o aluguel de um imóvel”, afirma.

Já no inverno de 2010, quando Graziela e o marido se mudaram para Montevidéu, no Uruguai, com um filho de seis meses, a situação foi bem diferente. Até encontrarem uma casa eles ficaram hospedados em um hotel convencional, com quarto apertado, sem cozinha ou sala. “Foi um período muito difícil. Eu praticamente passava o dia dentro do hotel e o quarto era um quadrado de apenas 16m²”, conta.

Com a limitação de espaço, era difícil manter o pequeno entretido. Ela conta que passava horas no café da manhã e descia várias vezes com o filho para que ele brincasse no lobby do hotel a ponto de todos os funcionários o conhecerem pelo nome. Alimentá-lo também era um problema, já que tinha de apelar para as papinhas industrializadas pela falta de uma cozinha. “Na próxima, vamos para um hotel-residência”, diz.

Residência permanente

Desde agosto de 2009, a servidora pública Évellyn Christinne Brüehmüeller Ramos, 28 anos, optou por fazer do Hotel Bonaparte, em Brasília, sua residência permanente. Ali, cerca de dois terços dos apartamentos têm moradores permanentes. “A proximidade do trabalho, a praticidade de ter serviços de limpeza diária, área de lazer, equipe de manutenção 24h e segurança, além do preço mais razoável em relação ao do metro quadrado de um apartamento em Brasília, ajudaram na nossa decisão”, conta.

O alto preço – por conta dos serviços oferecidos –, a péssima acústica dos apartamentos e a falta de uma lavandeira coletiva estão na lista de desvantagens, mas, até o momento, ela prefere enfrentá-las. “Cada um deve avaliar seu momento de vida para escolher a opção que mais se adeque em seu orçamento”, diz.

* A repórter viajou a convite da rede de hotéis Marriott

Leia também:
- Hotel 'bolha' abre as portas na Estônia
- 11 dicas para uma viagem de carro perfeita

Acompanhe as novidades do iG Turismo pelo Twitter 

Leia tudo sobre: hotel
Texto

notícias relacionadas