Velejador brasileiro conta sua experiência e garante que a aventura é a síntese de um sonho de liberdade

Sempre tive uma ligação muito forte com a água
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Sempre tive uma ligação muito forte com a água", diz Raimundo Nonato do Nascimento

Quando o comerciante Raimundo Nonato do Nascimento respondeu ao pedido de entrevista para esta reportagem ele estava em alto mar, a caminho da Austrália. Não conseguiríamos conversar por telefone, então nos falamos por e.mail, com sua internet operada via satélite. Nascimento tem 61 anos e começou a velejar há cerca de 30 anos na represa Guarapiranga,em São Paulo.“Fiz um curso rápido de vela em 1980. Em seguida, comprei um veleirinho de seis metros, no qual velejava nos finais de semana. Sempre tive uma ligação muito forte com a água”, diz.

Em março de 2011 ele saiu de Ilha Bela com destino ao Rio de Janeiro. De lá, singrou até o Recife, de onde partiu rumo a Grenada, no Caribe. De Grenada foi a Colon, no Panamá, onde atravessou o canal do Panamá chegando à Cidade do Panamá para partir, em seguida, rumo às Ilhas Marquesas, na Polinésia Francesa. Até aí, foram cerca de três meses. Nesse roteiro, o trecho mais longo foi o último, que durou 31 dias.

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Se uma viagem longa já exige muito preparo, para estar em alto-mar, com as intempéries e imprevisibilidades próprias da natureza, o planejamento deve ser ainda mais delicado. “O planejamento tem que ser para toda a viagem. Ao sair do Brasil e voltar ao Brasil, dando uma volta ao mundo, as paradas são estratégicas para manutenção e provisionamento do barco. Todas as questões como mapas, cartas náuticas e vistos já devem estar resolvidos antes da partida”, explica o velejador.

No trecho entre Venezuela e Colon, no Panamá, Nascimento teve uma pane elétrica no barco, perdendo todos os controles de navegação. Não por sorte, mas porque é precavido, o velejador tinha consigo um GPS portátil movido à pilha, e foi este equipamento que o ajudou a chegar a Grenada, onde pode consertar tudo antes de seguir viagem. “Em alto-mar, os riscos vão desde a colisão com um barco de pesca ou navio, até o encontro inesperado com um furacão. É preciso conhecer muito bem a navegação em mar aberto para se livrar desses percalços”, lembra o velejador. Por isso, além do planejamento, bom senso e equilíbrio são essenciais para não entrar em pânico em momentos difíceis. Mas ele garante que todos os esforços são recompensados quando o continente aparece ao longe e é possível gritar “terra à vista!”.

“O veleiro é a síntese de um sonho de liberdade e autonomia, tendo como principal fonte de energia o vento. A viagem solitária permite um encontro comigo mesmo, com tempo de sobra para os questionamentos existenciais. Sem ter ninguém com quem conversar, converso comigo mesmo, e obtenho respostas para quase tudo”, afirma aventureiro.

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