De passeios religiosos a gastronômicos, conheça 7 motivos para fugir dos roteiros mais óbvios na Colômbia

Os atrativos que normalmente levam um turista a escolher a Colômbia como destino não estão em Santiago de Cáli, ou apenas Cáli, como é conhecida a capital do Vale do Cauca. A cidade não é banhada por águas caribenhas ou cercada por muros tombados que fazem de Cartagena das Índias o local mais conhecido pelos brasileiros no país. Com 2,2 milhões de habitantes, tampouco é tão cosmopolita como a capital Bogotá. Da Amazônia colombiana está distante mais de 500 quilômetros. A boa notícia para quem pretende fugir do óbvio ou não se contenta em explorar só os principais cartões-postais de um país é que há razões de sobra para uma estada muito bacana em Cáli, ou “chevere”, na gíria local.

Quais são elas? Assim como no resto da Colômbia lá também está o povo alegre e hospitaleiro que contribui para qualquer viagem ficar divertida – os calenhos, inclusive, se vangloriam de serem os mais simpáticos do país e dizem que o povo de Bogotá é muito sério e fechado.

Leia também:  Várias viagens em uma, em Cartagena



As opções para provar a gastronomia local – uma mistura de culinária espanhola, quéchua e africana, que utiliza muito milho, mandioca, batata e plátano (um tipo de banana) nas receitas – são fartas como são fartos os pratos oferecidos. Há ainda tradicionais e belas igrejas (92% da população da Colômbia é católica); artesanato alegre e colorido – e barato para os padrões atuais brasileiros –; um clima que vai do ameno ao quente durante todo o ano; muitas áreas verdes e dois rios limpos e bonitos, o Cáli e o Pance, que atravessam a cidade e com os quais a população interage, seja sentando em bares próximos a eles, seja se banhando nas águas nos dias mais quentes.

Mais: 48 horas em Cartagena

A seu tempo, cada uma dessas atrações ou características cria uma atmosfera agradável ao turista, que naturalmente se sentirá bem para aproveitar aquilo que é considerado a vocação natural da cidade: a diversão, simbolizada pelo maior orgulho dos calenhos, a salsa.

Veja como se divertir em Cáli:

1. Aprenda e dance salsa

Embora o ritmo não tenha sido inventado em Cáli, a cidade é conhecida como a capital mundial da salsa em razão da popularidade do som entre a população e uma coleção de títulos conquistados por calenhos em concursos internacionais de dança. Importada pela primeira vez junto com cubanos que foram trabalhar na Colômbia, no século 19, a salsa caiu no gosto, no princípio, das classes sociais menos favorecidas. Ao longo do século 20, foi se moldando pela influência de outros ritmos latinos e africanos e ganhando adeptos também entre os mais abastados, até ganhar um estilo próprio. A salsa dançada em Cáli é menos romântica e elegante que a de Cuba, mas se diferencia pelos movimentos rápidos dos pés, que podem ser mais ou menos ousados e incluir piruetas e saltos, dependendo da habilidade dos bailarinos.

Em uma das mais de cem escolas de salsa presentes em Cáli, onde crianças aprendem a bailar desde cedo e profissionais treinam diariamente coreografias impressionantes para apresentações e competições, estrangeiros também podem conhecer os passos básicos e necessários antes de se arriscar na pista de dança. “1-2-3, 1-2-3”, ensinam os professores para grupos de turistas com níveis de molejo variados. Uma aula custa em torno de R$ 20 e um pacote com 12 horas, R$ 50. Para por em prática o aprendizado, os bairros que concentram a maior parte dos 80 clubes especializados em salsa são Juanchito (leste) e Menga (norte).

Escolas:

Rucafé
Carrera 36, n° 8-49
Tel: 57 (2) 682-6705

Son de Luz
Rua 7, nº 27-32, 2º andar
Tel: 57 (2) 315-4224

Swing Latino
Carrera 31, nº 7-25
Tel: 57 (2) 374-2226

Clubes:

Chango
Km 3 da estrada 8 para Cavasa
Tel: 57 (2) 662 9701

Tin Tin Deo
Rua 5, nº 38-71
Tel: 57 (2) 5141537

Zaperoco
Avenida 5 norte, nº 16-46
Tel: 57 (2) 661-2040

Agende-se:
De 25 a 30 de dezembro se realiza a Feira de Cali, festa popular com shows ao vivo e paradas musicais em vários pontos da cidade

Em setembro há o Festival Mundial de Salsa, competição internacional de salsa no Centro Cultural de Cali (Carrera 5, nº 6-05)

Mais: Divirta-se em Punta del Este sem gastar muito

Tradicional bairro de Santo Antônio, em Cáli
Tatiana Klix
Tradicional bairro de Santo Antônio, em Cáli

2. Perca-se no bairro Santo Antônio

O bairro que foi a extensão do centro da cidade na era colonial (século 19), também conhecido como Cáli Velho, merece ser desvendado com calma. Pelas ruas inclinadas do Santo Antônio estão preservadas construções coloniais onde moravam famílias tradicionais de Cáli. Hoje são ocupadas por artistas, artesãos e intelectuais ou foram transformadas em cafés, restaurantes e teatros. Caminhar entre elas, sem compromisso de chegar a algum lugar, é a melhor maneira de conhecer a área, de preferência com tempo para parar e experimentar um bom café colombiano ou conhecer a arte e o artesanato local.

O artista mais conhecido do bairro é o equatoriano radicado na Colômbia Mauro Phazan, cuja galeria abriga também um café numa casa com jardim (Carrera 12, nº 2-39). O Café Tostaky, embora seja administrado por franceses, é um ótimo lugar para tomar um autêntico café colombiano (Carrera 10, nº 1-76).

Na parte mais alta do bairro localiza-se o parque Santo Antônio, uma área verde e inclinada que fica lotada nos finais de semana e de onde se tem uma bela vista da cidade. No topo, a Capela Santo Antônio, construída em 1747 no estilo barroco, é um dos símbolos de Cáli. A igreja também é conhecida por abrigar um convento no qual vivem freiras que nunca saem para a rua.

Igreja da Ermita é o cartão postal mais popular
Tatiana Klix
Igreja da Ermita é o cartão postal mais popular

3. Percorra o roteiro da fé

Seja por motivos espirituais ou culturais, uma viagem a Cáli não pode excluir programações relacionadas a suas igrejas. Os templos, bastante frequentados pela população maciçamente católica, são também as principais referências arquitetônicas da cidade. Para conhecer os mais importantes, faça um passeio pelo centro, onde ainda terá a oportunidade de percorrer o circuito histórico da cidade.

Os pontos mais importantes são: a Catedral São Pedro, na praça Cayzedo, que abriga afrescos e imagens da Escola de Quito; a Igreja da Ermita, ícone principal de Cáli, cuja estrutura atual de 1930 é inspirada na Catedral de Colônia (Alemanha); o complexo religioso da Mercedes, com um convento, um museu e três capelas, onde foi celebrada a primeira missa da cidade, em 1536; o Palácio Arquiepiscopal, edifício de estilo colonial famoso por hospedar o libertador Simón Bolívar em 1822; o complexo religioso de São Francisco, onde estão o Templo de Nossa Senhora Imaculada, a Igreja de São Francisco, a Torre Mudéjar e o Convento de São Joaquim; e o Templo de São Fernando Rei, com fachada de pedra do período moderno clássico.

No passeio pelo centro, não deixe de visitar a praça Cayzedo, o Parque dos Poetas, o Teatro Municipal Henrique Buenaventura, o Museu do Ouro Calima e o Museu de Arte Moderna da Tertúlia, pontos importantes para entender as origens de Cáli.

O roteiro religioso continua para além dos limites da cidade. Dois importantes destinos de peregrinos nos arredores atraem milhares de fiéis todos os anos, principalmente na Semana Santa. Buga, a 70 quilômetros de Cáli, abriga a Basílica do Senhor dos Milagres, onde há uma imagem de 2,5 metros de altura do santíssimo redentor, visitada por peregrinos que acreditam em seus milagres curadores. Popayan, distante 125 quilômetros, tem o maior número de igrejas por metro quadrado da Colômbia. Conhecida também como cidade branca, por seu centro histórico ter casas nesta cor, oferece ao visitante vários museus religiosos. O mais procurado deles é o Museu Arquidiocesano de Arte Sacra, que abriga uma coleção de 12 custódias feitas de pedras preciosas.

Leia também:  15 programas imperdíveis em Cuba

Cores vibrantes estão entre as características principais do artesanato do Vale do Cauca
Tatiana Klix
Cores vibrantes estão entre as características principais do artesanato do Vale do Cauca

4. Admire e compre artesanato

Argila, bambu, couro, fibras naturais, madeira, cerâmica, barro e metais preciosos são os principais materiais usados pelos colombianos da região de Cauca na confecção de produtos artesanais. Mas não imagine que são artigos simples como os já batidos colares de semente hippies ou bibelôs no estilo souvenir. Mesmo os que não são fãs deste tipo de mercadoria não ficam indiferentes aos artigos de bom gosto como carteiras, bolsas, chapéus, bijuterias, objetos de decoração e tapetes.

O passeio mais tradicional para conhecer o trabalho é uma visita ao Monte da Cruz, um parque numa região alta que reúne artesãos ao ar livre expondo seus produtos. Além de artesanato, há apresentações musicais e encenações no local. No bairro Penhon também há uma praça com feira de artesanato ao ar livre. Já quem prefere uma programação de compras, mais objetiva, deve ir até a loja La Calenita, no bairro Alameda, (Carrera 24, nº 8-53/http://lacalenita.com/), que oferece opções variadas de produtos de qualidade com bons preços.

5. Experimente a gastronomia de Cauca

Os sabores mais tradicionais da culinária colombiana podem ser sentidos e experimentados na rua, nos parques, mercados. Isso porque os pratos mais típicos são também os mais populares, consumidos no dia a dia, e vendidos por ambulantes e estabelecimentos simples. Uma boa maneira de entrar em contato com a comida é fazer uma visita à Galeria Alameda (Rua 8, sem nº), um mercado público onde será possível conhecer os produtos “in natura” (muitos dos quais pouco conhecidos no Brasil) ou já preparados.

Saiba o que você não pode deixar de experimentar:

- arepa: massa achatada em formato circular feita de farinha de milho, servida como acompanhamento ou entrada;
- arroz atolado: arroz com consistência molhada misturado com carne de porco, linguiça e batata;
- chontaduro: pupunha, normalmente consumida depois de cozida com sal;
- champus: refresco de lulo (fruta com aparência do caqui, mas gosto similar ao kiwi), milho, abacaxi, canela, cravo e folhas de laranjeira;
- empanadas: pequenos pastéis com massa feita de milho recheados com carne de porco e batata;
- lulada: suco de lulo. Os sucos na Colômbia são preparados com as frutas cortadas dentro do copo em vez de totalmente desmanchadas;
- marrenitas: bolinho de plátano (tipo de banana) recheado com carne de porco;
- patacon: rodela de massa de plátano frito, também chamada de tostado de plátano;
- sancocho: sopa tradicional com uma carne e legumes, como batata, mandioca, plátano;
- suco de tomate de árvore (arbol) ;
- tamales: massa de milho com carne, envolta em folhas de plátano;

Mais: Um passeio mor Montevidéu no caminho dos pintores

Sancocho, a sopa tradicional colombiana com carne e legumes, é consumida até no café da manhã
Tatiana Klix
Sancocho, a sopa tradicional colombiana com carne e legumes, é consumida até no café da manhã

Para continuar explorando a culinária, quatro bairros de Cáli concentram bons restaurantes: Granada, Penhon, Cidade Jardim e Santa Mônica.

Restaurantes:

Ringlete (comida típica)
Rua 15 norte, nº 9N-31
Tel: 57 (2) 660-1540

Pacífico (frutos do mar)
Avenida 9 Norte, nº 12-18
Tel: 57 (2) 653-3753

Passion (pescados e mariscos)
Rua 14 norte, nº 9N-04
Tel: 57 (2) 653-3753

Kiva (cozinha de origem)
Carrera 105, nº 14-58
Tel: 57 (2) 318-1853

Carambolo (comida mediterrânea e latina)
Rua 14 norte, nº 9N-18
Tel: 57 (2) 667-5656

Obra principal do Parque do Gato Tejada é do escultor colombiano Hernando Tejada
Tatiana Klix
Obra principal do Parque do Gato Tejada é do escultor colombiano Hernando Tejada

6. Passeie ao ar livre

Cáli é uma cidade limpa, arborizada e com muitas áreas de convivência. Caminhar ao longo do rio Cáli é uma das atividades preferidas dos calenhos e não deve ser esquecida também pelo turista, que vai encontrar em uma das margens várias esculturas em formato de gato no Parque do Gato Tejada. A obra principal e maior do conjunto é do escultor Hernando Tejada, e outras gatas menores – criadas para fazer companhia ao felino que dá nome à praça – foram projetadas por diferentes artistas.


7. Fuja para a fazenda

Para conhecer a cultura da cana-de-açúcar, predominante na agricultura do Vale do Cauca, faça um passeio rápido. No município de Cerrito, a 42 quilômetros de Cáli, uma fazenda colonial foi transformada em museu e mostra os costumes do povo da região no século 19. O cenário inspirou uma famosa novela colombiana do escritor Jorge Isaacs, “María”. Na mesma região, em Amaime, outra fazenda, a Piedechinche, abriga o Museu da Cana, onde é possível ver o processo de transformação da cana-de-açúcar desde o século 16. 

* a repórter viajou a convite de Proexport Colômbia e Fenalco

Leia também:
- Bocas del Toro, onde o Caribe é mais autêntico
- O melhor da cidade do Panamá

Acompanhe as novidades do iG Turismo pelo Twitter 

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.