O navio de luxo Marina faz sua rota inaugural no Brasil. Suas atrações são a comida, o conforto e o tamanho reduzido: navega com no máximo 1.200 passageiros

A menor distância entre o Rio de Janeiro e os Estados Unidos é a rampa de um navio americano. O embarque é feito no Pier Mauá e, do momento em que você está a bordo do Marina, navio de médio porte da Oceania Cruises, entra em território americano. A moeda corrente é o dólar, a língua oficial é o inglês – embora os únicos que falem inglês como primeira língua sejam os passageiros, na maioria americanos e canadenses -, os horários são americanos, ou seja: se prepare para jantar entre seis e meia da tarde e nove da noite. A essa hora, os restaurantes já estão fechando e a atração noturna estará começando.

O navio americano Marina ancorado no Pier Mauá, no Rio
Ana Ribeiro
O navio americano Marina ancorado no Pier Mauá, no Rio

A primeira parada na costa brasileira do Marina, o caçula da frota da Oceania, com um ano e oito meses de idade – levou quatro anos para ser construído –, aconteceu dia 6 de dezembro em Salvador. Depois, a caminho do Rio, parou em Búzios dia 8. Ficou no Rio de 9 a 11. A viagem inaugural do Marina no Brasil foi essa em que eu embarquei, no Rio, no dia 11. Parou em Santos no dia 12 e chegou a Buenos Aires no dia 15. Os hóspedes podiam fazer a opção de ir até Valparaíso, no Chile, com parada em Montevidéu no dia 16.

Viajar de navio não é para todos. Em primeiro lugar você tem de estar disposto a conviver, confraternizar, socializar, fazer programas comunitários. Em segundo, tem de gostar da companhia dos mais velhos – a média de idade neste navio, que tem foco na gastronomia, é bem avançada. Criança até entra, a partir de um ano de idade, mas não tinha nenhuma a bordo – assim como nenhum adolescente tampouco. Em terceiro, você não pode ter nenhuma preocupação na vida – se for ansioso, estiver esperando um telefonema ou na iminência de receber uma notícia importante, esquece. Você vai passar grande parte do tempo no mar, sem conexão com o mundo. Se você chegou até aqui sem fazer careta, continue lendo.

Passageiros subindo a bordo do Marina no Pier Mauá, no Rio
Ana Ribeiro
Passageiros subindo a bordo do Marina no Pier Mauá, no Rio

Dia 1 – A saída do navio da costa do Rio estava marcada para as 18hs, o horário de chegada ao Pier Mauá não podia ultrapassar as 17hs. Era nessa hora também que quem já estava embarcado, e foi passar o dia passeando pelo Rio, tinha de estar de volta ao porto. Para alguns passageiros, que estavam deixando o Marina no Rio de Janeiro, aquele era o fim da viagem. Outros, como eu, começavam a viagem ali. Muitos americanos chegaram ao Rio de avião para pegar o navio.

No embarque, é como se você estivesse entrando nos Estados Unidos – precisa de passaporte (que fica retido na entrada e só é devolvido no seu destino, na hora do desembarque), passar pelo raio X, fazer check-in das malas.

Passageiros do Marina são convocados para treinamento de segurança
Ana Ribeiro
Passageiros do Marina são convocados para treinamento de segurança

Tudo é muito organizado. Ao chegar à cabine 8032, no oitavo andar, minha mala estava na porta. Foi o tempo de colocá-la para dentro e o “Deus” do navio, espécie de big brother que se comunica com os passageiros pelas caixas de som instaladas em todo canto e pelo circuito interno de TV, avisou que estava em curso um treinamento de segurança. Cada um deveria pegar o colete salva-vidas no seu quarto e ir, pelas escadas, para o auditório que fica no 5º andar. A cena a seguir foi meio cômica – um exército laranja da terceira idade subindo e descendo devagar, alguns contando com ajuda, as escadas do navio. O treinamento em si foi como as instruções de segurança em um avião – ninguém prestou muita atenção. Tinha um monte de gente dormindo na plateia. Vamos esperar que nenhuma emergência de fato ocorra.

O gerente geral do navio, o francês Dominique Nicolle, que está no mar há mais de 10 anos - há dois no Marina - disse que emergências como essa simulação, de ter de evacuar o navio, são raríssimas. "Nunca passei por nenhuma."   

Leia ianda:
- Conheça alguns do tripulantes do Marina e saiba o que eles pensam de trabalhar em um navio 

Do deck do Marina, os passageiros fotografam o pôr do sol e o Rio de Janeiro ficando para trás
Ana Ribeiro
Do deck do Marina, os passageiros fotografam o pôr do sol e o Rio de Janeiro ficando para trás

Quando fomos liberados, foi o tempo de vestir uma bermuda e subir para o deck da piscina com a câmera para ver o pôr-do-sol com a imagem do Rio de Janeiro ao fundo. O navio partiu, deixando a cidade para trás e o Cristo Redentor cada vez mais longe.

O Marina parte do Rio de Janeiro na hora do pôr do sol
Ana Ribeiro
O Marina parte do Rio de Janeiro na hora do pôr do sol

Ainda não tinha escurecido completamente quando decidimos arriscar ir jantar no Red Ginger sem reserva – nada feito. É preciso reservar para conseguir jantar nos restaurantes de “especialidades”, que são quatro: o oriental Red Ginger, o francês Jacques, o italiano Toscana e o de carnes Polo Grill. Fomos então para o Terrace Café, liberado de reservas. Sentamos na parte externa. A noite estava estrelada e a comida, variadíssima. Em sistema de bufê, tem saladas, pastas, grelhados (carne, frango, lagosta, camarão), sushi, comida mexicana e uma oferta de sobremesas de derreter qualquer coração: sorvete, torta de maçã, espetinho de frutas com calda de chocolate, bolos, tortas. Tudo menos receitas brasileiras. Pedi uma garrafa de vinho e, como não tomamos tudo, ela ficou guardada para tomarmos o resto amanhã ou nos próximos dias. Em qualquer restaurante, bastaria procurá-la pelo número da cabine.

O comediante Lee Bayless, que apresentou seu show de stand up no Marina Lounge
Ana Ribeiro
O comediante Lee Bayless, que apresentou seu show de stand up no Marina Lounge

A atração da noite era uma stand-up comedy com o texano Lee Bayless, que lotou o auditório e era bem engraçado. Não teria me incomodado de pagar um ingresso para ver o show que aqui no navio é de graça. Tudo é de graça, a não ser a bebida alcóolica. A garrafa do vinho francês La Moynerie (Sauvignon Blanc), safra 2010, custou 50 dólares.

Cabine 8032, com varanda externa
Ana Ribeiro
Cabine 8032, com varanda externa

Fiquei hospedada em uma cabine com varanda, como há outras 244 no navio (26 metros quadrados e varanda privativa), ao preço médio de 350 dólares por dia por pessoa. Era bem confortável, com TV, frigobar, banheiro com banheira e cama de sonho. O colchão era uma nuvem, lençóis deliciosos, edredon macio, travesseiros perfeitos.

Dia 2 – Ancoramos no porto de Santos às 8 horas da manhã. Para quem quisesse passear em terra firme, o navio oferecia transporte para Santos e Guarujá e também para São Paulo, para um tour de ônibus pela cidade. Muita gente embarcou em Santos para iniciar a viagem aqui. O navio ficou parado o dia todo.

Donuts são opção no bufê de café-da-manhã americano no restaurante Terrace Cafe
Ana Ribeiro
Donuts são opção no bufê de café-da-manhã americano no restaurante Terrace Cafe

Eu, logicamente, não entrei e nem saí: o navio era mais novidade para mim que qualquer das cidades próximas. O café da manhã no Terrace Cafe ia até as 10 horas. Tudo é feito no estilo americano – os cereais são variedades Kellogg's de caixinha, tem panqueca, waffles, aquelas frutas mais geladas que saborosas, ovos, bacon, donuts, bagel, torrada, geleia. O iogurte era grego. Os funcionários, mutirraciais – 700 pessoas vindas de 56 países. Tomei café sozinha porque uma amiga que estava viajando também, a jornalista Milly Lacombe, corintiana fanática, ficou no quarto ouvindo o jogo do Corinthians no Japão pelo rádio na internet, já que foi tudo o que ela conseguiu de conexão. Pelo barulho dos rojões dava para ver que Santos também estava vendo o Corinthians.

É estranho ficar parado no navio o dia todo, aquele monumento estacionado enquanto você vê a cidade pela janela. Decidi ir para o quarto desfazer a minha mala. Os espaços são muito bem aproveitados na cabine, e consegui esconder tudo o que trouxe, inclusive a própria mala, nos armários, cabides, gavetas, gabinetes – e embaixo da cama.

Academia do Marina, enquanto o navio estava ancorado no porto de Santos
Ana Ribeiro
Academia do Marina, enquanto o navio estava ancorado no porto de Santos

Fui para a academia. De novo é estranho andar em uma esteira virada para a janela, assim disposta para você ver o mar enquanto navega, olhando para o porto. Fiz um pouco de exercício e depois sentei na beira da piscina para ler. Tem uma biblioteca também no navio, sóbria e cheia de títulos em inglês para empréstimo. Preferi ficar ao ar livre. O dia estava nublado, mas tinha bastante gente tomando sol e dormindo nas espreguiçadeiras.

Salada Niçoise (verdes, atum grelhado, batata, ovos) no Grand Dining
Ana Ribeiro
Salada Niçoise (verdes, atum grelhado, batata, ovos) no Grand Dining

Almocei uma sopa fria de frutas vermelhas e uma salada Niçoise no Grand Dining Room, um restaurante monumental que serve café da manhã, almoço e jantar a la carte, e que dispensa reserva.

A aquarelista  Annelein Beukenkamp dá aula de arte no ateliê do Marina
Ana Ribeiro
A aquarelista Annelein Beukenkamp dá aula de arte no ateliê do Marina

De tarde participei de duas atividades da programação oficial: a primeira foi um workshop no “ateliê do artista”, com a aquarelista Annelein Beukenkamp, do Estado americano de Vermont. Ela ensinou um grupo de senhoras, e alguns senhores, a fazer um caderninho de viagem de páginas dobráveis para fazer desenhos, aquarelas ou anotações. Ela, como todos os funcionários do navio, fica a bordo durante alguns meses, e volta para casa por alguns outros. Um contrato básico prevê seis meses embarcado, dois meses em casa.

Conheci algumas pessoas e servi de intérprete para duas brasileiras que embarcaram naquele dia para uma viagem de 15 dias. Tinha uma razoável população de brasileiros a bordo.

O neurocirurgião e historiador Daniel Nijensohn faz palestra sobre a origem da América do Sul
Ana Ribeiro
O neurocirurgião e historiador Daniel Nijensohn faz palestra sobre a origem da América do Sul

Depois da aula fui para o Marina Lounge, o mesmo do treinamento de segurança e da stand-up comedy, assitir à palestra do dr. Daniel Nijensohn, neurocirurgião e historiador argentino radicado em Nova York, que falou sobre a origem da América do Sul, lembrando a descoberta da América e a atuação dos navegadores ingleses, holandeses, portugueses e espanhóis no desenvolvimento do Novo Mundo.

O jantar foi no francês Jacques Pépin, muito gostoso. O ambiente é mais íntimo e agradável, diferente dos salões do Terrace e do Grand Dining. A comida estava deliciosa. Tomei uma sopa cremosa de abóbora de entrada e camarões grelhados como prato principal. Pedi minha garrafa de vinho e tomei mais duas taças do branco La Moynerie, e ainda sobrou um resto para o jantar de amanhã. Estávamos jantando quando o navio partiu de Santos, por volta das 9 horas da noite.

Ambiente do restaurante Jacques Pépin, de cardápio francês no Marina
Ana Ribeiro
Ambiente do restaurante Jacques Pépin, de cardápio francês no Marina

Com o navio em movimento, dá muita vontade de ir para a cama. O balanço do mar dá a sensação de que você está dormindo em um berção, e a lembrança daquela cama deliciosa soa como um toque de recolher. Não consegui convencer ninguém a ir ao cassino: foi cada um para o seu quarto. Na cama, sou embalada pelo barulho das ondas e uma vontade irresistível de dormir. Adiante teríamos dois dias e três noites de mar direto, sem parar.

Dia 3 – Por algum motivo que ainda preciso entender, neste dia tivemos de atrasar os relógios do navio em uma hora. Meu plano era tomar café no Grand Dining, mas lá termina mais cedo, e eu tinha aula de culinária marcada para as 10 da manhã. A professora, a chef Kathryn Kelly, é uma mulher interessante – formada em medicina, trabalhou como médica e empresária até se aposentar, aos 47 anos, quando decidiu virar chef de cozinha, atividade que exerceu na juventude. Hoje ela atua na saúde pública americana melhorando a qualidade dos cardápios das escolas, e passa 8 meses por ano a bordo dos navios da Oceania Cruises; quando não o Marina, sua embarcação gêmea, o Riviera. “Vim trabalhar aqui a convite de um amigo, que me ofereceu  ficar dois meses a bordo. Isso já faz dois anos”, contou ela, que cresceu em uma granja de frangos em Middleburg, Virginia, e fala com paixão sobre ovos, os "alimentos perfeitos".

Aula de cozinha no Bon Appétit Culinary Center, com a chef Kathryn Kelly
Ana Ribeiro
Aula de cozinha no Bon Appétit Culinary Center, com a chef Kathryn Kelly

O tema da aula no Bon Appétit Culinary Center, autoproclamada a “única escola de culinária com aulas práticas em alto-mar”, era brunch. Milly, minha amiga corintiana, devidamente vingada com a vitória do Timão sobre o Egito, pilotou as panelas enquanto eu fotografava. O resto dos alunos eram senhores e senhoras compenetradíssimos. O preço da aula é 69 dólares.

“Aprendemos” a fazer pão, suflê de abobrinha com hortelã, ovos poché (esses são tão simples que até eu aprendi), crepes e salmão defumado (idem). Fiz um ovo poché de consistência tão perfeita que até agora estou com saudades dele. Kathryn me disse que se aquilo fosse uma prova, eu tiraria 10. Fomos experimentando enquanto cozinhávamos, e esse foi o nosso almoço. Para jantar, tínhamos reserva no Polo Grill, o restaurante de carnes e frutos do mar, às 7h30.

O ovo pochet perfeito sobre uma cama de legumes cozidos
Ana Ribeiro
O ovo pochet perfeito sobre uma cama de legumes cozidos

Com a tarde livre, fiquei rodando pelo navio. Fui à sala de computadores checar e.mails (50 dólares por uma hora de conexão – a internet do navio é como a UTI no hospital, você paga muito por minuto) e depois fui ver o que estava rolando de atividades. O Polo Grill foi invadido por um campenato de bridge. No Grand Dining estava acontecendo um bingo. O Toscana estava ocupado por uma degustação de vinhos.

O restaurante Polo Grill, que só funciona para o jantar, emprestou seu espaço para um campeonato de bridge
Ana Ribeiro
O restaurante Polo Grill, que só funciona para o jantar, emprestou seu espaço para um campeonato de bridge

O dia estava ensolarado e a piscina estava cheia. A maioria dos hóspedes dormia nas espreguiçadeiras com um livro no colo, mas a ala mais jovem curtia o sol. Fui até o spa (Canyon Ranch Spa Club) dar uma olhada nos tratamentos. No menu: limpeza de pele (135 dólares a de 50 minutos, 200 a de 80 minutos), hidratação facial (174 dólares por 50 minutos), tingimento das sobrancelhas (36 dólares) e dos cílios (45), depilação das axilas (36 dólares). Tinha massagens de 140 dólares (relaxante, 50 minutos) até 236 dólares (80 minutos de drenagem linfática). Sobre todos os preços ainda é cobrado um acréscimo de 18%.

Brasileiras no deck do Marina em um dia de sol na primeira viagem do navio no Brasil
Ana Ribeiro
Brasileiras no deck do Marina em um dia de sol na primeira viagem do navio no Brasil

O cassino estava agitado, fiquei ali conversando com um funcionário, o indiano George Mithun, de 30 anos, que trabalha há 6 meses no Marina, atuando como crupiê. “Eu gosto, conheço muita gente diferente, de vários países. Agora tenho amigos em vários lugares do mundo. Acho que todo mundo deveria trabalhar em um navio ao menos uma vez na vida.“ E no cassino, você já viu alguém ganhar? “Já vi ganhar, já vi perder. É um jogo.”

O cassino do Marina
Ana Ribeiro
O cassino do Marina

O jantar no Polo Grill não foi tão empolgante. Tomei uma sopa de lagosta de entrada e como prato escolhi um filé New York com salada cobb, aquela salada americana que tem tudo, menos salada: queijo, abacate, cebolinha, tomate cereja, ovo cozido, presunto cru. De sobremesa, uma torta de limão que ficou no prato: estava com gosto de sabonete. Terminei de tomar minha garrafa de vinho. Um amigo fotógrafo foi barrado no baile porque estava de jeans, que não obedece ao "dress code" dos restaurantes do navio. Como ele não trouxe nenhuma calça social, ficou de fora mesmo do jantar – e provavelmente dos próximos eventos sociais.

New York steak e salada cobb no restaurante de grelhados Polo Grill
Ana Ribeiro
New York steak e salada cobb no restaurante de grelhados Polo Grill

Dali fomos de novo para o Marina Lounge. A atração do auditório nessa noite de quinta-feira era o musical Grooving, com músicas dos anos 60. Foi divertido. A década ajuda, os figurinos eram bonitos, os dançarinos-cantores talentosos, só a coreografia era um pouco simplória demais. O musical abriu o apetite para dançar, e fomos ao Horizon, o salão no 15º andar, onde uma espécie de Beatles das Filipinas animava o salão em que vários casais ensaiados – daqueles que frequentam juntos as aulas de dança do salão – faziam seus passinhos na pista de dança. É bonitinho de ver, dá vontade de que seus pais estivessem também ali, mas não deu exatamente para entrar na dança, e de repente a minha cama pareceu o melhor programa do mundo. O dia seguinte seria de novo apenas no mar.

Cena do musical Grooving, com músicas da década de 60, no Marina Lounge
Ana Ribeiro
Cena do musical Grooving, com músicas da década de 60, no Marina Lounge

Dia 4 – Tomei finalmente café da manhã no Grand Dining. O salão enorme estava bem vazio – aparentemente o pessoal tem preferência pela fartura e variedade do Terrace, mas a comida do cardápio do Grand Dining é rigorosamente igual à do bufê do Terrace, sem as filas. Sentei sozinha e o casal da mesa ao lado puxou assunto: Idelle e Orlie Curtis, da Califórnia. Eles são veteranos de viagens de navio – já fizeram 30 cruzeiros, muitos deles nos navios da Oceania. No Marina e no Riviera, mas também nos mais antigos, Regatta e Nautica. A Oceania vai fazer 10 anos no ano que vem. “Eles tomam conta da gente direitinho”, disse ela. Orlie sente falta do quarteto de cordas que costumava tocar nas viagens. “Gostei do show de ontem dos anos 60, mas é uma pena terem tirado a música clássica da programação.” Eles embarcaram no Marina no Rio de Janeiro, vindos de um outro cruzeiro que os deixou em Foz do Iguaçu, e ficam a bordo por duas semanas. 

O casal de veteranos: Idelle e Orlie Curtis, da Califórnia, já fizeram 30 cruzeiros
Ana Ribeiro
O casal de veteranos: Idelle e Orlie Curtis, da Califórnia, já fizeram 30 cruzeiros

Neste dia, 14 de dezembro, enquanto o Marina estava a caminho de Buenos Aires, o outros navios da Oceania estavam por aí: Regatta, navegando rumo a Puerto Vallarta, no México, o Nautica estava em Mangalore, na Índia, e o Riviera estava em Santo Tomas, na Guatemala.

A piscina do Marina em dia de sol
Ana Ribeiro
A piscina do Marina em dia de sol

A manhã no Marina foi agitada. Além do sol lá fora, que lotou a piscina, tinha muita coisa acontecendo ao mesmo tempo. Para acompanhar a programação, tive de sair correndo de um lugar para o outro. O primeiro evento no auditório foi uma palestra sobre o Uruguai com Tommie Sue Montgomery, estudiosa da América Latina. Não faz muito sentido geograficamente, mas o Marina atracaria primeiro em Buenos Aires e no dia seguinte voltaria para Montevidéu. Uma palestra sobre a Argentina já tinha acontecido um dia antes, e assim os viajantes se preparam para conhecer as cidades que encontram pelo caminho.

Aula de sudoku: dicas simples para resolver o desafio matemático
Ana Ribeiro
Aula de sudoku: dicas simples para resolver o desafio matemático

Saí com a palestra andando para subir até o Horizon, onde uma esteticista dava dicas sobre como limpar a pele. Não fez tanto sucesso, não chegava a ter 10 mulheres assistindo, uma delas com 80 anos. Todas que estavam lá ganharam um vale de 60 dólares para descontar de qualquer tratamento facial no SPA. Assim que terminou, desci correndo de novo para o auditório, onde o comediante da outra noite estava dando uma aula de sudoku, aquele jogo dos quadradinhos numerados. Soube que ele escreveu um livro de dicas sobre o assunto, e a lição dele foi muito eficaz: aprendi as regras básicas e já saí jogando. Muito apropriadamente, uma das lojas do navio vende livrinhos de sudoku. A oferta das lojas é de roupas, óculos, bijuterias, joias e produtos de higiene pessoal. O pessoal compra bem - volta e meia você uma mulher desfilando um modelo saído das boutiques a bordo.

As esteiras com vista para o mar na academia do Marina
Ana Ribeiro
As esteiras com vista para o mar na academia do Marina

Depois de arrematar meu livrinho de sudoku fui até a academia, bem mais gostoso andar na esteira olhando para o mar. Mas o apelo do mar à vista e do sol foi mais forte do que a culpa pela comilança em curso, e fui para a piscina, que estava ainda mais lotada do que antes. Comer no Waves, o bar da piscina, me pareceu uma boa opção. Tem um bufê de saladas, um balcão de sanduíches – burgueres, hot dogs, sanduíches de lagosta e de frango – e um balcão de sorvetes.

Tudo é feito no navio, os pães, o sorvete, os hambúrgueres. Para a massa, a farinha é importada da França. Comi um veggie burger no prato com fritas e uma salada verde.

O Waves, no deck da piscina, serve saladas e burgers
Ana Ribeiro
O Waves, no deck da piscina, serve saladas e burgers

À tarde fui ao SPA gastar o vale que ganhei da esteticista, a sul-africana Dina Veder, que me fez uma massagem vitaminada no rosto (US$ 100 dólares com o desconto). Ela me deitou numa cama gostosa, massageou meu rosto com diversos cremes, tinha o balanço do mar, a musiquinha ambiente, e eu relaxei a ponto de dormir. Acordei com a cara ótima, mas não acho que tenha sido necessariamente resultado da massagem. A lista de produtos recomendados por ela para mim somava 370 dólares – não levei nenhum.

No último jantar a bordo, lagosta com macarrão de arroz e amendoim no restaurante oriental Red Ginger
Ana Ribeiro
No último jantar a bordo, lagosta com macarrão de arroz e amendoim no restaurante oriental Red Ginger

À noite fizemos uma mesa grande para o jantar de despedida no oriental Red Ginger, na minha opinião o mais bonito de todos os restaurantes. A comida é muito boa também – comi sushi, missoshiro e um lobster pad-thai: macarrão de arroz com lagosta e amendoim que estava ótimo. Tomei duas taças de vinho branco (total: 23 dólares).

Dia 5 - Amanhecemos em Buenos Aires, e foi hora de eu deixar o navio. A partir daqui, o Marina seguiu sua viagem sem mim. De Buenos Aires vai até Valparaíso, destino final do cruzeiro que partiu do Rio de Janeiro. 

O próximo roteiro do Marina era um cruzeiro de 20 dias até a Polinésia Francesa. A saída aconteceu de Valparaíso dia 27 de dezembro. O cruzeiro tinha duração de 20 dias, visitando Ilha de Robinson Crusoé (Chile), Hanga Roa (Chile), Adamstown (Ilhas Pitcairn), Fakarava (Polinésia Francesa), Bora Bora ( Polinésia Francesa), Moorea ( Polinésia Francesa) e Papeete (Tahiti). 

O Marina volta ao Brasil dia 8 de dezembro de 2013, para cruzeiro que vai do Rio de Janeiro a Valparaíso e tem duração de 20 dias.

Marina ancorado no porto de Buenos Aires, ponto final da minha viagem
Ana Ribeiro
Marina ancorado no porto de Buenos Aires, ponto final da minha viagem

RAIO X DO MARINA

São 15 andares, capacidade para no máximo 1.250 passageiros (mais 700 tripulantes, de 56 nacionalidades – dois brasileiros no momento), quatro tipos de suítes – 3 “do dono”, um apartamento de luxo com 186 metros quadrados a 1.700 dólares a diária por pessoa; 8 “Vista”, com 139 metros quadrados; 12 Oceania, com 96 metros quadrados; 124 Penthouses, com 39 metros quadrados. Minha acomodação era uma Cabine com Varanda, como há outras 244 no navio (26 metros quadrados e varanda privativa), ao preço médio de 350 dólares por dia por pessoa. São ainda 200 cabines Concierge com Varanda, com a mesma medida da minha e serviço de concierge; 20 cabines Externa Deluxe, com 22 metros quadrados, e 14 cabines internas, com 16 metros quadrados, essas adaptadas para quem tem algum problema de locomoção.

São oito os restaurantes a bordo. 



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