Capital da Escócia deve ser desbravada a pé

Agência Estado

Quando o sol se abriu em um céu azulado logo pela manhã, tive certeza de que a visita a Edimburgo havia sido uma decisão acertada. Em terra onde a chuva é tão onipresente quanto a herança medieval, explorar suas ruelas, pontes e jardins em um dia completamente ensolarado é algo raro. E definitivo para se apaixonar pelo destino. Primeiro, é sua disposição que impressiona. Com uma população de 460 mil habitantes, a capital da Escócia é compacta, do tamanho ideal para ser desbravada a pé. Pontos turísticos obrigatórios se concentram em Old Town, a parte antiga da cidade, a poucos blocos um do outro. E a arquitetura dos prédios, repleta de detalhes medievais e curiosos - cada estabelecimento possui sua própria bandeira ou brasão acima da porta -, transforma o trajeto entre eles no mais prazeroso passeio.

Pode seguir em qualquer direção que o símbolo máximo da cidade te acompanhará. Como um grande guardião, instalado no mais alto morro (a cratera de um antigo vulcão extinto há 350 milhões de anos), o Castelo de Edimburgo está sempre presente, como peça primordial da panorâmica. Abaixo dele, o gramado do Princess Garden é quem mais reflete os raios solares, dando cor e brilho à paisagem de conto de fadas. Tudo muito lúdico, não fosse a atmosfera dinâmica do destino.

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Pelas ruas, restaurantes e bares descolados, o vaivém é constante. E a agenda cultural até parece coisa de cidade grande. Reaberto em 2011, após dois anos de reformas, a Scottish National Gallery ( nationalgalleries.org ) e a National Gallery of Modern Art, no mesmo complexo, vivem com a agenda cheia de grandes mostras. Quanto aos eventos ao ar livre, esses borbulham durante o verão, quando Edimburgo vive seu ápice cultural, chegando a concentrar dez festivais somente em agosto. Além do Fringe ( www.edfringe.com ), conhecido internacionalmente e com atividades que vão das intervenções urbanas aos shows, há festivais de arte, teatro, dança, livros... Já no fim do ano, os escoceses reservam três dias para celebrar com fogos de artifícios e festas nas ruas o hogmanay, seu réveillon. É quando comprovam de fato sua fama de festeiros.

História
O melhor lugar para se familiarizar com costumes e tradições do povo escocês é seu próprio castelo. Ali, quem dá as boas-vindas são as estátuas de dois figurões da história nacional: Robert the Bruce (1274- 1329), guerreiro que se autocoroou rei do país, e William Wallace (1276-1305), líder da Guerra de Independência da Escócia - para refrescar sua memória, é o personagem de Mel Gibson no longa Coração Valente (1995).

Passando o portão principal, você é convidado a seguir por uma viagem aos tempos remotos do país, conhecendo detalhes das épocas de conquistas do Reino Unido (que, além da Escócia, é composto por Irlanda do Norte e País de Gales) e curiosidades de cada reinado. A área mais concorrida deste Patrimônio da Humanidade é o próprio Palácio Real, com uma sala dedicada às mais importantes joias escocesas. Além da coroa e da espada real, está exposta a chamada Pedra do Destino, o assento do trono utilizado em coroações ao longo de 400 anos.

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Além de história e relíquias, o castelo ainda pode se gabar de proporcionar uma das melhores panorâmicas de Edimburgo. A partir de seu terraço, vê-se parte de Old Town, da New Town e o Princess Garden, jardim público que divide as duas áreas, com o enorme Scott Monument no centro. Erguido de 1841 a 1846 e com 61 metros de altura, é a mais alta construção do mundo que homenageia um escritor, Sir Walter Scott. De lá para cá.

Monumento em homenagem a  Walter Scott, o escritor mais célebre da Escócia
Getty Images
Monumento em homenagem a Walter Scott, o escritor mais célebre da Escócia

Se a Royal Mile termina no castelo, a via começa em outro marco da realeza, o Palácio de Holyroodhouse. Trata-se da residência oficial da família real em Edimburgo, onde a rainha Elizabeth II se hospeda quando visita a capital. E, na ausência de membros da realeza, o edifício abre para turistas: há como visitar vários cômodos sem ter de pagar nada. É ao longo dessa rua que se espalham as casas especializadas em kilt, o tradicional traje escocês. Lojinhas de suvenires convencionais também estão por ali, entre igrejas medievais, cafés apertadinhos e autênticos pubs.

Mas, se a ambição de compras for além dos itens típicos, a sugestão é seguir caminho rumo a New Town. Basta cruzar umas das pontes para chegar na parte nova da cidade, que de novo mesmo só tem o nome. Os prédios da região datam da metade do século 18, esbanjam traços neoclássicos e foram construídos em um plano para combater a superlotação de Old Town. A denominação foi mais uma forma de diferenciá-la da parte medieval. O burburinho da área se concentra na Princess Street, onde grifes internacionais, lojinhas locais e cafés se espalham sendo capazes de ocupar uma tarde inteira de um turista. O bom é que, se o cansaço das andanças bater, quem margeia a via é o Princess Garden, com seu extenso e confortável gramado verdinho. 

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O QUE LEVAR
Roupas adequadas - Cheque a temperatura média na época de sua visita para não ter erro. Já lembrando que, até no agradável verão, os termômetros não costumam passar dos 25 graus;

Para chuva - É provável que você não tenha a sorte de desfrutar de dias ensolarados, portanto leve casaco impermeável ou guarda-chuva;

Sapatos confortáveis - Para não passar sufoco nos dias de andanças pela cidade;

Aplicativo - Se for em agosto, baixe o aplicativo gratuito dos festivais e acesse a programação: edinburghfestivals.co.uk/iPhone

O QUE TRAZER
Kilt - Você até vai encontrar modelos (masculinos e femininos) por cerca de 25 libras (R$ 82) em lojas de suvenires. Mas por um de qualidade vai desembolsar ao menos o dobro em casas especializadas;

Garrafas - Aproveite que está na terra da bebida para garantir um dos rótulos nobres ou o single malt, feito exclusivamente de malte de cevada. Os preços são diversos;

Doces - O mais típico é o tablet, feito de açúcar, leite e manteiga, parecido ao fudge. Há o tradicional e os com sabor - o de uísque é marcante, em uma perspectiva nada positiva.

(*) A repórter Bruna Tiussu viajou a convite do Visit Britain

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